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Política

Padilha afirma que não haverá 'cercadinho' para imprensa após vitória de Lula

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-26

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, declarou a jornalistas que não será instalado o tradicional cercadinho para entrevistas, sinalizando uma nova postura de transparência e diálogo direto com a imprensa no novo governo.

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O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira, em conversa com jornalistas na sede da campanha, que não haverá o tradicional “cercadinho” para o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração ocorreu logo após a confirmação da vitória de Lula nas urnas, no domingo, e reflete a intenção da futura administração de promover uma relação mais aberta e menos mediada com a imprensa. Padilha, que foi um dos coordenadores da transição, enfatizou que a medida busca evitar o isolamento do presidente e garantir que os comunicados e entrevistas sejam feitos de forma direta e sem barreiras físicas ou simbólicas.

**Contexto**

O termo “cercadinho” se popularizou na política brasileira durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, que utilizava uma estrutura metálica para separar o chefe do Executivo dos repórteres durante as entrevistas coletivas no Palácio do Planalto. A prática era criticada por associações de imprensa e por parte da oposição, que a consideravam uma forma de controle e distanciamento. A declaração de Padilha, portanto, carrega um forte simbolismo, indicando uma ruptura com o estilo comunicacional do governo anterior.

A eleição de Lula, que ocorreu no segundo turno com uma vitória apertada sobre Bolsonaro, já sinalizava uma mudança de tom na política nacional. A equipe de transição, liderada pelo vice-presidente eleito Geraldo Alckmin, começou a trabalhar imediatamente na montagem do novo governo. A fala de Padilha foi feita em um improviso com a imprensa, sem a presença de microfones oficiais ou estrutura de palco, reforçando a ideia de informalidade e acessibilidade.

O “cercadinho” também foi um elemento de tensão entre o governo Bolsonaro e os jornalistas, que frequentemente reclamavam da falta de espaço para perguntas e da seleção prévia de veículos. Padilha, ao anunciar o fim da prática, busca sinalizar que o novo governo pretende restaurar a confiança entre o Executivo e a mídia, deteriorada nos últimos anos. A medida também pode ser vista como uma tentativa de diferenciar a gestão petista da anterior, apostando em uma comunicação mais horizontal.

**Análise**

A decisão de eliminar o cercadinho tem implicações que vão além do simbolismo. Ela reflete uma estratégia de comunicação que prioriza o contato direto e não roteirizado, algo que Lula já praticava em seus mandatos anteriores, quando era comum vê-lo parar para falar com jornalistas sem protocolos rígidos. No entanto, a dinâmica atual do Palácio do Planalto e a segurança do presidente podem exigir adaptações. A promessa de Padilha pode encontrar desafios práticos, especialmente em momentos de crise ou em eventos com grande aglomeração.

Para a imprensa, a ausência do cercadinho pode representar maior liberdade de acesso e a possibilidade de perguntas mais espontâneas, mas também traz o risco de seletividade informal ou de confusões durante as coletivas. A declaração de Padilha é um termômetro de como o novo governo pretende lidar com a transparência e o controle da informação. Em um cenário político polarizado, a comunicação presidencial será um campo de batalha crucial, e a eliminação de uma barreira física é apenas o primeiro passo.

**Fontes**

As informações foram baseadas em declarações do ministro Alexandre Padilha a jornalistas presentes na sede da campanha de Lula, em São Paulo, no dia seguinte à vitória eleitoral, conforme registrado por veículos como G1, Folha de S.Paulo e UOL. A prática do cercadinho durante o governo Bolsonaro é documentada em reportagens da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e de diversos veículos de imprensa.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.