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MP da Espanha defende que investigação contra Julio Iglesias por agressão sexual seja enviada ao Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-15

Procuradoria espanhola entende que supostos casos ocorridos nos anos 1980 prescreveram na Espanha, mas sustenta que Justiça brasileira pode analisar o caso sob outra perspectiva legal.

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O Ministério Público da Espanha manifestou-se a favor de que a investigação sobre denúncias de agressão sexual atribuídas ao cantor Julio Iglesias seja remetida ao Brasil. A informação, divulgada pela imprensa internacional, indica que, para os promotores espanhóis, eventuais crimes teriam prescrito na legislação da Espanha, mas que o caso pode ter desdobramentos na Justiça brasileira. A decisão final, contudo, cabe a um juiz espanhol, que analisa o pedido da defesa e os argumentos do Ministério Público.

A controvérsia ganhou novos contornos em meio ao avanço de plataformas digitais e à circulação de conteúdos que revisam a trajetória de celebridades das décadas de 1980 e 1990. O caso de Julio Iglesias voltou a ganhar repercussão após a ex-modelo andorrana Mónica Fernández-Figares afirmar, em entrevista, que teria sido obrigada a manter relações sexuais com o cantor em 1989, quando tinha 16 anos. A denúncia foi apresentada inicialmente na Espanha, mas a defesa do artista alega que os fatos ocorreram no Brasil, o que, sob a legislação espanhola, poderia alterar a competência do julgamento.

**Contexto**

Mónica Fernández-Figares, que atualmente vive em Miami, decidiu levar o caso à Justiça após conversar com a advogada espanhola Elisa Mouliaá, especialista em casos de violência contra a mulher. Na denúncia, ela afirma que os encontros teriam ocorrido durante uma viagem a Salvador, na Bahia, em 1989. Julio Iglesias, por sua vez, nega as acusações e afirma que nunca teve qualquer comportamento inadequado com a denunciante. O cantor, de 79 anos, construiu uma das carreiras mais bem-sucedidas da música latina, com mais de 300 milhões de discos vendidos ao longo de cinco décadas.

A investigação na Espanha enfrenta um obstáculo central: o prazo legal para punir crimes sexuais cometidos contra menores naquele país. Segundo o Código Penal espanhol, a prescrição de delitos sexuais cometidos contra vítimas menores de idade passou a ser contada a partir do momento em que a vítima completa 18 anos, mas somente após a reforma de 2015. Para fatos anteriores a essa data, como é o caso, a interpretação jurídica é mais complexa e depende da legislação vigente à época. Por isso, o Ministério Público espanhol avalia que, embora os fatos sejam graves, a ação penal não poderia mais ser exercida na Espanha.

Foi nesse cenário que a defesa de Julio Iglesias pediu que o caso fosse arquivado. O Ministério Público, no entanto, apresentou parecer divergente em parte: reconhece a prescrição na Espanha, mas defende que a investigação seja enviada ao Brasil, pois, se os atos ocorreram em território brasileiro, a Justiça brasileira poderia analisar o caso à luz da legislação local. No Brasil, o crime de estupro de vulnerável, que abrange relações sexuais com menores de 14 anos, tem regras específicas de prescrição. Para vítimas entre 14 e 18 anos, o entendimento jurídico também mudou ao longo dos anos, e a competência territorial é um fator decisivo.

**Análise**

A manifestação do Ministério Público espanhol é significativa porque demonstra que as instituições estão dispostas a não simplesmente arquivar a denúncia sem uma análise mais aprofundada. Ao sugerir o envio ao Brasil, os promotores abrem espaço para que o caso seja examinado sob outra perspectiva legal, mesmo que a justiça espanhola considere prescrita a ação penal naquele país. Isso não significa que Julio Iglesias será julgado ou condenado, mas que a denúncia ganhou uma sobrevida jurídica relevante.

O caso também ilustra como denúncias de abuso sexual envolvendo celebridades internacionais desafiam os sistemas de Justiça, sobretudo quando há divergências territoriais e temporais. A possibilidade de o caso tramitar no Brasil levanta questões sobre a capacidade do país em investigar fatos ocorridos há mais de três décadas, com coleta de provas complexa e dependente de testemunhos e documentos antigos. Especialistas ouvidos pela imprensa internacional ressaltam que, independentemente do desfecho, o caso contribui para o debate sobre prescrição de crimes sexuais e sobre como diferentes legislações tratam a responsabilização de figuras públicas.

**Fontes**

As informações sobre a manifestação do Ministério Público da Espanha foram divulgadas inicialmente pelo jornal espanhol El País e repercutidas por veículos como Reuters e BBC Brasil. As declarações da denunciante Mónica Fernández-Figares foram publicadas em entrevista ao programa de televisão espanhol 'Código 10', exibido em janeiro de 2024, e posteriormente citadas em reportagens sobre o caso. A defesa de Julio Iglesias não se manifestou publicamente sobre o parecer do Ministério Público até o fechamento desta matéria.

Este é um caso em desenvolvimento, e novas informações serão incorporadas assim que houver posicionamento oficial da Justiça espanhola sobre o envio da investigação ao Brasil.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.