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Cultura

MPT pede R$ 50 milhões de indenização à Meta e exige remoção de conteúdos de assédio eleitoral

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-29

O Ministério Público do Trabalho ajuizou ação civil pública contra a Meta, dona do Facebook e Instagram, por permitir a veiculação de anúncios e posts que configuram assédio eleitoral contra trabalhadores brasileiros.

**Lead**

O Ministério Público do Trabalho (MPT) ingressou nesta semana com uma ação civil pública contra a Meta, conglomerado responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp, pedindo indenização de R$ 50 milhões por danos morais coletivos e a remoção imediata de conteúdos que caracterizam assédio eleitoral voltado a trabalhadores brasileiros. A ação, protocolada na Justiça do Trabalho de São Paulo, alega que a plataforma não tomou medidas eficazes para coibir anúncios e publicações que pressionam empregados a votar em determinados candidatos ou a apoiar pautas políticas sob ameaça de demissão ou retaliação.

**Contexto**

O assédio eleitoral no ambiente de trabalho é uma prática ilegal prevista no Código Eleitoral e na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Consiste em qualquer forma de coação, intimidação ou constrangimento exercido por empregadores ou superiores hierárquicos para influenciar o voto de funcionários. Nos últimos ciclos eleitorais, o MPT tem registrado aumento expressivo de denúncias, muitas delas envolvendo o uso de redes sociais como ferramenta de disseminação de mensagens coercitivas.

A Meta, por sua vez, possui políticas de comunidade que proíbem conteúdo que incite violência ou assédio, mas o MPT sustenta que a empresa falha na moderação de anúncios pagos e posts orgânicos que promovem o assédio eleitoral. A investigação que embasa a ação teve início após denúncias de sindicatos e trabalhadores que relataram ter recebido mensagens no WhatsApp e no Instagram com ameaças veladas, como “quem não votar no candidato X será demitido” ou “a empresa vai fechar se o outro lado vencer”.

O MPT também aponta que a Meta lucra com esses anúncios, uma vez que muitos são impulsionados financeiramente por empresas e candidatos. A ação pede não apenas a indenização de R$ 50 milhões, mas também a adoção de mecanismos mais rigorosos de verificação e remoção proativa de conteúdos desse tipo, sob pena de multa diária.

**Análise**

A ação do MPT contra a Meta representa um marco na regulação de plataformas digitais no Brasil, especialmente em um ano eleitoral. O valor de R$ 50 milhões, embora significativo, é simbólico diante do faturamento bilionário da empresa. O verdadeiro impacto pode estar na obrigação de a Meta implementar sistemas de moderação mais eficazes, o que afetaria não apenas o Brasil, mas potencialmente outros países onde a empresa opera.

Especialistas em direito digital apontam que o caso testa os limites da responsabilidade das plataformas por conteúdos de terceiros. Diferentemente do Marco Civil da Internet, que estabelece que provedores só são responsabilizados após ordem judicial, o MPT argumenta que, quando há anúncios pagos, a plataforma exerce controle editorial e, portanto, deve ser responsabilizada diretamente. Essa interpretação pode criar um precedente importante para futuras ações contra outras big techs.

Do ponto de vista cultural, o assédio eleitoral revela uma faceta preocupante da polarização política brasileira, onde o ambiente de trabalho se transforma em campo de batalha ideológica. A decisão judicial, se favorável ao MPT, poderá influenciar a forma como empresas e plataformas tratam o tema, promovendo uma cultura de respeito à liberdade de voto e ao direito do trabalhador de não ser coagido.

**Fontes**

A ação foi ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho, com base em investigações conduzidas pela Coordenadoria Nacional de Combate às Fraudes nas Relações de Trabalho. A Meta foi notificada e, até o fechamento desta edição, não se manifestou oficialmente sobre o teor da ação. O processo tramita na 1ª Vara do Trabalho de São Paulo, sob sigilo parcial. Informações adicionais foram obtidas junto ao site oficial do MPT e a reportagens de veículos como Folha de S.Paulo e UOL, que acompanham o caso.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.