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Mercadante tira férias do BNDES para se dedicar à campanha de Lula; análise do impacto
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Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), anunciou que tirará férias do cargo para se dedicar integralmente à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão, revelada pelo Painel da Folha de S.Paulo, levanta questionamentos sobre o uso político de uma instituição que deveria ser técnica e voltada ao desenvolvimento. Em um país onde o Estado muitas vezes se confunde com o partido no poder, a movimentação reforça as críticas de quem defende um Estado mínimo e a separação entre o público e o interesse eleitoral.
**Contexto**
Mercadante é figura histórica do PT e ocupa a presidência do BNDES desde 2023, nomeado por Lula logo após o retorno do petista ao Palácio do Planalto. Durante sua gestão, o banco ampliou sua atuação em setores estratégicos, como transição energética e infraestrutura, mas também foi alvo de críticas por decisões que favoreceram empresas ligadas ao governo. A saída temporária ocorre em um momento crucial: as eleições de 2026 se aproximam, e Lula busca consolidar sua base eleitoral para um segundo mandato. Mercadante, conhecido por sua habilidade articuladora, deve atuar como coordenador de programa de governo ou em mobilização de apoios. O BNDES, por sua vez, ficará sob comando interino, com a vice-presidente de Planejamento assumindo interinamente. A medida não é inédita — outros presidentes do banco já se afastaram para atividades políticas, mas sempre sob forte questionamento acerca da imparcialidade da instituição. Em 2014, por exemplo, Luciano Coutinho deixou a presidência para ser candidato, mas a transição foi criticada por falta de planejamento.
**Análise FORTIS**
Do ponto de vista liberal-conservador, a decisão de Mercadante é emblemática do que há de errado na relação entre Estado e política no Brasil. O BNDES, que já foi alvo de escândalos de corrupção e de subsídios bilionários a empresas privadas sem critérios claros de competitividade de mercado, volta a ser tratado como trampolim político. A ausência do presidente em um momento de desafios econômicos — juros altos, inflação resistente e baixo crescimento — pode paralisar decisões importantes. Além disso, a sinalização de que o banco é usado como moeda de troca eleitoral enfraquece a credibilidade da política industrial. O Estado mínimo defende que instituições como o BNDES não devem existir ou, se existirem, operar com independência total do governo, sob risco de desvios de finalidade. A saída de Mercadante confirma o receio de que o banco não passa de um instrumento a serviço do projeto de poder petista. A verdade acima de narrativa: não se trata de demonizar o afastamento, mas de apontar que a continuidade administrativa está comprometida. O interino, escolhido a dedo, pode seguir a mesma linha, sem que haja discussão técnica ou avaliação de riscos. Para o mercado, é mais um sinal de que a política fiscal e industrial continuará refém do calendário eleitoral. A curto prazo, espera-se volatilidade nos papéis de empresas com forte exposição ao BNDES; a longo prazo, a deterioração da credibilidade do banco como financiador de projetos de desenvolvimento genuíno.
**Pergunta 1: Por que Mercadante tirou férias do BNDES para fazer campanha?** Resposta: Ele se afastou legalmente para participar da campanha de reeleição de Lula, usando seu direito a férias. A medida é permitida, mas levanta questionamentos éticos sobre a instrumentalização do banco.
**Pergunta 2: Quem assume o BNDES durante as férias de Mercadante?** Resposta: A vice-presidente de Planejamento, Erika de Paula, assumirá interinamente. Ela é economista com carreira no banco, mas sua indicação foi política.
**Pergunta 3: Qual o impacto econômico imediato?** Resposta: Há risco de paralisia em projetos estratégicos. O mercado financeiro reage negativamente a sinais de politização de estatais. Ações de empresas dependentes do BNDES podem sofrer.
**Pergunta 4: O BNDES já foi usado para fins políticos antes?** Resposta: Sim. Nos governos Lula e Dilma, o banco foi criticado por conceder empréstimos a grandes grupos privados sem critérios rigorosos de retorno, além de financiar obras de partidos aliados.
**Pergunta 5: O que a linha editorial liberal-conservadora defende nesse caso?** Resposta: Defendemos que o BNDES deve ser extinto ou, no mínimo, ter sua atuação restrita a falhas de mercado, com total transparência e independência política. Governantes não devem usar instituições estatais como cabos eleitorais.
Por Renan Filho · 2026-09-26