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Ciencia

Foto de Jair Bolsonaro com tornozeleira eletrônica reacende debate sobre eficácia do monitoramento no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-23

Michelle Bolsonaro publica imagem do ex-presidente usando dispositivo de vigilância judicial; especialistas analisam a ciência por trás da tecnologia e seu impacto na reincidência criminal.

**Lead**

Na última quarta-feira, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou em suas redes sociais uma foto em que o ex-presidente Jair Bolsonaro aparece utilizando uma tornozeleira eletrônica. A imagem, que rapidamente viralizou, reacendeu o debate público sobre o uso de dispositivos de monitoramento no sistema de justiça brasileiro. A publicação ocorre em meio ao cumprimento de medidas cautelares impostas pela Justiça Federal, mas além do aspecto político, o episódio traz à tona questões científicas relevantes sobre a eficácia, os limites e os impactos sociais desses equipamentos.

**Contexto**

A tornozeleira eletrônica é um dispositivo de vigilância utilizado em diversos países como alternativa à prisão preventiva ou como condição para progressão de regime. No Brasil, o uso desses aparelhos foi regulamentado pela Lei 12.403/2011 e expandiu-se significativamente nos últimos anos. De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça, o número de pessoas monitoradas eletronicamente cresceu de forma acelerada, embora números exatos variem conforme a fonte. O dispositivo emite sinais de radiofrequência e, em modelos mais modernos, utiliza GPS para rastrear a localização do usuário em tempo real. A tecnologia permite que a autoridade judicial estabeleça zonas de inclusão e exclusão, como perímetro residencial ou áreas proibidas, e emite alertas automáticos em caso de violação.

Do ponto de vista científico, o monitoramento eletrônico insere-se no campo da criminologia e da psicologia comportamental. Estudos publicados em periódicos internacionais, como o Journal of Experimental Criminology, indicam que a tornozeleira pode reduzir a reincidência quando combinada com programas de reinserção social, mas seus efeitos isolados são limitados. Pesquisas realizadas no Brasil pela Universidade de São Paulo apontam que a taxa de cumprimento das medidas é maior entre monitorados do que entre aqueles em regime semiaberto sem vigilância eletrônica, embora desafios como a violação do equipamento e a falta de assistência psicossocial comprometam os resultados.

**Análise**

A imagem divulgada por Michelle Bolsonaro não apenas expõe a situação jurídica do ex-presidente, mas também ilustra a crescente normalização do monitoramento eletrônico como ferramenta de controle social. Do ponto de vista da ciência da segurança pública, o episódio oferece um estudo de caso sobre a tensão entre direitos individuais e eficácia punitiva. Especialistas em bioética alertam que a proliferação de dispositivos de vigilância, mesmo com fins legais, pode gerar efeitos colaterais como estigmatização e ansiedade crônica nos monitorados, fenômenos documentados em pesquisas na área de saúde mental forense.

Além disso, a ciência dos materiais e da engenharia de dispositivos eletrônicos desempenha papel crucial na confiabilidade dos equipamentos. Relatórios técnicos indicam que tornozeleiras podem ser adulteradas ou removidas com ferramentas simples, e que a comunicação por rede celular – base do GPS – é vulnerável a falhas em regiões rurais ou de baixa cobertura. No caso de figuras públicas, a visibilidade do dispositivo amplifica o debate sobre privacidade e dignidade, colocando em xeque se a tecnologia cumpre seu papel de ressocialização ou se torna apenas um instrumento de punição simbólica.

Por fim, o caso reforça a necessidade de pesquisas empíricas contínuas sobre a efetividade do monitoramento no Brasil. Enquanto órgãos de justiça apostam na expansão desses programas – com investimentos em novos contratos e centrais de monitoramento – a comunidade científica recomenda cautela: sem políticas públicas integradas de educação, emprego e saúde mental, o dispositivo eletrônico pode ser apenas uma âncora tecnológica em um sistema que precisa de reformas estruturais.

**Fontes**

- Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – Relatórios sobre monitoração eletrônica no Brasil. - Universidade de São Paulo (USP) – Estudos sobre eficácia de tornozeleiras no regime semiaberto. - Journal of Experimental Criminology – Pesquisas internacionais sobre vigilância eletrônica e reincidência. - Agência Brasil – Reportagens sobre o sistema de monitoramento judicial. - Nota técnica do Ministério da Justiça e Segurança Pública sobre equipamentos de rastreamento.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.