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Cultura

México suspende importação de frango brasileiro após surto de doença de Newcastle

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-20

Governo mexicano interrompe compras de carne de frango do Brasil após confirmação de foco da doença de Newcastle no Rio Grande do Sul. Medida afeta um dos maiores compradores da avicultura nacional.

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O governo do México anunciou a suspensão temporária das importações de carne de frango provenientes do Brasil, após a confirmação de um surto da doença de Newcastle em uma granja comercial no município de Antônio Prado, no Rio Grande do Sul. A decisão, comunicada pelo Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar (Senasica) do México, entra em vigor imediatamente e abrange todos os cortes e produtos processados de frango brasileiro. O Brasil, maior exportador mundial de carne de frango, agora enfrenta o desafio de conter o avanço da doença e reverter a restrição imposta por um de seus principais mercados.

**Contexto**

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres, podendo causar alta mortalidade e severas perdas econômicas. O foco foi detectado em uma propriedade no Rio Grande do Sul, levando o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a adotar medidas imediatas de contenção, como o sacrifício sanitário dos animais infectados e a interdição da área. O Brasil não registrava um surto comercial da doença desde 2006, o que demonstra a eficácia histórica dos sistemas de vigilância sanitária do país. No entanto, a notificação à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) desencadeou alertas em diversos países importadores.

O México é um dos maiores compradores de carne de frango do Brasil, com aquisições anuais que movimentam centenas de milhões de dólares. A suspensão mexicana segue o protocolo sanitário internacional, que permite que países importadores adotem medidas restritivas imediatas diante da confirmação de focos de doenças de notificação obrigatória. A decisão mexicana não é isolada: outros países, como o Japão e a África do Sul, também anunciaram restrições parciais ou totais às exportações brasileiras de frango nos últimos dias. A União Brasileira de Avicultura (UBABEF) estima que o impacto imediato pode comprometer uma parcela significativa das receitas do setor, que já opera com margens apertadas devido aos custos elevados de ração e logística.

**Análise**

A suspensão mexicana representa um duro golpe para a avicultura brasileira, que vinha ampliando sua participação no mercado norte-americano. O México, além de ser um grande consumidor, é uma porta de entrada estratégica para a América Latina. A perda temporária desse mercado pode gerar um excedente de oferta no mercado interno brasileiro, pressionando os preços para baixo e reduzindo a rentabilidade dos produtores. Por outro lado, a rápida ação do governo brasileiro em isolar o foco e comunicar de forma transparente as autoridades internacionais pode ser um fator crucial para a retomada das exportações em curto prazo. A OMSA classifica a doença de Newcastle como de alto risco, mas surtos localizados e controlados tendem a gerar restrições temporárias, e não embargos permanentes.

A crise sanitária também expõe a fragilidade da dependência brasileira de poucos mercados compradores. Embora o país exporte para mais de 150 nações, a concentração das vendas em países como China, México e Japão torna o setor vulnerável a choques sanitários e políticos. A diversificação de destinos e o fortalecimento de acordos sanitários bilaterais são medidas que o setor privado e o governo vêm discutindo, mas que ainda não se concretizaram plenamente. Para o consumidor brasileiro, a notícia pode ter um efeito ambíguo: a curto prazo, a sobra de frango no mercado interno pode baratear o produto nos supermercados, mas a médio prazo, a redução das exportações pode desestimular investimentos e afetar a qualidade sanitária do rebanho.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de comunicados oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (Mapa), do Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar do México (Senasica), da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e de relatórios setoriais da União Brasileira de Avicultura (UBABEF). Dados de mercado e histórico de exportações foram consultados junto à Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.