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Internacional

Naufrágio no Djibuti deixa mais de 100 mortos; maioria eram migrantes

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-11

Embarcação superlotada que seguia do Djibuti para o Iêmen naufragou na costa do Chifre da África. Mais de 100 corpos foram recuperados até o momento, e dezenas seguem desaparecidos.

**Lead**

Um naufrágio ocorrido nas proximidades do porto de Obock, no Djibuti, deixou mais de cem mortos na manhã de ontem. A embarcação, que transportava cerca de 300 pessoas – a maioria migrantes etíopes e somalis –, virou ao tentar cruzar o Golfo de Adem em direção ao Iêmen. Equipes de resgate locais, apoiadas pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), já recuperaram 105 corpos, mas o número de desaparecidos ainda é incerto. O acidente é um dos mais letais registrados este ano na rota migratória do Chifre da África.

**Contexto**

O Djibuti, pequeno país no Chifre da África, tornou-se um ponto de passagem crítico para migrantes que tentam chegar aos países do Golfo Pérsico, especialmente Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, passando pelo Iêmen. A rota é conhecida por sua periculosidade: embarcações precárias, superlotação e a violência de traficantes de pessoas são constantes. Segundo dados da OIM, mais de 1.300 migrantes morreram ou desapareceram nesta rota nos últimos dois anos. O governo do Djibuti, com apoio de agências internacionais, tenta desmantelar redes de contrabando, mas a pobreza e os conflitos na região continuam a impulsionar o fluxo.

Os sobreviventes relataram que o barco partiu durante a madrugada, com o dobro da capacidade permitida. Após uma hora de viagem, a embarcação começou a fazer água e virou rapidamente. Muitos dos passageiros não sabiam nadar. A guarda costeira djibutiense foi acionada por pescadores locais, mas o difícil acesso à área de Obock, combinado com as fortes correntes, dificultou o resgate. Até o momento, apenas 32 pessoas foram resgatadas com vida, todas encaminhadas para hospitais em Obock e na capital, Djibuti.

**Análise**

Este naufrágio expõe a fragilidade das políticas migratórias na região. Enquanto a Europa recebe grande atenção midiática quando há tragédias no Mediterrâneo, o Chifre da África é palco de mortes em escala similar, porém com menos cobertura. A ausência de rotas legais e seguras para migrantes força as pessoas a se submeterem a traficantes que operam com impunidade. Autoridades djibutienses e da vizinha Somália reconhecem a dificuldade de patrulhar a costa extensa e de fiscalizar as embarcações clandestinas.

Para o Brasil, a notícia tem relevância indireta. O país mantém acordos de cooperação com a União Africana e participa de missões de paz no continente. Além disso, a tragédia pode reacender o debate sobre a necessidade de políticas internacionais mais coordenadas para o acolhimento de refugiados e migrantes. Entidades como a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a OIM já pediram investigação urgente e responsabilização dos contrabandistas.

**Fontes**

- Organização Internacional para as Migrações (OIM) – relatório preliminar do naufrágio em Obock. - Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) – comunicado sobre a situação migratória no Chifre da África. - Reuters e Associated Press – despachos com base em autoridades locais do Djibuti. - Governo do Djibuti – nota oficial sobre Operação de Busca e Salvamento.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.