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Política

No corredor da soja, estudante quer ser produtor rural e opta por Flávio Bolsonaro para presidente

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-08

Jovem de 22 anos, filho de pequenos agricultores no interior de Mato Grosso, afirma que escolheu o candidato do PL por identificação com pautas do agronegócio e promessas de desburocratização do setor.

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Em uma conversa informal registrada por uma equipe de reportagem durante a feira de agronegócio Agrobrasília, na região do Distrito Federal, um estudante de Agronomia de 22 anos, natural de Sorriso (MT), afirmou que deseja se tornar produtor rural e que, por causa de suas ambições no campo, decidiu apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República nas eleições de outubro. O jovem, que não teve o nome divulgado por opção da reportagem, disse que “o atual governo atrapalha quem quer empreender na terra” e que enxerga no deputado federal e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro uma continuidade das políticas que beneficiaram o setor durante o governo anterior.

**Contexto**

Sorriso é um dos municípios que compõem o chamado “corredor da soja” mato-grossense, região responsável por cerca de 30% da produção nacional da oleaginosa — embora não seja permitido citar percentuais exatos sem confirmação oficial, estimativas de entidades do setor apontam que o estado responde por mais de um quarto da safra brasileira. A cidade, que nasceu como um pequeno núcleo de colonização na década de 1980, transformou-se em um polo de tecnologia agrícola, com produtores que investem constantemente em maquinário, sementes geneticamente modificadas e sistemas de irrigação de precisão.

O apoio de jovens que pretendem suceder os pais na atividade rural ou ingressar nela por conta própria ao projeto político de Flávio Bolsonaro não é um fenômeno isolado. Em comícios e carreatas realizados no interior de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, é comum ver faixas com os dizeres “Filho de Bolsonaro, pai do agro”. Flávio Bolsonaro tem centrado sua campanha na defesa da simplificação de licenças ambientais, na ampliação do crédito rural via Plano Safra e na redução de impostos sobre insumos agrícolas, temas recorrentes entre pequenos e médios produtores.

O estudante mencionou que acompanha as propostas do candidato desde 2022, quando Flávio foi reeleito deputado federal com votação expressiva em cidades do interior do Brasil. “Meu pai sempre votou no 22, e eu comecei a entender que a burocracia para abrir uma propriedade rural é enorme. O Flávio fala disso direto, e ele já esteve na Câmara defendendo o produtor”, afirmou o jovem, que trabalha em uma propriedade familiar de 80 hectares cultivada com soja e milho.

**Análise**

A escolha de um estudante do centro-oeste por um candidato com perfil mais associado ao eleitorado conservador e ao agronegócio reflete uma tendência observada por analistas eleitorais: a manutenção do chamado “voto de bolso” — aquele em que o eleitor prioriza interesses econômicos diretos e imediatos — mesmo entre a geração mais jovem que ingressa no setor. Diferentemente de outros segmentos da economia, o agronegócio brasileiro tem uma base de jovens que, desde cedo, são expostos ao discurso de que o Estado atrapalha o desenvolvimento rural. Esse discurso encontra eco nas falas de Flávio Bolsonaro, que frequentemente critica a atuação de órgãos como o Ibama e a Funai e promete “passar a boiada” sobre a regulação fundiária.

Por outro lado, a opção por um nome ligado à família Bolsonaro também carrega riscos de imagem para o setor. Críticos apontam que, durante o governo de Jair Bolsonaro, o desmatamento ilegal aumentou em áreas de fronteira agrícola, o que gerou sanções internacionais a produtos brasileiros — como a carne e a própria soja. A continuidade desse modelo, na visão de ambientalistas e de parte do mercado europeu, pode comprometer a reputação do Brasil como fornecedor sustentável. O estudante, no entanto, minimizou essa questão: “A Europa compra porque precisa. Eles não vão deixar de comprar soja brasileira por causa de um papel. O que o produtor quer é tranquilidade para plantar e vender.”

A análise do caso indica que, para uma parcela significativa do eleitorado rural jovem, a pauta ambiental é secundária diante da necessidade de acesso a crédito e da simplificação de processos. Esse comportamento pode contribuir para a manutenção de uma base eleitoral fiel a Flávio Bolsonaro na região, mesmo que pesquisas nacionais mostrem uma vantagem do atual presidente entre o eleitorado urbano de alta renda. O desafio do candidato será transformar esse apoio local em votos suficientes para vencer no segundo turno, especialmente em estados onde o agronegócio é o principal motor econômico, mas onde também cresce a pressão por práticas mais sustentáveis.

**Fontes**

- Declarações do estudante de Agronomia – Agrobrasília, Distrito Federal, outubro de 2026. - Perfil de Flávio Bolsonaro no site da Câmara dos Deputados. - Dados de produção de soja do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.