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O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, afirmou nesta segunda-feira (19) que a Meta, empresa controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, "prejudicou muito" a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante as eleições de 2026. A declaração foi dada durante entrevista coletiva em São Paulo, na sede do partido, e reflete a insatisfação da legenda com o tratamento recebido nas plataformas digitais ao longo do pleito.
**Contexto**
Edinho Silva, que também é prefeito de Araraquara (SP) e um dos principais articuladores da campanha petista, detalhou que a Meta adotou uma postura de "moderação enviesada" e "redução de alcance" de conteúdos considerados progressistas, enquanto permitia a disseminação em massa de desinformação contra o candidato do PT. Segundo o dirigente, relatórios internos do partido apontam que postagens oficiais da campanha de Lula tiveram alcance significativamente menor em comparação a conteúdos de adversários, especialmente no Instagram e no Facebook, sem que houvesse uma justificativa clara por parte da plataforma.
A insatisfação do PT com as big techs não é nova. Durante as eleições de 2022, o partido já havia protocolado representações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o WhatsApp e o YouTube por suposto tratamento desigual. Em 2026, o cenário se agravou com a entrada em vigor de novas regras de moderação da Meta, que passaram a priorizar "conteúdo cívico" e reduzir a visibilidade de postagens políticas, o que, na avaliação do partido, atingiu desproporcionalmente a base petista, que historicamente depende de mobilização orgânica nas redes.
Edinho também mencionou que a Meta não atendeu a pedidos formais da campanha para remoção de conteúdos falsos sobre o programa de governo de Lula, incluindo alegações infundadas sobre a criação de novos impostos e a extinção de benefícios sociais. O partido afirma ter enviado mais de 200 notificações extrajudiciais à empresa durante o período eleitoral, com baixa taxa de resposta.
**Análise**
A declaração de Edinho Silva ocorre em um momento de tensão crescente entre o governo brasileiro e as plataformas digitais. O presidente Lula tem defendido publicamente a regulação das redes sociais, e o Congresso Nacional analisa projetos de lei que visam aumentar a transparência dos algoritmos e a responsabilização das empresas por conteúdo danoso. A fala do presidente do PT, portanto, não é apenas uma crítica pontual, mas parte de uma estratégia política mais ampla para pressionar o Legislativo a aprovar medidas mais duras contra as big techs.
Especialistas em comunicação política apontam que o impacto das plataformas na campanha de 2026 foi profundo, mas divergem sobre a intencionalidade da Meta. Enquanto alguns pesquisadores veem um viés algorítmico que favorece conteúdos sensacionalistas e de direita, outros argumentam que a redução de alcance é uma consequência da queda no engajamento orgânico de páginas partidárias, fenômeno global observado desde 2021. Ainda assim, a queixa do PT encontra eco em relatos de outras legendas de centro-esquerda na América Latina, que relatam dificuldades semelhantes no acesso a ferramentas de impulsionamento e na moderação de discursos de ódio.
O episódio também coloca em evidência a necessidade de uma regulação mais clara sobre o papel das plataformas nos processos eleitorais. A Justiça Eleitoral brasileira já possui resoluções sobre o tema, mas a fiscalização é considerada insuficiente. A pressão do PT, agora vocalizada por seu presidente, deve intensificar os debates no TSE e no Congresso, especialmente após o fim do pleito, quando os partidos tendem a apresentar balanços e cobranças formais.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de declarações públicas de Edinho Silva, presidente nacional do PT, em coletiva de imprensa realizada em São Paulo, e de relatos de integrantes da campanha presidencial do partido. Dados sobre notificações e alcance de postagens foram mencionados pelo dirigente e não foram verificados de forma independente por este veículo até o fechamento desta edição. A Meta foi procurada para comentar as acusações, mas não respondeu até a publicação deste texto.
Por Renan Filho · 2026-10-19