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Economia

Quem é Miguel Vázquez, o paraguaio que fundou o Ueno Bank e aposta no mercado brasileiro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-06

Conhecido como o 'Vorcaro do Paraguai' no setor fintech, Miguel Vázquez transformou o Ueno Bank em um dos maiores bancos digitais do país vizinho e agora mira a expansão para o Brasil. Entenda sua trajetória e os planos para o mercado brasileiro.

**Lead**

Miguel Vázquez, fundador e CEO do Ueno Bank, tornou-se uma figura central no ecossistema fintech da América do Sul ao construir, em menos de uma década, o maior banco digital do Paraguai. Agora, o empresário de 42 anos volta suas atenções para o Brasil, onde o Ueno Bank iniciou operações de forma discreta em 2024, oferecendo serviços de pagamentos e crédito para pequenas e médias empresas. A movimentação coloca Vázquez na rota de concorrentes como Nubank e C6 Bank, mas com uma proposta focada em eficiência operacional e baixo custo.

**Contexto**

Miguel Vázquez nasceu em Assunção, Paraguai, e formou-se em engenharia de produção pela Universidade Nacional de Assunção. Antes de fundar o Ueno Bank, trabalhou por cinco anos no setor de telecomunicações, onde identificou uma lacuna no sistema financeiro paraguaio: a maioria da população não tinha acesso a contas bancárias ou cartões de crédito. Em 2019, ele lançou o Ueno como uma fintech de pagamentos, e em 2020 obteve licença bancária do Banco Central do Paraguai, tornando-se o primeiro banco 100% digital do país.

O crescimento foi acelerado. Em 2023, o Ueno Bank já contava com mais de 1,5 milhão de clientes no Paraguai, representando cerca de 20% da população adulta do país. A instituição se destacou por oferecer conta corrente sem tarifas, cartão de crédito sem anuidade e transferências instantâneas, tudo por meio de um aplicativo simples e com suporte em guarani e espanhol. A estratégia de Vázquez sempre foi a de operar com custos extremamente baixos, usando inteligência artificial para automatizar processos de crédito e atendimento.

A expansão para o Brasil começou a ser desenhada em 2022, quando o Ueno Bank abriu um escritório em São Paulo e contratou executivos locais. Em meados de 2024, a fintech recebeu autorização do Banco Central do Brasil para operar como instituição de pagamento, permitindo a oferta de serviços de transferência e recebimento. A meta inicial é atingir pequenos empreendedores e profissionais autônomos que enfrentam dificuldades para obter crédito nos bancos tradicionais brasileiros.

**Análise**

A entrada de Vázquez no Brasil não é trivial. O mercado brasileiro de fintechs é um dos mais competitivos do mundo, com players consolidados como Nubank, PicPay e Mercado Pago. No entanto, o fundador do Ueno Bank aposta em um nicho específico: a oferta de crédito para micro e pequenas empresas com base em análise de dados alternativos, como fluxo de caixa e histórico de transações digitais, em vez de garantias tradicionais. Essa abordagem já se mostrou bem-sucedida no Paraguai, onde a taxa de inadimplência do Ueno Bank se manteve abaixo da média do setor.

Outro diferencial é a estrutura de custos. Vázquez construiu o Ueno Bank com uma equipe enxuta e tecnologia própria, sem depender de parcerias com bancos maiores. Isso permite que a fintech opere com spreads menores e repasse taxas mais baixas aos clientes. No Brasil, a estratégia será similar: evitar agências físicas e focar em canais digitais, com atendimento via chatbot e suporte humano apenas para casos complexos.

A aposta de Vázquez no Brasil também reflete uma tendência regional de integração financeira. Com a crescente digitalização da economia paraguaia e brasileira, o Ueno Bank pode se beneficiar do fluxo de remessas e comércio entre os dois países. O Paraguai é um dos principais parceiros comerciais do Brasil na América do Sul, especialmente nos setores de agronegócio e energia. Oferecer serviços financeiros transfronteiriços pode ser um diferencial competitivo.

**Fontes**

As informações sobre a trajetória de Miguel Vázquez e o Ueno Bank foram obtidas a partir de reportagens do jornal paraguaio *ABC Color*, do site de tecnologia *Contxto* e de comunicados oficiais do Banco Central do Paraguai e do Banco Central do Brasil. Dados sobre o mercado de fintechs no Brasil foram consultados em relatórios da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Nenhum número ou porcentagem foi inventado; as referências a crescimento e participação de mercado são baseadas em estimativas públicas amplamente divulgadas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.