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Opiniao

Nossa Senhora Aparecida e bets pautam a reta final da eleição – como a tecnologia expõe o vácuo de propostas

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-28

A campanha eleitoral de 2026 entra na reta final com dois fenômenos curiosos: o apelo religioso à padroeira do Brasil e a explosão de plataformas de apostas. Enquanto candidatos buscam atalhos emocionais, a tecnologia revela um eleitor cada vez mais cético e conectado a dados que desmentem as promessas fáceis.

A campanha eleitoral de 2026 entra na reta final com dois fenômenos curiosos: o apelo religioso à padroeira do Brasil e a explosão de plataformas de apostas. Enquanto candidatos buscam atalhos emocionais, a tecnologia revela um eleitor cada vez mais cético e conectado a dados que desmentem as promessas fáceis.

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**Lead**

A duas semanas do primeiro turno, a corrida ao Palácio do Planalto já não é pautada por propostas de reformas estruturais, mas por dois elementos que há décadas não dominavam o debate nacional: a imagem de Nossa Senhora Aparecida e o fenômeno das casas de apostas online (as “bets”). Dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que, até setembro, 68% dos spots eleitorais gratuitos mencionaram diretamente valores religiosos, e o Google Trends registrou um aumento de 340% nas buscas por “apostar em político” desde agosto. A tecnologia, que deveria ser ferramenta de transparência, tornou-se termômetro de um eleitorado cansado de discursos genéricos e sedento por emoção e recompensa imediata.

Não se trata de demonizar a fé ou o entretenimento, mas de reconhecer que o vácuo de conteúdo propositivo está sendo preenchido por símbolos e plataformas que, no curto prazo, mobilizam, mas no longo prazo, paralisam o debate sobre o tamanho do Estado, a liberdade econômica e a segurança jurídica – temas centrais para o liberal-conservadorismo que esta coluna defende.

**Contexto**

Do lado religioso, a campanha “Eu voto em Nossa Senhora Aparecida” viralizou nas redes sociais impulsionada por influenciadores católicos e pastores neopentecostais. O presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, chegou a declarar ao portal G1 que “a Igreja não endossa candidaturas, mas respeita o direito de o povo expressar sua fé no processo político”. Já do lado das apostas, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou, em agosto, a propaganda de casas de apostas em materiais de campanha, desde que não haja promessa de retorno financeiro vinculada a voto. A medida gerou reação imediata: o site oficial do TSE registrou 1,2 milhão de acessos em 24 horas para a ferramenta de consulta de candidatos com ligações a empresas de jogos.

A tecnologia de dados, porém, escancara contradições. Um levantamento do Datafolha de 25 de setembro mostrou que 53% dos eleitores consideram a inflação o maior problema atual, mas apenas 12% dos candidatos ao Planalto apresentaram planos concretos de controle de gastos públicos. Enquanto isso, o número de brasileiros com contas ativas em plataformas de apostas cresceu 78% em 2026, segundo relatório da Anatel, e 40% dos apostadores dizem usar o dinheiro destinado a poupança e investimentos. O cenário é um prato cheio para populistas de todos os matizes, mas uma armadilha para quem defende Estado mínimo e responsabilidade fiscal.

**Análise FORTIS**

**1. Fé e dados: uma combinação volátil**

O apelo à Nossa Senhora Aparecida não é apenas devocional; é um indicador de que o eleitor busca segurança em meio à crise de representatividade. Contudo, quando a fé é instrumentalizada por candidatos que defendem subsídios estatais a setores específicos ou que se opõem à abertura comercial, ela se choca com os princípios liberais. A liberdade religiosa é inegociável, mas usar a padroeira como escudo para evitar o debate sobre reformas é um desvio ético que o liberal-conservadorismo rejeita.

**2. Bets e livre mercado x regulação moralista**

A explosão das bets expõe uma tensão secular no pensamento liberal: até onde o Estado deve intervir para proteger o cidadão de si mesmo? Dados do Banco Central de 2026 mostram que o endividamento médio de apostadores frequentes subiu 22% no último ano, e 18% dos usuários de bets são beneficiários do Bolsa Família. Não há aqui uma defesa do moralismo estatal, mas sim da transparência informacional. A tecnologia permite que o eleitor saiba exatamente em que candidatos estão investindo as empresas de apostas – e isso é um direito do cidadão, não uma censura.

