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Politica

MP de Lula contra bets racha governo: Haddad resiste a intervenção estatista

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

O governo Lula tenta, por medida provisória, impor novas restrições ao mercado de apostas esportivas, mas enfrenta resistência da própria equipe econômica. Enquanto o Planalto defende medidas moralizantes, a Fazenda alerta para os riscos de quebra de contratos e fuga de investimentos.

Uma medida provisória (MP) elaborada pela Casa Civil para restringir o setor de apostas esportivas está causando um racha dentro do governo Lula. O texto, que deve ser assinado nos próximos dias, impõe limites à publicidade das chamadas "bets", proíbe patrocínios a clubes de futebol e cria um teto para prêmios pagos aos apostadores. A justificativa oficial é combater o endividamento das famílias e a lavagem de dinheiro, mas o Ministério da Fazenda vê a iniciativa com duras críticas.

Em declarações nos bastidores, o ministro Fernando Haddad expressou preocupação com a insegurança jurídica gerada pela MP. De acordo com fontes próximas ao ministro, a Fazenda considera que a medida fere contratos já firmados sob a lei de 2023, que regulamentou o setor. Além disso, Haddad teria dito a interlocutores que uma carga regulatória excessiva pode empurrar as apostas para o mercado ilegal, reduzindo a arrecadação tributária estimada em R$ 3 bilhões anuais.

O Planalto, por sua vez, pressiona por uma resposta rápida às críticas da opinião pública sobre o crescimento das bets. Em publicação nas redes sociais, o presidente Lula afirmou que "não podemos permitir que o jogo vire uma praga nacional", ecoando discursos de parlamentares da base aliada. A MP foi redigida pela Secretaria-Geral da Presidência e pelo Ministério da Justiça, sem consulta prévia ao Ministério da Fazenda – uma manobra que Haddad classificou como "atropelo técnico" em reunião interna.

Por que isso importa? O embate expõe a contradição do governo Lula: enquanto defende um Estado mínimo no discurso de responsabilidade fiscal, na prática amplia o intervencionismo moralista. O mercado de apostas, embora controverso, representa uma indústria bilionária que gerou milhares de empregos e receitas para clubes e emissoras de TV. Restringi-lo por decreto, sem debate legislativo, fere os princípios do livre mercado e da segurança jurídica – pilares que o próprio Haddad tenta resgatar com o arcabouço fiscal.

Análise FORTIS: A MP de Lula é mais um exemplo de como a esquerda brasileira trata o cidadão como incapaz de fazer escolhas próprias. Em vez de educar e responsabilizar, o governo prefere amarrar o setor com regras draconianas. O pior é a hipocrisia: o mesmo Estado que explora loterias oficiais – como a Mega-Sena, controlada pela Caixa – agora quer perseguir empresas privadas. Se a preocupação fosse real com o vício, por que não começar proibindo a própria loteria federal? A resposta é simples: porque a Caixa gera receita para o governo. Trata-se de concorrência desleal, disfarçada de proteção social.

Há, contudo, um contraponto que merece registro. Segundo o deputado federal Pedro Campos (PSB-PE), em entrevista à Rádio CBN, a MP é necessária porque "as bets estão virando uma máquina de moer pobreza". Ele citou dados do Banco Central que indicam que 5% dos brasileiros já comprometem mais de 30% da renda com apostas. O parlamentar defende que o governo tem o dever de intervir para evitar danos sociais. Ainda assim, a forma escolhida – uma medida provisória, com efeito imediato e sem discussão ampla – é a pior possível. Ela atropela o Congresso e ignora os contratos em andamento, gerando mais instabilidade.

O mercado já reagiu. Ações de empresas de apostas listadas na B3 caíram forte nas últimas sessões. Em nota oficial, a Associação Brasileira de Apostas Esportivas (ABAESP) classificou a MP como "inconstitucional" e prometeu acionar o Supremo Tribunal Federal. Enquanto isso, clubes de futebol, que dependem de patrocínios milionários das bets, já sinalizam com demissões e cortes de investimentos caso a proibição entre em vigor.

O desfecho desse racha dependerá da capacidade de articulação do Planalto. Haddad, que precisa aprovar o Orçamento de 2027, pode usar seu peso político para barrar a MP no Congresso. Mas Lula, em ano não eleitoral, quer mostrar serviço à base e não recuará facilmente. O liberalismo brasileiro, mais uma vez, assiste a um embate entre a razão econômica e a paixão intervencionista.

Para encerrar, veja as perguntas frequentes sobre o tema.

**1. A MP pode ser derrubada pelo Congresso?** Sim. Medidas provisórias precisam ser aprovadas em até 120 dias pela Câmara e pelo Senado. Se rejeitadas, perdem a validade desde a edição. Parlamentares da oposição, como o deputado Kim Kataguiri (União-SP), já anunciaram que irão obstruir a votação. Além disso, há forte lobby das empresas de apostas e dos clubes de futebol, que podem influenciar deputados do centrão. O Planalto, contudo, conta com o apoio de partidos de esquerda e de setores religiosos que veem as bets como um mal social.

**2. Qual o impacto real para o apostador se a MP for aprovada?** Se a MP entrar em vigor, as plataformas serão obrigadas a limitar os valores de depósito e a frequência de apostas. A publicidade será quase banida – sem comerciais na TV, sem patrocínio a times e sem influencers promovendo o jogo. Na prática, o apostador terá menos opções e será empurrado para sites ilegais hospedados no exterior, sem qualquer proteção. A arrecadação de impostos despencará, e o Estado perderá a capacidade de fiscalizar o setor. O resultado, como sempre, é o oposto do pretendido.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.