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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, continua a exercer o cargo de forma interina após as eleições legislativas realizadas no início do mês não terem definido uma maioria parlamentar clara. Com 120 assentos no Knesset, nenhum partido ou bloco alcançou os 61 necessários para governar, dando início a um período de negociações que pode se estender por semanas. O presidente de Israel, Isaac Herzog, iniciou consultas com os líderes partidários para definir qual deles terá a primeira chance de formar governo. Enquanto isso, Netanyahu, líder do Likud, segue no comando do país em regime de interinidade, cargo que ocupa desde o final do mandato anterior.
**Contexto**
As eleições israelenses deste ano foram as quintas em menos de quatro anos, refletindo a profunda crise política que assola o país desde 2019. Nenhum governo conseguiu completar um mandato integral nesse período. O sistema político fragmentado, com legendas que vão desde partidos ultraortodoxos até facções árabes e seculares, dificulta a formação de coalizões estáveis. Netanyahu, que já liderou o país por mais de 15 anos, enfrenta simultaneamente um julgamento por corrupção — caso que divide a opinião pública e influencia as alianças partidárias.
Os resultados indicam que o bloco de direita liderado pelo Likud e seus aliados religiosos não alcançou a maioria absoluta. Já o bloco de centro-esquerda, que inclui partidos como Yesh Atid e Azul e Branco, também ficou aquém. O partido Árabe Unido, de Mansour Abbas, conquistou assentos suficientes para atuar como possível fiel da balança, mas sua participação em um governo é controversa devido a posições divergentes sobre a questão palestina e a identidade judaica do Estado.
Netanyahu, ao se pronunciar após a divulgação dos resultados, afirmou que fará todos os esforços para formar um governo estável e evitar novas eleições. No entanto, os desafios são enormes. Seu principal rival, Yair Lapid, do Yesh Atid, também reivindica a capacidade de articular uma coalizão. O presidente Herzog tem a prerrogativa de escolher quem tentará primeiro, baseando-se nas indicações dos partidos eleitos.
**Análise**
A permanência de Netanyahu como primeiro-ministro interino, embora prevista na legislação israelense, acentua a sensação de paralisia política. O país enfrenta questões urgentes como a escalada de violência na Cisjordânia, as tensões com o Irã e a crescente insatisfação social com o custo de vida. Sem um governo plenamente legitimado, decisões estratégicas podem ser adiadas ou tomadas de forma provisória, comprometendo a eficácia da administração pública.
Para o cenário regional, a indefinição política em Israel é observada com cautela por seus aliados, especialmente os Estados Unidos e os países árabes que normalizaram relações via Acordos de Abraão. A ausência de uma coalizão sólida em Jerusalém pode enfraquecer a capacidade de negociação em temas sensíveis, como o programa nuclear iraniano e a expansão de assentamentos. Internamente, a população demonstra desgaste com a repetição de eleições e a falta de resultados concretos.
Caso as negociações fracassem, Israel pode enfrentar uma nova eleição ainda este ano, o que seria a sexta desde 2019. Esse cenário aprofundaria a crise de governabilidade e aumentaria a pressão sobre o sistema político. Analistas locais apontam que a única saída duradoura seria uma reforma eleitoral que reduzisse o número de partidos ou instituísse um sistema de governo mais estável, mas tais mudanças exigem consenso que parece distante.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em comunicados oficiais do governo de Israel, pronunciamentos do presidente Isaac Herzog e do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, além de reportagens dos veículos Haaretz e The Times of Israel. Dados eleitorais foram obtidos junto à Comissão Eleitoral Central de Israel. Análises de especialistas foram consultadas em publicações do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel (INSS).
Por Renan Filho · 2026-10-29