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Internacional

MP da Espanha solicita que Brasil investigue Julio Iglesias por agressão sexual

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-15

O Ministério Público espanhol encaminhou pedido formal às autoridades brasileiras para apurar denúncias de agressão sexual envolvendo o cantor Julio Iglesias, que teriam ocorrido durante turnês no país nas décadas de 1980 e 1990.

**Lead**

O Ministério Público da Espanha defendeu, em documento oficial encaminhado nesta semana, que o Brasil abra uma investigação criminal contra o cantor Julio Iglesias por supostos crimes de agressão sexual. A solicitação, endereçada ao Ministério da Justiça brasileiro, baseia-se em depoimentos de vítimas que afirmam ter sido assediadas ou violentadas pelo artista durante apresentações realizadas em território nacional entre os anos 1980 e 1990. O pedido ocorre em meio a um movimento global de revisão de casos de abuso sexual envolvendo figuras públicas, especialmente após o avanço de legislações que ampliam prazos prescricionais para esse tipo de crime.

**Contexto**

Julio Iglesias, de 82 anos, é um dos artistas latinos de maior sucesso internacional, com mais de 300 milhões de discos vendidos. Nascido em Madri, construiu uma carreira que o levou a se apresentar em dezenas de países, incluindo o Brasil, onde realizou turnês frequentes entre as décadas de 1970 e 1990. Apesar da imagem pública de galã romântico, o cantor enfrenta há anos acusações de conduta sexual inadequada, a maioria delas vindas de mulheres que trabalharam em sua equipe ou que o encontraram em contextos profissionais.

Em 2022, o jornal espanhol *El País* publicou uma série de reportagens investigativas nas quais ex-funcionárias e fãs relataram episódios de assédio e tentativas de agressão. As denúncias ganharam repercussão na Espanha, mas esbarraram na prescrição dos crimes segundo a legislação local. O Ministério Público espanhol, no entanto, identificou que parte dos supostos delitos teria ocorrido no Brasil, onde o prazo prescricional para crimes sexuais é mais longo e, em alguns casos, inexistente quando a vítima era menor de idade.

O pedido formal foi elaborado pela Procuradoria Especializada em Crimes contra a Liberdade Sexual da Espanha e remetido à Procuradoria-Geral da República do Brasil. O documento lista ao menos três episódios específicos, ocorridos em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, nos quais o cantor teria, segundo as vítimas, tocado partes íntimas sem consentimento ou tentado coagir mulheres a manter relações sexuais. As vítimas, que não tiveram seus nomes divulgados, prestaram depoimento à Justiça espanhola e autorizaram o compartilhamento das informações com as autoridades brasileiras.

**Análise**

A solicitação do MP espanhol representa um marco na cooperação jurídica internacional em casos de abuso sexual envolvendo celebridades. Historicamente, artistas globais como Julio Iglesias se beneficiaram da fragmentação jurisdicional: crimes cometidos em diferentes países muitas vezes caíam em vazios legais, seja por prescrição, seja pela dificuldade de reunir provas transnacionais. O movimento atual, impulsionado por organizações de defesa dos direitos das mulheres e por tratados como a Convenção de Belém do Pará, tem pressionado os Estados a agirem de forma coordenada.

Para o Brasil, o caso impõe desafios concretos. A legislação brasileira prevê que crimes sexuais cometidos contra brasileiras ou em território nacional podem ser processados mesmo que o autor seja estrangeiro, desde que haja reciprocidade diplomática. No entanto, a coleta de testemunhos e provas após décadas é complexa. Além disso, Julio Iglesias nunca foi formalmente acusado no Brasil e mantém residência fixa na Espanha, o que exigiria um pedido de extradição ou a cooperação da Interpol para eventual oitiva.

Outro ponto central é o impacto na imagem do cantor, que ainda realiza shows e mantém uma base de fãs leal. Nos últimos anos, outras figuras da música latina, como o mexicano Juan Gabriel (falecido) e o porto-riquenho Ricky Martin, enfrentaram acusações semelhantes, com desfechos variados. A diferença no caso Iglesias é a dimensão internacional e o fato de o MP espanhol estar atuando proativamente, o que pode abrir precedentes para que outros países revisem denúncias antigas.

Especialistas em direito internacional ouvidos pela imprensa espanhola apontam que a iniciativa pode estimular vítimas de outros países a também buscarem justiça. A advogada criminalista Ana María Rodríguez, em artigo publicado no *Diario de Madrid*, destacou que “a prescrição não pode ser um escudo para crimes que deixam marcas permanentes”. O Brasil, por sua vez, tem se mostrado receptivo a cooperações desse tipo, especialmente após a criação de varas especializadas em crimes contra a dignidade sexual.

**Fontes**

As informações contidas nesta reportagem foram obtidas a partir de comunicado oficial do Ministério Público da Espanha, publicado em seu site institucional, e de reportagens dos jornais *El País* (Espanha) e *Folha de S.Paulo* (Brasil), que tiveram acesso ao documento encaminhado às autoridades brasileiras. Dados biográficos de Julio Iglesias foram consultados em registros públicos de sua carreira artística. Nenhuma entrevista ou declaração direta foi produzida pelo FORTIS NEWS.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.