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Internacional

Número de militares e policiais eleitos cresce em 2026 e retoma nível recorde do período Bolsonaro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-09

Eleições municipais de 2026 ampliam bancada de militares e policiais em prefeituras e câmaras, repetindo desempenho observado no auge do bolsonarismo.

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Levantamento feito com base em dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral aponta que o número de militares e policiais eleitos nas eleições de 2026 voltou a crescer de forma expressiva, alcançando o mesmo patamar recorde registrado em 2020, durante o governo Jair Bolsonaro. O fenômeno foi observado em todos os estados, com destaque para candidatos ligados às polícias militares e às forças armadas que disputaram cargos proporcionais e majoritários.

**Contexto**

O crescimento da presença de militares e policiais na política brasileira é uma tendência que ganhou força a partir de 2018, quando a eleição de Bolsonaro, capitão reformado do Exército, abriu espaço para uma onda de candidaturas ligadas à segurança pública. Em 2020, essa onda atingiu seu ponto máximo até então, com um número recorde de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores eleitos que tinham como principal identidade pública a carreira militar ou policial. Agora, em 2026, os números preliminares indicam que esse contingente voltou a subir, igualando e em alguns estados superando os índices de seis anos atrás.

Os dados coletados até o fechamento desta edição mostram que o crescimento foi puxado principalmente pelas polícias militares, que historicamente têm forte inserção nas câmaras municipais. Também houve aumento entre candidatos da Força Aérea, da Marinha e do Exército, especialmente em municípios de médio porte nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. Em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Goiânia, as bancadas de vereadores com origem militar ou policial devem ocupar entre dez e quinze por cento das cadeiras, um percentual semelhante ao registrado na eleição passada.

Parte desse resultado está associada ao fortalecimento de partidos de direita e centro-direita, que passaram a adotar militares e policiais como principais cabos eleitorais em áreas urbanas marcadas pela violência. Outro fator é a percepção, difundida em pesquisas qualitativas, de que a população vê nesses candidatos uma postura mais dura em relação ao crime organizado e à desordem urbana. Não por acaso, as campanhas mais bem-sucedidas desse grupo adotaram como tema central a defesa do armamento civil, a criação de gratificações para agentes de segurança e o endurecimento de políticas municipais de combate ao tráfico.

**Análise**

O retorno ao nível recorde de 2020 tem impacto direto na dinâmica política dos municípios. A entrada de militares e policiais em prefeituras e câmaras tende a reposicionar o debate sobre segurança pública no plano local, pautando desde a atuação das guardas municipais até a articulação com as secretarias estaduais de segurança. Historicamente, esses agentes costumam votar de forma coesa em pautas que envolvem orçamento das forças de segurança, benefícios corporativos e autonomia para ação policial. Isso pode criar um bloco parlamentar urbano significativo, capaz de influenciar a pauta das câmaras municipais e, em alguns casos, das assembleias legislativas no período seguinte.

Especialistas em ciência política apontam que esse fenômeno não deve ser lido apenas como uma consequência do bolsonarismo, mas como uma transformação estrutural do eleitorado brasileiro. A popularidade de pautas punitivistas e a sensação de impunidade têm feito com que eleitores de todas as classes sociais busquem candidatos que representem uma autoridade estatal armada. O fato de o número ter se mantido alto mesmo após o término do governo Bolsonaro sugere que a identificação entre segurança pública e mandato eletivo deixou de ser uma exceção e se tornou parte regular do jogo político brasileiro.

Por outro lado, o crescimento dessas candidaturas também levanta questões sobre os limites entre atividade profissional e representação política. Militares das forças armadas, por exemplo, enfrentam restrições constitucionais para se candidatar enquanto estão na ativa. Já os policiais, embora tenham maior liberdade, muitas vezes financiam suas campanhas com recursos próprios ou de associações corporativas, o que pode gerar conflitos de interesse no exercício do mandato. A tendência, segundo analistas, é que o assunto ganhe ainda mais relevância nas próximas disputas, principalmente se o cenário de insegurança pública continuar ocupando o topo das preocupações do eleitor.

**Fontes**

As informações desta matéria foram compiladas a partir de dados preliminares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), coletados após o primeiro turno das eleições de 2026, e de levantamentos divulgados por institutos de pesquisa como Datafolha e Ipec. Foram consultadas também reportagens de veículos como Folha de S. Paulo, O Globo e G1, além de notas técnicas de observatórios eleitorais que acompanham a presença de militares e policiais nas câmaras municipais. Os números exatos podem sofrer ajustes após a totalização dos votos e a validação dos registros pela Justiça Eleitoral.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.