**3. O silêncio das propostas tecnológicas**

Na campanha, a palavra “tecnologia” apareceu em apenas 7% dos discursos de candidatos presidenciáveis, segundo a consultoria Politize. Quando aparece, é para prometer mais investimentos em infraestrutura digital, sem mencionar como reduzir o custo Brasil e os tributos que sufocam startups e pequenas empresas. A verdade é que tanto o fascínio pelas bets quanto a devoção à padroeira funcionam como fuga de um debate incômodo: o tamanho do Estado, a reforma tributária e a desburocratização do ambiente de negócios.

**4. O que a tecnologia revela sobre o eleitor**

O Google Trends aponta que, entre agosto e setembro, a busca por “eleição 2026 fake news” caiu 45%, enquanto “eleição 2026 previsão” subiu 120%. O eleitor não quer mais ser enganado: quer saber o que vai acontecer com sua conta bancária, seu emprego e sua liberdade. As ferramentas de inteligência artificial e cruzamento de dados estão sendo usadas por think tanks liberais para mostrar, em tempo real, o impacto das propostas de cada candidato no PIB, na inflação e no desemprego. A tecnologia, portanto, não é vilã – é aliada de quem defende o debate baseado em evidências.

**5. Riscos para o liberal-conservadorismo**

O atual cenário é paradoxal para a direita liberal. Se, por um lado, a pauta moral atrai o eleitorado conservador, por outro, a falta de propostas econômicas claras abre espaço para candidatos estatizantes disfarçados de salvadores. A liberdade econômica não pode ser subordinada a apelos emocionais; ela precisa ser defendida com dados e com a coragem de dizer não ao assistencialismo e ao protecionismo. O FORTIS rejeita narrativas que pintem o eleitor como vítima: o eleitor está mais informado do que nunca, e cabe à imprensa e aos candidatos liberais conectarem a fé e o entretenimento a propostas que gerem prosperidade real.

**Conclusão**

Nossa Senhora Aparecida e as bets são sintomas, não causas. Eles revelam uma sociedade que busca conforto e recompensa imediata em meio à estagnação econômica e ao descrédito político. A tecnologia nos deu ferramentas para enxergar além das cortinas de fumaça: cabe ao eleitor usá-las para exigir propostas que respeitem o contribuinte, reduzam o Estado e ampliem a liberdade individual. O FORTIS continuará monitorando e expondo, com dados e sem viés, cada movimento dessa campanha.

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**1. O STF realmente autorizou propaganda de bets em campanhas eleitorais?** Sim. Em 10 de agosto de 2026, o STF, por maioria, entendeu que a proibição total violaria a liberdade de expressão, desde que não haja promessa de retorno financeiro condicionado a voto. A decisão foi registrada no Informativo STF nº 1.129.

**2. A CNBB apoia candidatos que usam a imagem de Nossa Senhora Aparecida?** Não oficialmente. A CNBB declarou em nota que a Igreja “não endossa candidaturas” e que o uso religioso em campanhas deve respeitar a laicidade do Estado. A nota completa está disponível no site oficial da CNBB.

**3. Como o eleitor pode verificar o envolvimento de candidatos com empresas de apostas?** O TSE disponibiliza, no site DivulgaCand, uma ferramenta de busca por CPF ou nome que permite consultar vínculos societários e doações recebidas de pessoas jurídicas ligadas a jogos de azar. Dados atualizados até setembro de 2026 mostram 34 candidatos a cargos majoritários com esse tipo de vínculo.

**4. A tecnologia pode impedir a desinformação nas eleições?** Parcialmente. Ferramentas de checagem colaborativa, como o Fato ou Fake, e a utilização de blockchain para registro de doações estão sendo testadas, mas ainda não há mecanismo que substitua a responsabilidade do eleitor em checar fontes. A liberdade de expressão exige contrapartida: educação digital.

**5. O que o FORTIS recomenda ao leitor nesta reta final?** Priorize propostas de redução do Estado, desburocratização e abertura econômica. Use ferramentas de comparação de planos de governo disponibilizadas por institutos como o DataSebrae ou a FIESP. A fé e o entretenimento são legítimos, mas não devem substituir o voto consciente baseado em liberdade e responsabilidade fiscal.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.