**Lead**
O presidente da Argentina, Javier Milei, chamou o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, de ‘ladrão e mentiroso’ nesta quinta-feira, 24 de outubro de 2026, em resposta a críticas feitas por Lula à gestão econômica argentina. A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva em Buenos Aires, elevando o tom da já tensa relação entre os dois líderes sul-americanos.
**Contexto**
A troca de farpas começou quando Lula, em entrevista a um veículo brasileiro, afirmou que a Argentina ‘precisa de um governo sério’ e que a política econômica de Milei ‘está levando o país ao caos’. As declarações foram feitas em meio à crise cambial argentina, que já dura meses, com inflação anual acima de 200% e desvalorização do peso. Milei, que assumiu o cargo em dezembro de 2023, tem implementado um programa de ajuste fiscal drástico, cortando subsídios e reduzindo o tamanho do Estado.
Milei respondeu com veemência: ‘Lula é um ladrão condenado e um mentiroso. Ele não tem moral para falar da Argentina enquanto seu país enfrenta escândalos de corrupção.’ A referência de Milei é à condenação de Lula no caso do triplex do Guarujá, posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021. A fala de Milei reacendeu o debate sobre a credibilidade dos líderes e a polarização política na América Latina.
A relação entre Brasil e Argentina, historicamente marcada por cooperação no Mercosul e em fóruns regionais, deteriorou-se desde a eleição de Milei, que já havia criticado Lula durante a campanha. Em 2024, Milei se recusou a participar da cúpula do Mercosul, e os dois presidentes não se encontraram pessoalmente desde então. A troca de insultos desta semana é a mais grave desde que ambos assumiram.
**Análise**
A escalada retórica entre Milei e Lula reflete não apenas diferenças ideológicas — Milei é um ultraliberal de direita, Lula um social-democrata de esquerda — mas também a fragilidade das instituições regionais. O Mercosul, que já foi o principal bloco comercial da América do Sul, enfrenta paralisia diante das divergências entre seus dois maiores membros. Especialistas apontam que a falta de diálogo entre os presidentes pode prejudicar acordos comerciais e a integração energética, como o gás natural boliviano que passa pela Argentina para o Brasil.
Além disso, a troca de acusações pessoais pode ter impacto na opinião pública de ambos os países. No Brasil, Lula ainda goza de popularidade entre setores da esquerda, mas enfrenta críticas da oposição. Na Argentina, Milei mantém apoio de sua base, mas a crise econômica reduz sua margem de manobra. A disputa verbal pode ser vista como uma tentativa de ambos de desviar a atenção de problemas internos: no Brasil, a inflação e a desaceleração econômica; na Argentina, a hiperinflação e o aumento da pobreza.
A situação também levanta questões sobre o futuro da cooperação bilateral. O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, e a Argentina é o terceiro maior mercado para produtos brasileiros. Uma ruptura diplomática poderia afetar cadeias produtivas, especialmente nos setores automotivo e de alimentos. No entanto, analistas acreditam que os interesses econômicos devem prevalecer, e que a crise atual é mais retórica do que prática.
**Fontes**
As informações foram baseadas em declarações públicas de Javier Milei e Luiz Inácio Lula da Silva, veiculadas por agências de notícias como Reuters, Associated Press e Agência Brasil. Dados econômicos da Argentina foram obtidos do Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) e do Banco Central da Argentina. A análise de especialistas foi extraída de artigos do jornal El País e do site de notícias UOL.
Por Renan Filho · 2026-10-24