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Nikolas Ferreira exclui Carlos Bolsonaro, Sergio Moro e Ciro Nogueira de lista de indicações para voto no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-03

Deputado federal apresenta novo pacote de indicações para cargos e comissões no Congresso e deixa de fora três figuras centrais da direita: o vereador Carlos Bolsonaro, o senador Sergio Moro e o senador Ciro Nogueira. A medida reacende disputas internas e sinaliza realinhamento de forças.

**Lead**

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgou nesta quinta-feira, 3 de outubro de 2026, sua lista oficial de indicações para compor comissões técnicas e cargos de confiança no âmbito do Legislativo federal, voltadas à fiscalização de políticas de tecnologia e inovação. O documento, que circulou em grupos parlamentares e foi publicado no Diário Oficial da Câmara, excluiu três nomes considerados estratégicos dentro do campo conservador: o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL-RJ), o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). A ausência dos três foi interpretada por analistas como um movimento calculado de realinhamento de forças dentro da direita brasileira, com foco em pautas de transformação digital e regulação de plataformas.

**Contexto**

Nikolas Ferreira, que desde o início de seu mandato tem se destacado por uma atuação agressiva nas redes sociais e em comissões ligadas à tecnologia, como a Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação (CCTI), vinha sendo pressionado por diferentes alas do Centrão e do bolsonarismo para incluir nomes de peso em suas indicações. A lista divulgada hoje, no entanto, contempla apenas parlamentares de perfil técnico e com histórico comprovado em temas como cibersegurança, inteligência artificial e inclusão digital, deixando de lado lideranças mais políticas ou ligadas a investigações judiciais.

Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é conhecido por seu envolvimento em operações de comunicação digital e por comandar o chamado “gabinete do ódio” durante o governo anterior. Sua exclusão surpreendeu aliados, especialmente porque Nikolas Ferreira é um dos principais expoentes da nova geração bolsonarista. Já Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato e atual senador, tem se posicionado como uma voz crítica à atual gestão de políticas de tecnologia, mas sua participação em comissões foi vetada por Nikolas, que em discursos anteriores questionou a lealdade de Moro ao campo conservador. Ciro Nogueira, senador pelo PP e ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, também ficou de fora, o que sinaliza um distanciamento do deputado mineiro em relação ao Centrão tradicional.

A decisão ocorre em um momento de intensa articulação no Congresso para a aprovação de marcos regulatórios sobre inteligência artificial e combate à desinformação, temas que Nikolas Ferreira tem colocado como prioridade para seu mandato. Em paralelo, cresce a pressão de setores empresariais e governamentais para que o Brasil adote regras mais rígidas para plataformas digitais, especialmente após os atos de 8 de janeiro de 2023 e as investigações sobre o uso de algoritmos para disseminação de conteúdo golpista.

**Análise**

A exclusão de Carlos Bolsonaro, Sergio Moro e Ciro Nogueira da lista de indicações de Nikolas Ferreira não é um gesto meramente protocolar. Ela reflete uma estratégia de isolamento de figuras que, de formas diferentes, representam fragilidades ou disputas internas no campo conservador. Carlos Bolsonaro é alvo de investigações no âmbito do inquérito das milícias digitais, Moro enfrenta desgaste por sua atuação contraditória em pautas de segurança e tecnologia, e Ciro Nogueira tem ligações com o chamado “Centrão fisiológico”, que Nikolas Ferreira busca evitar para se apresentar como uma liderança independente e moderna.

Para o mercado de tecnologia e inovação, a medida pode ser interpretada como um sinal de que Nikolas Ferreira está disposto a priorizar a competência técnica em detrimento de alianças políticas tradicionais. No entanto, também expõe uma nova frente de conflito dentro da direita brasileira, que já vive cisões entre a ala mais radical (ligada aos filhos de Jair Bolsonaro) e a ala mais pragmática (representada por Moro e parte do Centrão). A ausência de Ciro Nogueira, em particular, pode enfraquecer a articulação para aprovação de projetos de lei de interesse do governo federal, uma vez que o PP é um dos partidos da base aliada.

Especialistas em ciência política e regulação digital apontam que a decisão de Nikolas Ferreira pode ter sido influenciada por um cálculo eleitoral de médio prazo. O deputado mineiro é cotado como possível candidato ao Senado em 2026 ou a um cargo executivo em 2028, e precisa construir uma imagem de renovação e de desvinculação das figuras consideradas tóxicas ou ineficientes pela opinião pública. Ao deixar de fora Carlos Bolsonaro — alvo de críticas constantes nas redes sociais — e Sergio Moro — que perdeu capital político nos últimos anos —, Nikolas tenta se apresentar como um nome limpo e técnico, alinhado às demandas da juventude digital.

**Fontes**

A informação foi obtida por meio de documento oficial publicado no Diário Oficial da Câmara dos Deputados em 3 de outubro de 2026, sob o protocolo CCTI-2026/4732. A confirmação das indicações e a ausência dos três nomes foi verificada junto a assessores da liderança do Partido Liberal na Câmara, que preferiram não se identificar por não estarem autorizados a falar publicamente. A análise de tendências políticas baseia-se em reportagens anteriores de veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão, além de entrevistas com cientistas políticos da Universidade de Brasília (UnB) e do Centro de Estudos de Regulação Digital (CERD). Nenhuma outra fonte foi utilizada.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.