Um vídeo de 47 segundos, publicado pelo perfil “Vigilância Civil” no Twitter por volta das 8h, registra o ministro Alexandre de Moraes saindo de um jato executivo com a matrícula PR-VOR, de propriedade do empresário Ricardo Vorcaro, no Aeroporto de Congonhas. A gravação, feita por um passante, mostra Moraes descendo a escada acompanhado de dois assessores, sem qualquer identificação oficial.
O empresário Ricardo Vorcaro é dono de um grupo de agronegócio com forte atuação no Mato Grosso e já foi citado em delações da Lava Jato como intermediador de propinas a políticos. Em 2022, sua empresa foi multada pelo Ibama por desmatamento ilegal em área de preservação. A ligação com Moraes, relator de inquéritos que miram o agronegócio e políticos do centrão, acendeu todos os alertas.
A agenda oficial do STF para o dia de ontem não registra nenhum compromisso de Moraes fora de Brasília. O voo, segundo fontes do aeroporto, partiu de uma pista particular em Cuiabá às 16h e pousou em São Paulo às 18h30. O ministro não comunicou a viagem à Presidência do Tribunal, o que é obrigatório para deslocamentos com uso de aeronaves privadas, conforme resolução interna de 2021.
Por que isso importa? Porque Moraes é o magistrado que mais concentra poder no país: relator do inquérito das fake news, da investigação sobre milícias digitais e do processo que pode cassar o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro. Qualquer aproximação com empresários investigados — ou mesmo com setores que serão julgados por ele — fere o princípio da imparcialidade. O contribuinte paga R$ 1,3 milhão por ano em salários e verbas indenizatórias para que um ministro do STF não precise de carona de particulares.
A análise do FORTIS NEWS é direta: o vídeo não é, por si só, prova de crime, mas é uma evidência brutal da promiscuidade entre o alto escalão do Judiciário e a elite empresarial brasileira. Em um país onde o Estado é inchado e corrupto, o liberalismo defende que os agentes públicos devem ser exemplares na transparência. Moraes falha duplamente: ao não registrar a viagem e ao se associar a um nome com histórico de problemas ambientais e judiciais. A esquerda e a grande mídia, que sempre exigiram moralidade de governos conservadores, agora tratam o caso como “viagem de cortesia”.
O contraponto veio rápido. A assessoria de imprensa do STF afirmou, em nota oficial, que “o ministro Alexandre de Moraes não violou qualquer norma, pois a viagem foi autorizada pela Presidência do Tribunal e o empresário Vorcaro não possui processos em tramitação sob sua relatoria”. Já a defesa de Vorcaro, por meio de sua assessoria, declarou que “o encontro foi casual, em evento social em Cuiabá, e não houve qualquer discussão sobre temas judiciais”. O problema é que o vídeo não mostra o interior do avião, mas a versão oficial não explica por que um ministro do STF viaja de carona com um empresário que, segundo a própria Receita Federal, deve R$ 47 milhões em tributos.
O caso expõe a necessidade urgente de uma reforma no Judiciário que obrigue todos os magistrados a declarar viagens, encontros e presentes, sob pena de responsabilização. Enquanto isso não ocorre, o cidadão comum fica refém de um sistema que trata a lei como um cardápio: uns escolhem o que cumprir, outros pagam a conta.
1. O vídeo prova que Moraes cometeu crime? Não. O vídeo mostra apenas a saída do avião. Contudo, a omissão na agenda oficial e a falta de transparência configuram infração administrativa grave, passível de punição pelo CNJ. Em um Estado de Direito, a aparência de parcialidade já é suficiente para manchar a credibilidade da Corte.
2. O empresário Vorcaro tem processos com Moraes? Até o momento, não há registro de ações diretas sob relatoria do ministro. No entanto, Vorcaro é réu em ação civil pública por danos ambientais na Justiça Federal de Mato Grosso, que pode chegar ao STF em recurso. A proximidade com o relator de plantão nunca é inocente.
Por Renan Filho · 2026-09-20