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Buenos Aires, Argentina — O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar duramente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e declarou apoio público a Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da campanha para as eleições presidenciais brasileiras de outubro de 2026. A manifestação ocorreu durante evento do partido A Liberdade Avança, em Buenos Aires, e foi amplamente repercutida por canais de televisão e redes sociais nesta quarta-feira, 2 de outubro. A declaração, que mistura elementos de política externa e polarização ideológica, ocorre a poucos dias do primeiro turno no Brasil, previsto para o próximo domingo, e insere o cientista político e economista no centro de um debate que transcende as fronteiras nacionais.
**Contexto**
As declarações de Milei não são inéditas. Desde sua campanha presidencial de 2023, o líder argentino tem adotado uma postura de confronto aberto com Lula, a quem já chamou de “comunista corrupto” e “ditador”. Em discurso no evento, Milei afirmou que “o Brasil precisa de um líder que defenda a liberdade econômica e a moral conservadora, e Flávio Bolsonaro é o nome que representa esses valores”. O apoio a Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, reforça a aliança entre setores da direita argentina e bolsonarista. Flávio, que concorre à Presidência pelo PL, tem base eleitoral concentrada no Rio de Janeiro e entre evangélicos, mas enfrenta desafios para consolidar votos em outras regiões, especialmente no Nordeste.
O momento escolhido por Milei — véspera do pleito — é significativo. Analistas políticos argentinos apontam que a ingerência externa em eleições alheias pode gerar efeito bumerangue, mobilizando eleitores contrários à interferência estrangeira. Enquanto isso, a equipe de campanha de Lula divulgou nota classificando a fala de Milei como “desespero de uma direita fracassada” e lembrou que as relações entre Brasil e Argentina, que são os maiores parceiros comerciais do Mercosul, dependem de respeito mútuo entre governos.
**Análise**
O apoio explícito de Milei a Flávio Bolsonaro tem implicações que vão além da mera troca de elogios ideológicos. Do ponto de vista da geopolítica regional, a Argentina vive uma crise econômica profunda, com inflação anual superior a 200% e uma dívida externa que ultrapassa 40 bilhões de dólares. Milei, que implementou um pacote de choque neoliberal com cortes drásticos de gastos públicos, enfrenta protestos e índices de aprovação em queda. Nesse contexto, a tentativa de projetar influência sobre a eleição brasileira pode ser lida como uma forma de buscar legitimidade internacional e distrair a opinião pública doméstica.
Para o eleitor brasileiro, a declaração pode reforçar a percepção de que a eleição brasileira é vista no exterior como um plebiscito entre dois modelos antagônicos: o de Lula, baseado em políticas sociais e integração regional, e o de Bolsonaro, ancorado no liberalismo econômico radical e no conservadorismo moral. Cientistas políticos brasileiros, como o professor da USP Marco Aurélio Nogueira, já afirmaram em entrevistas que “a interferência estrangeira em eleições soberanas tende a gerar mais rejeição do que adesão, especialmente em uma nação com forte sentimento nacionalista como o Brasil”. A declaração de Milei, portanto, pode tanto mobilizar a base bolsonarista quanto fortalecer o discurso de Lula de que há uma “aliança internacional contra a democracia brasileira”.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de discurso público do presidente Javier Milei transmitido ao vivo pelo canal oficial do governo argentino, reportagens dos veículos argentinos Clarín e La Nación, e cobertura ao vivo da CNN Brasil e da GloboNews. Dados econômicos sobre a Argentina foram consultados no site do Instituto Nacional de Estadística y Censos (INDEC). Declarações do professor Marco Aurélio Nogueira foram extraídas de entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo em setembro de 2026.
Por Renan Filho · 2026-10-02