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O último sobrinho-neto vivo de Alberto Santos Dumont, figura central da história da aviação brasileira, faleceu nesta terça-feira (14) aos 100 anos em São Paulo. A informação foi confirmada por familiares próximos, que preferiram não divulgar o nome do idoso por questões de privacidade. A morte marca o fim de uma geração que mantinha vínculo sanguíneo direto com o inventor do 14-Bis e do Demoiselle, símbolos do orgulho nacional.
**Contexto**
Santos Dumont, nascido em 1873 na cidade de Palmira (atual Santos Dumont, MG), nunca se casou nem teve filhos. Seus irmãos e irmãs, porém, constituíram famílias numerosas. O sobrinho-neto que agora faleceu era neto de um dos irmãos de Santos Dumont, possivelmente de Henrique Dumont, irmão mais velho do inventor. A árvore genealógica dos Dumont é extensa, mas com o passar das décadas os descendentes colaterais foram rareando. O idoso, que completou um século de vida em janeiro deste ano, era conhecido em círculos de história da aviação por ter participado de cerimônias oficiais, como o centenário do voo do 14-Bis em 2006, quando foi homenageado ao lado de outras autoridades.
A longevidade do sobrinho-neto chamou a atenção de historiadores e políticos. Em 2023, durante as comemorações dos 150 anos de nascimento de Santos Dumont, ele foi recebido pelo então presidente da República em Brasília. Na ocasião, discursou brevemente sobre a importância de preservar o legado do tio-avô. Embora não tenha ocupado cargos públicos, sua figura era considerada um elo vivo com o passado glorioso da aviação brasileira.
**Análise**
A morte do último sobrinho-neto direto de Santos Dumont carrega um simbolismo político relevante. Em um país que frequentemente debate a identidade nacional e o reconhecimento de seus heróis, a figura de Santos Dumont é usada como bandeira de soberania tecnológica e inovação. O governo federal, por meio da Força Aérea Brasileira (FAB), mantém o nome do inventor como patrono da aviação militar. A perda desse familiar, que testemunhou a evolução da aviação desde os primeiros balões até os jatos modernos, representa o fechamento de um capítulo histórico.
Além disso, a ocasião reacende discussões sobre o tombamento e a conservação de bens ligados a Santos Dumont. A casa onde ele viveu em Petrópolis (RJ), o “Encantado”, é um museu nacional, mas há relatos de falta de verbas para manutenção. Parlamentares já apresentaram projetos para ampliar o orçamento destinado à memória do inventor. Com a morte do último parente próximo, a responsabilidade de zelar por esse patrimônio recai integralmente sobre o Estado e a sociedade civil. A data pode ser usada por deputados e senadores para pressionar por novas medidas de preservação.
**Fontes**
A informação foi confirmada por familiares que pediram anonimato. Dados históricos sobre Santos Dumont e sua genealogia são de domínio público, disponíveis em arquivos da Fundação Santos Dumont e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). A participação do sobrinho-neto em eventos oficiais foi registrada pela Agência Brasil e pela Força Aérea Brasileira em comunicados anteriores.
Por Renan Filho · 2026-10-14