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Politica

Morre Márcio Chaer, diretor da revista Consultor Jurídico, referência no jornalismo jurídico-político

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-03

Márcio Chaer, fundador e diretor da revista Consultor Jurídico (ConJur), faleceu nesta terça-feira (3) em São Paulo. Ele era uma das vozes mais influentes na cobertura do Judiciário e da política brasileira.

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Morreu nesta terça-feira (3 de outubro de 2026), em São Paulo, o jornalista Márcio Chaer, diretor da revista Consultor Jurídico (ConJur), um dos mais respeitados veículos de informação jurídica do Brasil. Aos 62 anos, Chaer estava internado havia duas semanas para tratar de complicações decorrentes de um câncer, segundo nota divulgada pela própria ConJur. A causa da morte não foi detalhada pela família, que pediu privacidade neste momento.

**Contexto**

Márcio Chaer fundou a Consultor Jurídico em 1999, inicialmente como um boletim eletrônico voltado a advogados e operadores do Direito. Sob sua liderança, o veículo se transformou em uma plataforma diária de notícias, análises e opiniões sobre o Judiciário, o Legislativo e o Executivo, com forte ênfase em temas como jurisprudência, reformas legais, nomeações para tribunais e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). A ConJur tornou-se leitura obrigatória para magistrados, procuradores, defensores públicos e políticos, além de ser amplamente citada por grandes jornais e revistas.

Chaer era formado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP) e começou a carreira na imprensa tradicional, passando por redações como as do jornal O Estado de S. Paulo e da revista Veja. No entanto, foi na cobertura jurídica que encontrou seu nicho. Ele foi um dos primeiros jornalistas a dedicar atenção sistemática ao funcionamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e às decisões do STF, acompanhando de perto julgamentos de grande repercussão política, como o mensalão, a Lava Jato e as ações sobre liberdade de expressão e direitos fundamentais.

A ConJur também se destacou por publicar artigos de ministros do STF, juristas renomados e advogados de diferentes correntes ideológicas, mantendo uma linha editorial plural e independente. Chaer, pessoalmente, escrevia editoriais e análises que frequentemente provocavam debates acalorados nos bastidores do poder. Sua morte representa uma perda significativa para o jornalismo especializado e para o debate público sobre o papel do Judiciário na democracia brasileira.

**Análise**

A morte de Márcio Chaer ocorre em um momento de intensa polarização política e de questionamentos sobre a atuação do STF e do CNJ. Nos últimos anos, a ConJur foi palco de discussões sobre temas como a suspeição de juízes, os limites das investigações da Lava Jato, a prisão em segunda instância e a judicialização da política. Chaer sempre defendeu a transparência e o contraditório, mas também não hesitou em criticar decisões que considerava excessivas ou contrárias ao devido processo legal.

Sua ausência deixará um vácuo na cobertura jurídica nacional. A ConJur, que ele dirigia com mão firme, terá agora que encontrar novos rumos editoriais. A revista já anunciou que a equipe atual manterá a publicação, mas a perda do fundador e principal articulador pode alterar o tom e a profundidade das análises. Para o meio político, Chaer era uma referência confiável: ministros do STF, senadores e deputados frequentemente o procuravam para offs e para calibrar o discurso público. Sua morte também pode enfraquecer um dos poucos canais de diálogo entre o Judiciário e a imprensa em um período de crescente tensão entre os Poderes.

Além disso, o falecimento de Chaer reacende o debate sobre a longevidade dos veículos independentes de jornalismo jurídico no Brasil. A ConJur sobreviveu por mais de 25 anos sem grandes grupos de mídia por trás, sustentando-se por assinaturas e publicidade segmentada. A continuidade desse modelo depende agora da capacidade da nova direção de manter a credibilidade e a influência construídas por seu criador.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de nota oficial publicada no site da Consultor Jurídico (ConJur), de comunicado da família divulgado pela assessoria de imprensa do veículo, e de reportagens de veículos como UOL, G1 e Folha de S.Paulo, que repercutiram a morte de Márcio Chaer. Dados biográficos foram extraídos de perfis anteriores publicados pela própria ConJur e de entrevistas concedidas por Chaer ao longo de sua carreira.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.