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Opiniao

Mercado vê chance de ajuste fiscal após avanço de Flávio, diz economista

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-11

Avanço do senador Flávio Bolsonaro no cenário político reacende no mercado a expectativa de um acordo fiscal no Brasil, segundo avaliação de economistas. Movimento, porém, depende de sinais concretos de compromisso com o controle de gastos.

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A percepção predominante nos mercados financeiros é de que o fortalecimento político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode criar uma janela para a aprovação de medidas de ajuste fiscal no Brasil. A avaliação foi feita por economistas e agentes do mercado ouvidos em análises recentes, que enxergam no novo desenho de forças em Brasília uma oportunidade, ainda incerta, de destravar a agenda de contenção de despesas e recuperar a credibilidade da política econômica.

**Contexto**

A movimentação ocorre em meio às articulações do Congresso para o próximo ciclo orçamentário, em um momento de forte pressão sobre as contas públicas. O governo federal enfrenta dificuldades para cumprir a meta fiscal estabelecida no arcabouço, e a trajetória da dívida pública segue como principal ponto de atenção para investidores e agências de classificação de risco. A aprovação de um Orçamento realista e a implementação de medidas que ampliem a arrecadação ou reduzam despesas obrigatórias são vistas como passos necessários para estabilizar a relação dívida/PIB.

Segundo o economista ouvido nessa análise, o avanço de Flávio Bolsonaro — entendido como sua crescente influência nas negociações políticas e na condução de pautas econômicas no Senado — altera o tabuleiro das negociações. O movimento é interpretado como um possível facilitador de acordos em torno de temas considerados sensíveis, como a desvinculação de receitas, a revisão de subsídios e a reforma administrativa. O mercado, historicamente, reage positivamente a sinais de coordenação entre os Poderes em torno do ajuste, ainda que desconfie da efetividade prática das promessas.

O cenário econômico segue marcado por incertezas. A política monetária contracionista elevou os juros, encarecendo o crédito e limitando o espaço para investimentos. A inflação, embora em desaceleração, permanece acima da meta em alguns períodos, e os núcleos seguem resilientes. Nesse ambiente, qualquer notícia que aponte para uma melhora nas contas públicas tende a gerar impacto positivo nos prêmios de risco, na curva de juros e na bolsa de valores. A avaliação é de que, sem ajuste fiscal, o Banco Central terá dificuldade de reduzir a taxa básica de forma sustentável, o que comprometeria a retomada do crescimento.

**Análise**

A leitura do mercado, nesse caso, não é partidária. O que os investidores buscam é previsibilidade. O avanço de uma liderança com capacidade de articulação no Congresso, independentemente do espectro ideológico, é visto como um ativo político que pode viabilizar reformas estruturais. A questão central é saber se o governo e a base aliada estão dispostos a enfrentar o custo político dessas medidas. Historicamente, o Brasil passou por ciclos de ajuste quando houve convergência entre o Executivo e o Legislativo em torno de uma agenda comum de estabilização.

A análise também destaca que a janela de oportunidade pode ser curta. O calendário eleitoral se aproxima e, com ele, aumenta a pressão por expansão de gastos. Medidas impopulares, como cortes de benefícios ou limitação de despesas obrigatórias, tendem a ser adiadas em ano eleitoral. Por isso, o mercado observa com atenção se o avanço de Flávio será convertido em propostas concretas encaminhadas ao Congresso. A simples movimentação política, sem resultados objetivos, tende a ser ignorada pelos agentes financeiros, que já foram frustrados por anúncios de contenção de despesas não seguidos de implementação efetiva.

Além disso, a articulação fiscal não depende apenas do Congresso. O Ministério da Fazenda precisa demonstrar capacidade técnica de executar o ajuste, enquanto o Ministério do Planejamento e Orçamento precisa se comprometer com metas factíveis. Há ainda a pressão de setores organizados, como servidores públicos e beneficiários de programas sociais, que resistem a mudanças que reduzam direitos. O êxito da proposta dependerá, portanto, de uma engenharia política sofisticada, que combine negociação no Legislativo, comunicação transparente com a sociedade e coordenação entre as diferentes esferas de governo.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de análise de economistas e comentários de agentes de mercado publicados na imprensa especializada, incluindo avaliações sobre o cenário fiscal brasileiro e o ambiente político recente. O FORTIS NEWS não realizou entrevistas exclusivas e baseou esta matéria em informações publicamente disponíveis e em análise independente sobre o contexto econômico e político do país.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.