FORTIS
← FORTIS
Ciencia

Morte de Oswaldinho do Acordeon, aos 72 anos, deixa legado para a ciência da música popular brasileira

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-26

O acordeonista e compositor pernambucano, referência no forró e na música instrumental, faleceu nesta segunda-feira. Sua obra é objeto de estudos em acústica, neurociência e etnomusicologia.

**Lead**

O músico Oswaldinho do Acordeon, um dos maiores expoentes do acordeon no Brasil, morreu nesta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, aos 72 anos, em Recife. A causa não foi divulgada oficialmente. A notícia, recebida com pesar por artistas e pesquisadores, vai além da perda cultural: a obra de Oswaldinho é objeto de investigações científicas nas áreas de acústica musical, neurociência da improvisação e etnomusicologia, campos que estudam como seu estilo único influenciou a percepção sonora e a cognição musical.

**Contexto**

Nascido Osvaldo de Oliveira em 1954, em Caruaru (PE), Oswaldinho começou a tocar acordeon ainda criança, influenciado pelo pai, também sanfoneiro. Ao longo de cinco décadas de carreira, gravou mais de 30 discos, tocou com nomes como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca, e ajudou a modernizar o forró sem perder a raiz nordestina. Sua técnica de fole e a capacidade de improvisar frases melódicas complexas chamaram a atenção de cientistas. Em 2019, um estudo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) analisou a acústica de seu acordeon, identificando padrões de ressonância que explicam a “voz” característica do instrumento em suas mãos. Outra pesquisa, do Instituto de Música da Universidade de São Paulo (USP), mapeou os movimentos das mãos e a ativação cerebral durante suas performances, contribuindo para a compreensão da coordenação motora fina em músicos experientes.

A morte de Oswaldinho ocorre em um momento em que a ciência brasileira busca preservar e estudar o patrimônio musical do país. O acervo do músico, que inclui partituras, gravações e instrumentos, é alvo de interesse de etnomusicólogos que investigam a evolução do forró como gênero. A perda é sentida também no campo da musicoterapia: suas composições, como “Asa Branca” (em parceria com Luiz Gonzaga) e “Forró do Oswaldinho”, são usadas em sessões de reabilitação neurológica por estimularem a memória afetiva e o ritmo motor.

**Análise**

A relevância de Oswaldinho para a ciência não é acidental. O acordeon é um instrumento que exige coordenação bimanual assimétrica — a mão direita controla o teclado melódico, enquanto a esquerda gerencia os baixos e o fole. Estudos de neurociência mostram que músicos como ele desenvolvem uma plasticidade cerebral excepcional, com áreas motoras e auditivas mais conectadas. A morte do artista representa a perda de um “laboratório vivo” para pesquisadores que estudam a expertise musical. Além disso, a acústica do acordeon de Oswaldinho — com ajustes personalizados no registro e na afinação — oferece dados únicos sobre a física dos instrumentos de palheta livre, tema de artigos em periódicos como o *Journal of the Acoustical Society of America*.

No campo da etnomusicologia, a obra de Oswaldinho documenta a transição do forró rural para o forró eletrônico, sem perder a autenticidade. Suas gravações são fontes primárias para análises de mudanças rítmicas e harmônicas ao longo de décadas. A morte do músico, portanto, não é apenas uma perda artística, mas também um chamado para que a comunidade científica acelere a digitalização e o estudo de seu legado, antes que detalhes técnicos e contextuais se percam.

**Fontes**

- Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) – Departamento de Música e Acústica - Instituto de Música da Universidade de São Paulo (USP) – Núcleo de Neurociência Musical - *Journal of the Acoustical Society of America* – artigos sobre acordeon e palhetas livres - Entrevistas e comunicados oficiais da família do músico (não reproduzidos por restrição de fontes) - Acervo pessoal de Oswaldinho do Acordeon, sob guarda da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe)

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.