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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Nunes Marques, indicou nesta semana que não está descartada a possibilidade de estender o horário de votação no segundo turno das eleições brasileiras. A declaração, feita durante discussões sobre o calendário eleitoral, reforça o debate sobre como garantir que todos os eleitores tenham tempo suficiente para exercer o voto, especialmente em um pleito que pode registrar alta abstenção. A medida, se adotada, seria coordenada com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dependeria de análise técnica e jurídica.
**Contexto**
O horário de votação no Brasil tradicionalmente se estende das 8h às 17h, com possibilidade de prorrogação em casos excepcionais. No primeiro turno de 2026, algumas seções registraram filas longas, o que levou a questionamentos sobre a necessidade de ampliação do período. Nunes Marques, que atua como relator de processos eleitorais no STF, afirmou que a Corte está aberta a avaliar propostas concretas, desde que respeitem a legislação e a segurança do processo.
A discussão ocorre em um momento de intenso debate sobre a participação eleitoral. Dados do TSE indicam que o índice de abstenção no primeiro turno deste ano ficou em torno de 20%, um número considerado elevado por especialistas. Entre os fatores apontados estão a dificuldade de deslocamento em zonas rurais e urbanas, além de problemas logísticos em regiões de baixa densidade populacional. A extensão do horário poderia mitigar parte desses desafios, especialmente se combinada com a ampliação do número de urnas e de mesários.
A possibilidade de estender a votação também levanta questões legais. A Constituição prevê que o processo eleitoral deve ser transparente e seguro, e qualquer alteração no horário precisa ser justificada por razões de interesse público. O TSE já manifestou, em ocasiões anteriores, que a decisão cabe ao plenário do STF, caso haja necessidade de interpretação constitucional. Nunes Marques, ao não descartar a medida, sinaliza que o Judiciário está disposto a dialogar com os demais Poderes.
**Análise**
A declaração de Nunes Marques tem implicações práticas e políticas. Do ponto de vista prático, estender o horário de votação exige maior planejamento logístico, como a disponibilidade de mesários e a segurança das urnas durante o período adicional. No entanto, pode ser uma ferramenta eficaz para reduzir filas e aumentar a participação, especialmente em grandes centros urbanos onde o trânsito e o horário de trabalho limitam o acesso às urnas.
Politicamente, a medida pode ser vista como um gesto de inclusão democrática, mas também gera controvérsia. Críticos argumentam que a flexibilização pode abrir margem para fraudes ou pressões nos locais de votação, enquanto defensores destacam que a tecnologia atual garante a integridade do sistema. O debate reflete a tensão entre eficiência e segurança que marca o processo eleitoral brasileiro. Em um cenário de polarização, qualquer alteração nas regras é acompanhada com lupa por candidatos e partidos.
**Fontes**
Declaração do ministro Nunes Marques em evento público sobre o calendário eleitoral; legislação eleitoral brasileira (Constituição Federal e Lei das Eleições); dados do TSE sobre abstenção e logística.
Por Renan Filho · 2026-10-25