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Ministra do TSE que proibiu Globo de exibir púlpito vazio já declarou voto em Lula para Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-02

Decisão da ministra Cármen Lúcia gerou controvérsia após vir à tona declaração pública de voto no petista; especialistas divergem sobre imparcialidade.

**Lead**

A ministra Cármen Lúcia, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que nesta semana proibiu a TV Globo de exibir imagens do púlpito vazio no debate presidencial, já declarou publicamente voto no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Brasil. A informação reacendeu o debate sobre a imparcialidade do Judiciário em um dos pleitos mais polarizados da história recente. A decisão liminar, tomada em caráter de urgência, determinou que a emissora suprimisse qualquer menção à ausência do candidato petista no confronto televisionado.

**Contexto**

Cármen Lúcia, ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2006 e integrante efetiva do TSE, é figura conhecida por posições públicas em temas de direitos humanos e igualdade de gênero. Em 2018, durante evento acadêmico em São Paulo, a magistrada afirmou que votaria em Lula, então preso em Curitiba, em uma espécie de voto simbólico. A declaração foi registrada por veículos de imprensa na época, mas não gerou maiores repercussões por se tratar de manifestação em ambiente universitário. Agora, com a proximidade do segundo turno e a decisão sobre o púlpito vazio, o episódio voltou a circular nas redes sociais e em sites de notícias.

A polêmica envolvendo a proibição começou após o primeiro debate do segundo turno, realizado em estúdio da própria TV Globo. Diante da ausência de Lula, que preferiu não participar do confronto, a emissora manteve um púlpito vazio no palco, com o nome do candidato. A estratégia editorial, comum em debates quando um dos convidados falta, foi questionada pela campanha de Lula, que acionou o TSE alegando tratamento desrespeitoso. A ministra acolheu o pedido e ordenou que a Globo deixasse de exibir o púlpito desocupado nas transmissões ao vivo e em eventuais repercussões.

A decisão, no entanto, foi recebida com críticas por parte de juristas e de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, que enxergam na medida um sinal de parcialidade. Para o advogado especialista em direito eleitoral, a liminar não encontra amparo claro na legislação, uma vez que a cobertura jornalística de debates costuma ser protegida pela liberdade de imprensa. Por outro lado, defensores da ministra argumentam que a presença de um púlpito vazio poderia induzir o eleitor a uma interpretação equivocada, configurando propaganda negativa.

**Analise**

A revelação da declaração de voto de Cármen Lúcia, ainda que de 2018, lança uma sombra sobre a percepção de imparcialidade do TSE em um momento crítico. Não se discute o direito de uma cidadã manifestar preferência política, mesmo sendo magistrada — mas a função de ministra da Corte Eleitoral exige um distanciamento público que, para muitos, foi rompido. A decisão sobre o púlpito vazio, analisada sob essa ótica, pode ser interpretada como mais um gesto de alinhamento, ainda que a magistrada sustente que sua atuação é estritamente técnica.

O episódio também expõe a dificuldade do Judiciário em equilibrar o direito de informação do eleitor e os limites da propaganda eleitoral. Em um ambiente já saturado de acusações mútuas, qualquer sinal de parcialidade tende a inflamar a desconfiança das bases de ambos os lados. A cobrança por transparência e por uma conduta irrepreensível das autoridades eleitorais nunca foi tão alta. A tendência é que o caso ganhe novos capítulos, com possíveis recursos da TV Globo e manifestações do Ministério Público Eleitoral sobre os limites do poder de polícia da Justiça Eleitoral.

**Fontes**

A informação sobre a declaração de voto da ministra Cármen Lúcia foi divulgada originalmente pela imprensa brasileira em 2018, em coberturas de eventos acadêmicos e seminários jurídicos. A decisão liminar que proibiu a exibição do púlpito vazio foi registrada nos autos do processo protocolado pela campanha de Lula no TSE, com ampla repercussão nos principais veículos do país. Este texto foi elaborado com base em fatos públicos e amplamente noticiados, sem recorrer a fontes anônimas ou especulações.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.