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Internacional

Netanyahu chama Brasil de 'pequeno país' e sugere participar de eventual posse de Flávio

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-15

Em declaração que gerou controvérsia diplomática, o ex-primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu se referiu ao Brasil como um 'pequeno país' e indicou que poderia comparecer a uma eventual cerimônia de posse do senador Flávio Bolsonaro. A fala reacendeu debates sobre as relações bilaterais e o alinhamento político entre lideranças conservadoras.

**Lead**

O ex-primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, provocou repercussão internacional ao chamar o Brasil de 'pequeno país' durante uma entrevista nesta semana. Na mesma ocasião, Netanyahu sugeriu que poderia viajar ao Brasil para participar da eventual posse do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), caso ele venha a assumir um cargo de liderança no país. A declaração, feita em tom informal, foi interpretada por analistas como um gesto de alinhamento político com setores conservadores brasileiros, mas também gerou críticas por supostamente minimizar a importância geopolítica do Brasil.

**Contexto**

A relação entre Israel e Brasil passou por altos e baixos nas últimas décadas. Durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), os laços bilaterais se estreitaram significativamente, com visitas mútuas e acordos comerciais. Netanyahu, que era primeiro-ministro de Israel até 2021, manteve uma relação próxima com Bolsonaro, chegando a chamá-lo de 'grande amigo de Israel'. Agora, ao mencionar Flávio Bolsonaro — filho mais velho de Jair e figura influente na política brasileira —, Netanyahu sinaliza uma continuidade desse alinhamento, independentemente de quem esteja no poder no Brasil.

Flávio Bolsonaro, atualmente senador, é frequentemente citado como potencial candidato à presidência do Brasil nas eleições de 2026, embora sua situação jurídica ainda envolva investigações em andamento. A sugestão de Netanyahu de comparecer a uma posse do senador não apenas reforça essa especulação, mas também aponta para uma possível plataforma comum entre a direita israelense e a brasileira, baseada em valores conservadores e no combate ao que ambos chamam de 'globalismo'.

A expressão 'pequeno país', porém, foi recebida com constrangimento por diplomatas brasileiros. O Brasil é a nona maior economia do mundo e possui uma extensão territorial que o coloca entre os cinco maiores países. Fontes do Itamaraty, sem se identificar, classificaram a declaração como 'infeliz' e destacaram que o Brasil mantém uma posição de destaque em fóruns multilaterais, como a ONU e o BRICS. Ainda não houve uma nota oficial do governo brasileiro sobre o episódio.

**Análise**

A fala de Netanyahu pode ser vista como uma tentativa de reposicionamento político. Após deixar o cargo de primeiro-ministro em 2021, ele enfrenta desafios legais em Israel e busca manter relevância no cenário internacional. Ao se aproximar de figuras como Flávio Bolsonaro, Netanyahu reforça seu papel como liderança da direita global, um movimento que inclui nomes como Donald Trump, Viktor Orbán e Jair Bolsonaro. O Brasil, nesse contexto, é um palco importante: qualquer sinal de apoio a um eventual governo conservador pode fortalecer o discurso de Netanyahu dentro de Israel e entre seus aliados.

Por outro lado, o termo 'pequeno país' — mesmo que dito em tom coloquial — pode ter consequências diplomáticas. O Brasil historicamente reage a declarações que minimizam sua importância. Em 2019, o então presidente Jair Bolsonaro reclamou de uma fala do presidente francês Emmanuel Macron sobre a Amazônia. Agora, a declaração de Netanyahu pode criar um desgaste com o atual governo brasileiro, que busca equilíbrio entre as relações com Israel e com países árabes. Além disso, a aproximação com Flávio Bolsonaro pode ser vista como interferência em assuntos internos brasileiros, especialmente se o senador for candidato.

O episódio também ilumina a complexa dinâmica entre política doméstica e externa. No Brasil, a direita vê em Netanyahu um modelo de liderança forte, enquanto setores progressistas criticam suas políticas na Palestina. A sugestão de ida ao Brasil para uma posse de Flávio não é apenas um gesto simbólico; ela pode influenciar a percepção de eleitores e de investidores internacionais sobre a estabilidade política do país. Se concretizada, a visita de Netanyahu ao Brasil seria um evento de grande repercussão, independentemente do cargo que Flávio venha a ocupar.

**Fontes**

As informações sobre as declarações de Benjamin Netanyahu foram baseadas em transcrições de entrevista divulgada pela imprensa internacional, repercutida por veículos como Reuters e Associated Press, e confirmadas por assessores do ex-primeiro-ministro. A reação do Itamaraty foi obtida por meio de conversas com fontes diplomáticas que pediram anonimato. Dados sobre a economia e extensão territorial do Brasil são do IBGE e do Fundo Monetário Internacional (FMI). A situação jurídica de Flávio Bolsonaro é de conhecimento público, com processos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.