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Politica

Com 4 feminicídios por dia no país, mulheres sonham com mais segurança para o Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Dados recentes apontam que o Brasil registra cerca de quatro feminicídios por dia. Movimentos sociais e especialistas cobram políticas públicas mais eficazes para proteger as mulheres, enquanto a população feminina clama por mudanças urgentes.

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O Brasil enfrenta uma crise de violência de gênero que ceifa a vida de aproximadamente quatro mulheres por dia, vítimas de feminicídio. O cenário, revelado pelo mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública, reacende o debate sobre a eficácia das políticas públicas de proteção às mulheres e impulsiona uma onda de cobranças por medidas mais enérgicas. Em meio a esse contexto, mulheres de diversas regiões do país compartilham o sonho de viver em uma nação onde a segurança seja um direito efetivo e não apenas uma promessa.

**Contexto**

O feminicídio, crime qualificado pelo assassinato de mulheres em razão do gênero, foi tipificado no Brasil em 2015. Desde então, apesar de avanços legais como a Lei Maria da Penha e a criação de delegacias especializadas, os números permanecem alarmantes. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, registrou 1.437 feminicídios no ano de 2022, o que equivale a uma média de quase quatro casos por dia. Esse total representou um aumento em relação aos anos anteriores, evidenciando a persistência de uma cultura de violência contra a mulher.

Especialistas apontam que os feminicídios são frequentemente a etapa final de um ciclo de violência doméstica, que inclui agressões físicas, psicológicas e ameaças. Muitas mulheres, no entanto, encontram barreiras para denunciar, seja por medo do agressor, falta de confiança nas instituições ou ausência de redes de apoio. A subnotificação é um problema crônico, e os dados oficiais podem não refletir a gravidade real da situação.

No campo político, a temática ganhou destaque nos últimos anos, com a criação do Ministério das Mulheres em 2023, que passou a coordenar ações nacionais de enfrentamento à violência. Entre as iniciativas estão a ampliação da Casa da Mulher Brasileira, espaços que oferecem acolhimento, atendimento psicológico e orientação jurídica, e o fortalecimento do Ligue 180, central de atendimento à mulher em situação de violência. No entanto, a implementação dessas políticas enfrenta desafios como falta de orçamento, descontinuidade de programas e a necessidade de articulação entre as esferas federal, estadual e municipal.

**Análise**

A persistência dos feminicídios indica não apenas uma falha na aplicação das leis, mas também a necessidade de uma transformação cultural profunda. A violência de gênero está enraizada em estruturas sociais que historicamente desvalorizam a mulher, e seu enfrentamento exige ações coordenadas em educação, saúde, assistência social e segurança pública. A simples criação de leis, ainda que indispensável, não é suficiente para alterar comportamentos e prevenir a escalada da violência.

Nesse cenário, o papel do Estado se torna crucial. A implementação de políticas de prevenção, como campanhas de conscientização e programas de reabilitação para agressores, precisa ser acompanhada por um sistema de justiça ágil e eficaz, que garanta medidas protetivas e puna os responsáveis. Além disso, a capacitação de profissionais de segurança e do judiciário para atender com sensibilidade e eficiência os casos de violência doméstica é fundamental. A experiência de países que reduziram seus índices, como Portugal e Espanha, demonstra que a combinação de leis rigorosas, políticas públicas consistentes e engajamento da sociedade pode gerar resultados positivos.

O sonho das mulheres brasileiras por mais segurança é, na verdade, uma demanda coletiva por políticas públicas que as coloquem como prioridade. É uma chamada para que o Estado e a sociedade assumam a responsabilidade de proteger metade de sua população. Enquanto os números não caírem, cada caso representa uma falha sistêmica que precisa ser corrigida. O debate político, portanto, deve sair do plano das intenções e se materializar em ações concretas, com orçamento adequado, monitoramento contínuo e participação social. Somente assim o sonho de segurança poderá se transformar em realidade.

**Fontes**

- Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. - Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania – dados sobre o Ligue 180. - Relatórios da Comissão Interamericana de Direitos Humanos sobre violência de gênero no Brasil.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.