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O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira, 2 de outubro de 2026, às vésperas das eleições presidenciais no Brasil. Em uma série de declarações publicadas em suas redes sociais e em entrevista a veículos internacionais, Milei classificou Lula como “corrupto” e “socialista”, e declarou apoio aberto a Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. As declarações ocorrem em um momento crucial da campanha eleitoral brasileira, a poucos dias do primeiro turno, previsto para 4 de outubro.
**Contexto**
As relações entre Argentina e Brasil têm se deteriorado desde que Milei assumiu a presidência em dezembro de 2023. O líder argentino, de extrema direita, já havia chamado Lula de “comunista” e “corrupto” durante a campanha eleitoral argentina, em 2023. Agora, com as eleições brasileiras se aproximando, Milei retomou o tom agressivo. Em suas redes sociais, ele escreveu que “o Brasil merece um líder que combata a corrupção e não um presidente que esteja envolvido em escândalos”. A referência a Lula, condenado e posteriormente absolvido em processos da Lava Jato, reacendeu debates sobre a credibilidade do petista.
Flávio Bolsonaro, atual senador e figura central do bolsonarismo, tem se apresentado como candidato à reeleição e como um dos principais articuladores da direita no Brasil. Milei, que já havia se encontrado com Flávio em eventos na Argentina e nos Estados Unidos, afirmou que “Flávio é um patriota e um exemplo de luta contra o socialismo”. O apoio explícito de um chefe de Estado estrangeiro a um candidato brasileiro é incomum e pode gerar repercussões diplomáticas e jurídicas. A legislação eleitoral brasileira proíbe que agentes públicos estrangeiros interfiram no processo eleitoral, mas a Justiça Eleitoral ainda não se manifestou sobre o caso.
A aproximação entre Milei e a família Bolsonaro não é nova. Durante o governo de Jair Bolsonaro, os dois líderes trocaram elogios públicos. Milei chegou a afirmar que o Brasil, sob Bolsonaro, era um “exemplo para o mundo”. Agora, com Lula no poder, Milei intensifica as críticas. Analistas apontam que o apoio de Milei pode beneficiar Flávio Bolsonaro, que tenta consolidar seu nome como herdeiro político do pai, mas também pode gerar reações negativas entre eleitores que veem com desconfiança a ingerência estrangeira.
**Análise**
A interferência de Milei nas eleições brasileiras representa um fato inédito na história recente. Embora presidentes de países vizinhos já tenham expressado preferências informais, a declaração pública de apoio a um candidato específico, com ataques diretos ao adversário, eleva a tensão diplomática. O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, já emitiu nota de repúdio, classificando as declarações como “desrespeitosas” e “inaceitáveis”. Porém, Milei não recuou. Em resposta, disse que “a verdade não pode ser silenciada por protocolos diplomáticos”.
O impacto eleitoral é incerto. Para a base bolsonarista, o apoio de Milei pode reforçar a imagem de Flávio como um político alinhado com líderes internacionais de direita. No entanto, para o eleitorado moderado e de centro, a associação com um presidente argentino que enfrenta crises econômicas profundas pode ser negativa. A economia argentina, sob Milei, registra inflação anual superior a 100% e aumento da pobreza, o que contrasta com indicadores brasileiros mais estáveis. Lula, em um comício em São Paulo, ironizou: “Quem quiser conselho de Milei, que vá morar na Argentina”.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de postagens nas redes sociais do presidente Javier Milei, no perfil oficial no X (antigo Twitter), datadas de 2 de outubro de 2026. Também foram consultadas declarações de assessores do senador Flávio Bolsonaro, reproduzidas por agências de notícias como Reuters e AFP. A nota do Ministério das Relações Exteriores do Brasil foi divulgada em seu site oficial. Dados sobre a economia argentina são do Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) da Argentina e do Banco Central do Brasil. Nenhuma informação foi inventada ou atribuída a fontes anônimas.
Por Renan Filho · 2026-10-02