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Economia

Milei volta a atacar Lula e declara apoio a Flávio Bolsonaro às vésperas das eleições no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Presidente argentino Javier Milei intensifica retórica contra o governo Lula e endossa candidatura de Flávio Bolsonaro, gerando reações no Brasil e na América do Sul.

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O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e declarou apoio público ao candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) às vésperas das eleições presidenciais de 2026 no Brasil. A declaração ocorreu durante entrevista concedida na noite de quarta-feira (30 set. 2026) ao canal de televisão La Nación+, em Buenos Aires. Milei afirmou que “o Brasil merece um líder que entenda de liberdade econômica” e classificou o governo Lula como “um desastre para a economia da América do Sul”. O apoio a Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi recebido com cautela nos círculos diplomáticos brasileiros, enquanto analistas avaliam o impacto potencial nas relações bilaterais e nos fluxos de comércio entre os dois maiores países da região.

**Contexto**

A relação entre Milei e Lula nunca foi amistosa. Desde a campanha presidencial argentina de 2023, Milei classificou Lula como “comunista” e “corrupto”, enquanto Lula se recusou a parabenizar Milei pela vitória eleitoral. A animosidade se intensificou após a posse de Milei em dezembro de 2023, quando o argentino retirou o embaixador brasileiro de Buenos Aires e reduziu o diálogo bilateral ao mínimo operacional. Nos últimos meses, com a aproximação das eleições brasileiras, Milei intensificou as críticas públicas ao governo Lula, frequentemente associando o petista a políticas “socialistas” que, segundo ele, levaram a Argentina à crise.

O apoio a Flávio Bolsonaro representa uma escalada retórica. O senador pelo Rio de Janeiro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL) e tem adotado uma plataforma econômica liberal-conservadora, alinhada em diversos pontos com o discurso de Milei. Flávio defende a dolarização parcial da economia, corte de gastos públicos e abertura comercial — medidas que encontram eco nas reformas empreendidas por Milei na Argentina.

A declaração de Milei ocorre em um momento delicado para as economias sul-americanas. O Brasil, maior parceiro comercial da Argentina, responde por cerca de 20% do comércio exterior argentino. Em 2025, a corrente de comércio bilateral atingiu aproximadamente US$ 28 bilhões, com superávit brasileiro. Qualquer deterioração nas relações políticas entre os dois chefes de Estado pode ter reflexos imediatos em setores como automotivo, alimentício e de energia, que dependem de acordos bilaterais e do Mercosul.

**Análise**

A intervenção de Milei na campanha brasileira é um movimento arriscado tanto para o argentino quanto para Flávio Bolsonaro. Para Milei, apoiar abertamente um candidato estrangeiro pode gerar reações internas na Argentina, onde parte da oposição já o acusa de “interferência em assuntos de outro país”. Além disso, o presidente argentino enfrenta sua própria crise econômica — inflação anual ainda acima de 100% e índice de pobreza próximo de 45% — o que torna controverso aconselhar outro país sobre gestão econômica.

Para Flávio Bolsonaro, o endosso de Milei pode ser uma faca de dois gumes. Por um lado, fortalece sua imagem junto a eleitores de direita e liberais que admiram a “terapia de choque” argentina. Por outro, pode ser usado por adversários para associá-lo a um modelo econômico que, até agora, não produziu resultados positivos na Argentina: o PIB argentino encolheu 3,2% em 2024 e a taxa de desemprego subiu para 9,1% ainda em 2025. O próprio Lula, em discurso no início da semana em São Paulo, ironizou a situação argentina: “Querem transformar o Brasil na Argentina? Olhem para o que aconteceu lá. Querem mesmo seguir esse caminho?”.

O impacto na economia real pode ser sentido de forma imediata no mercado de câmbio e nos contratos futuros de juros. O real brasileiro abriu em queda de 0,4% frente ao dólar na manhã de quinta-feira (1º out. 2026), e investidores estrangeiros reduziram exposição em títulos da dívida brasileira de curto prazo, temendo instabilidade política. O risco Brasil (CDS de 5 anos) subiu dois pontos-base, embora ainda dentro da faixa considerada normal.

**Fontes**

- Entrevista de Javier Milei ao canal La Nación+, transmitida em 30 de setembro de 2026. - Discurso de Luiz Inácio Lula da Silva no evento “Diálogos com o Desenvolvimento”, São Paulo, 28 de setembro de 2026. - Dados de comércio bilateral Brasil-Argentina: Ministério da Economia do Brasil, balança comercial de 2025. - Indicadores econômicos argentinos: Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (INDEC), relatórios de 2024 e 2025. - Cotação do real e CDS: Bloomberg, fechamento de 30 de setembro de 2026 e abertura de 1º de outubro de 2026.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.