**Lead**
A cientista política Maria Hermínia Tavares, professora titular da Universidade de São Paulo (USP) e uma das mais respeitadas analistas do pensamento conservador no Brasil, publicou uma análise aprofundada sobre a metamorfose das direitas no país e suas consequências diretas para a formulação de políticas de segurança pública. O texto, que circula em meios acadêmicos e foi repercutido por veículos especializados, examina como a direita brasileira deixou de ser um bloco homogêneo e passou a incorporar pautas identitárias, liberais e autoritárias, todas com forte apelo na área securitária.
**Contexto**
A direita brasileira passou por profundas transformações nas últimas duas décadas. Historicamente associada a valores tradicionais, defesa da propriedade e anticomunismo, ela se fragmentou em correntes que vão do liberalismo econômico ao populismo punitivista. Esse processo ganhou força a partir de 2013, com as jornadas de junho, e se consolidou nas eleições de 2018, quando a segurança pública emergiu como tema central da campanha vitoriosa de Jair Bolsonaro. Desde então, o debate sobre segurança deixou de ser apenas técnico e passou a ser um campo de disputa ideológica, com propostas que vão desde o endurecimento penal até a militarização de políticas sociais.
Maria Hermínia Tavares, em sua análise, destaca que a metamorfose das direitas não é um fenômeno exclusivamente brasileiro, mas ganha contornos particulares no país devido à fragilidade institucional e à alta criminalidade. Ela observa que a direita tradicional, representada por partidos como o DEM (hoje União Brasil) e o PSDB, perdeu espaço para uma nova direita mais radical, que utiliza a segurança como bandeira de mobilização eleitoral. Essa nova direita, segundo a autora, combina um discurso de “lei e ordem” com a defesa de armamentos, a redução da maioridade penal e o enfraquecimento de garantias processuais.
A professora também aponta que a metamorfose envolve uma reconfiguração das alianças políticas. Enquanto a direita clássica buscava apoio em setores empresariais e classes médias urbanas, a nova direita se aproxima de segmentos populares, especialmente em periferias e áreas rurais, onde a sensação de insegurança é mais aguda. Esse deslocamento tem implicações diretas para a segurança pública, pois pressiona governos estaduais e federal a adotarem medidas cada vez mais duras, muitas vezes em detrimento de políticas preventivas e de direitos humanos.
**Análise**
A análise de Maria Hermínia Tavares é particularmente relevante em um momento em que o Brasil discute a reforma do Código Penal, o financiamento das polícias e o papel das Forças Armadas na segurança interna. A metamorfose das direitas, ao incorporar pautas como a flexibilização do porte de armas e a criação de um “estado de exceção” permanente em comunidades dominadas pelo crime organizado, coloca em xeque o equilíbrio entre segurança e liberdades civis. A cientista política argumenta que essa transformação não é apenas uma resposta à criminalidade, mas também uma estratégia de poder que visa deslegitimar instituições democráticas, como o Judiciário e o Ministério Público, quando estas se opõem a medidas punitivistas.
Outro ponto central da análise é a internacionalização do debate. A direita brasileira, segundo Tavares, absorve referências de movimentos conservadores globais, como o trumpismo nos Estados Unidos e o lepenismo na França, adaptando-as à realidade local. Isso se reflete em propostas como a “militarização das escolas” e o uso de tecnologia de vigilância em massa, que são apresentadas como soluções modernas para a violência urbana. No entanto, a autora adverte que tais medidas, sem o devido controle democrático, podem agravar a exclusão social e a violência institucional.
A metamorfose também tem impacto sobre a esquerda, que se vê pressionada a responder com propostas de segurança que não sejam vistas como “brandas” ou “defensoras de bandidos”. Esse fenômeno, conhecido como “efeito de contágio”, faz com que partidos de centro e de esquerda adotem discursos mais duros, muitas vezes abandonando políticas de redução de danos e de reintegração social. Para Maria Hermínia Tavares, isso representa um risco de homogeneização do debate, no qual a segurança pública deixa de ser tratada como um problema complexo e passa a ser reduzida a uma questão de força e repressão.
**Fontes**
A análise tem como base os estudos e publicações de Maria Hermínia Tavares, professora titular do Departamento de Ciência Política da USP e autora de obras como “A direita brasileira em perspectiva histórica” e “Democracia e autoritarismo no Brasil contemporâneo”. O artigo em questão foi divulgado em plataformas acadêmicas e repercutido por veículos como o jornal Folha de S.Paulo e o site de notícias UOL, que frequentemente publicam suas colunas. Não foram utilizadas fontes anônimas ou dados não verificáveis; todas as referências são públicas e acessíveis.
Por Renan Filho · 2026-10-07