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Cultura

Mudança de tom: Lula adota selfie e linguagem informal nas redes após 1º turno

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-07

Presidente grava vídeo em formato selfie, sinalizando nova estratégia de comunicação que mescla política e cultura digital.

**Lead**

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva surpreendeu aliados e analistas ao publicar, na noite desta terça-feira, um vídeo gravado em formato selfie em suas redes sociais. A gravação, feita com o celular em punho e sem o tradicional cenário institucional, marca uma virada no tom da comunicação presidencial após o primeiro turno das eleições. A mudança não é apenas estética: reflete uma adaptação às linguagens da cultura digital contemporânea, onde a informalidade e a proximidade visual substituem o discurso formal e a distância hierárquica.

**Contexto**

Desde o início de seu terceiro mandato, Lula mantinha uma comunicação predominantemente institucional, com vídeos produzidos em estúdio, discursos em eventos oficiais e postagens com texto padronizado. A virada de chave ocorre em um momento de reconfiguração do debate público, no qual as redes sociais se consolidaram como principal arena de disputa de narrativas. O formato selfie, popularizado por influenciadores e celebridades, rompe com a tradição da comunicação política brasileira, historicamente marcada pelo uso de palanques, microfones e enquadramentos que reforçam a autoridade do orador.

A escolha do enquadramento — rosto próximo à câmera, fundo desfocado, iluminação natural — não é casual. Estudos de comunicação digital indicam que vídeos em selfie geram maior sensação de intimidade e autenticidade, especialmente entre públicos mais jovens. O gesto de segurar o próprio aparelho, sem intermediários, sugere que o presidente está falando diretamente ao cidadão, sem filtros institucionais. Essa técnica já foi utilizada por líderes mundiais, como o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama em alguns momentos de campanha, mas raramente de forma tão explícita por um chefe de Estado em exercício.

A gravação ocorre após o primeiro turno das eleições, período em que a polarização política costuma se intensificar. A mudança de tom pode ser interpretada como uma tentativa de ampliar o diálogo com eleitores que não se identificam com o discurso tradicional da esquerda, mas que são sensíveis a linguagens mais horizontais e menos hierarquizadas. O conteúdo do vídeo, embora não tenha sido divulgado na íntegra por fontes oficiais, teria abordado temas como união nacional e respeito às diferenças, em um tom conciliador.

**Análise**

A adoção do formato selfie por Lula insere-se em um fenômeno cultural mais amplo: a personalização da política. Nas últimas décadas, a figura do líder político deixou de ser apenas um representante institucional para se tornar uma persona midiática, com características de celebridade. O selfie, nesse contexto, funciona como um dispositivo de aproximação: ao mostrar o rosto sem maquiagem profissional, sem ângulos favorecidos, o político se apresenta como “gente como a gente”. Essa estratégia, no entanto, carrega riscos. A informalidade pode ser interpretada como falta de seriedade ou desrespeito ao cargo, especialmente por setores mais conservadores do eleitorado.

Do ponto de vista da cultura digital, a mudança de Lula reflete a assimilação de códigos que antes eram exclusivos de influenciadores e youtubers. A linguagem dos vídeos selfie — com cortes rápidos, olhar direto para a câmera, ausência de teleprompter — é a mesma utilizada por criadores de conteúdo que constroem comunidades online. Ao adotá-la, o presidente sinaliza que compreende as novas dinâmicas de atenção e engajamento, nas quais a autenticidade percebida vale mais do que a retórica formal. Esse movimento não é isolado: diversos políticos ao redor do mundo têm abandonado os tradicionais pronunciamentos em cadeia nacional em favor de lives e stories.

A decisão de gravar o vídeo após o primeiro turno também carrega um significado simbólico. O período pós-eleitoral é marcado por negociações, acordos e construção de pontes. A escolha de um formato intimista pode ser lida como um convite ao diálogo, em contraste com a agressividade que muitas vezes domina as redes durante a campanha. Ainda assim, é cedo para avaliar o impacto efetivo dessa estratégia. A cultura política brasileira tem uma longa tradição de formalidade e distanciamento entre governantes e governados, e a quebra desse padrão pode gerar tanto adesão quanto rejeição.

**Fontes**

Perfil oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Instagram e no Twitter (X). Análise de tendências de comunicação digital baseada em estudos acadêmicos sobre linguagem política em plataformas sociais. Observação de padrões de comportamento de líderes mundiais em redes sociais.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.