**Lead**
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de se comunicar com Willer Tomaz, ex-assessor parlamentar e figura central no inquérito que apura o esquema de rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A decisão, tomada no âmbito do processo que tramita em segredo de Justiça, foi divulgada nesta semana e impõe restrições adicionais ao parlamentar, que já responde por suspeitas de desvio de salários de funcionários de seu gabinete quando era deputado estadual.
De acordo com informações oficiais extraídas dos autos, a medida visa garantir a eficácia das investigações e evitar que o senador possa, de alguma forma, pressionar ou influenciar o depoimento de Willer Tomaz, que prestou declarações à Polícia Federal e ao Ministério Público. O ex-assessor é apontado como um dos elos do suposto esquema e, segundo as autoridades, pode ter informações relevantes sobre o destino dos valores desviados. A comunicação entre ambos poderia configurar obstrução à Justiça, fundamentou Moraes em sua decisão.
**Contexto**
Flávio Bolsonaro tornou-se alvo de investigações após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) detectar movimentações atípicas na conta de seu ex-motorista e assessor Fabrício Queiroz, que chegou a ser preso em 2020. O caso ganhou contornos nacionais quando vieram à tona depósitos fracionados de funcionários do gabinete de Flávio, prática conhecida como rachadinha. Willer Tomaz, que trabalhou como assessor entre 2007 e 2008, foi convocado a depor e, segundo reportagens da imprensa, teria confirmado a devolução de parte de seu salário ao então deputado.
A defesa de Flávio Bolsonaro sempre negou irregularidades e classificou as acusações como perseguição política. O senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, usou as redes sociais para criticar o ministro Moraes, a quem acusa de ativismo judicial. Entretanto, a decisão de proibir a comunicação com Willer Tomaz amplia as restrições já impostas ao parlamentar, que anteriormente teve seu sigilo bancário quebrado e foi obrigado a comparecer periodicamente à Justiça.
A escolha de Willer Tomaz como testemunha não é aleatória. Ele foi um dos primeiros a relatar o funcionamento do suposto esquema dentro do gabinete de Flávio na Alerj. Em seu depoimento, Tomaz afirmou que entregava parte de seu salário em espécie a um intermediário, o que contraria a versão oficial de que não havia irregularidades. A partir dessas declarações, a Procuradoria-Geral da República reforçou a tese de que Flávio teria se beneficiado do desvio de salários de seus próprios funcionários.
**Análise**
A proibição de comunicação imposta por Moraes representa mais um capítulo no tensionamento entre o STF e a família Bolsonaro. Do ponto de vista jurídico, a medida cautelar é comum em casos em que há risco de interferência em provas ou testemunhas. O ministro, relator de várias investigações que envolvem o clã Bolsonaro, tem adotado postura firme, o que gera reações do meio político conservador, que vê na atuação de Moraes uma suposta parcialidade.
O impacto político imediato é a reafirmação do isolamento de Flávio no Senado, onde ele já enfrenta resistência de parte dos colegas. A decisão também pode acelerar o andamento do inquérito, já que a defesa do senador perdeu a oportunidade de alinhar versões com a testemunha. Caso se comprove que houve tentativa de contato, Flávio poderá responder por obstrução à Justiça, crime com pena de até quatro anos de reclusão.
Em um cenário mais amplo, a medida reforça a tese de que o Judiciário continuará a investigar os atos da gestão Bolsonaro, mesmo após o fim do mandato presidencial. Para o cidadão comum, o caso simboliza a luta contra a corrupção em esferas antes intocáveis. A sociedade aguarda agora os próximos passos da investigação, que pode resultar em novas denúncias formais contra Flávio Bolsonaro.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de documentos oficiais do Supremo Tribunal Federal (STF) e do inquérito em andamento, além de reportagens veiculadas por veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e UOL, que acompanham o caso desde o início das investigações.
Por Renan Filho · 2026-10-26