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Tecnologia

Mendonça usa tecnologia em mutirão para julgar processos do INSS que voltaram de Fachin

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-05

Ministro do STF coordena força-tarefa com ferramentas digitais para acelerar análise de ações previdenciárias acumuladas após devolução de processos pelo gabinete de Edson Fachin.

**Lead**

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça iniciou um mutirão para julgar processos previdenciários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que retornaram do gabinete do ministro Edson Fachin. A força-tarefa, que conta com o apoio de sistemas de inteligência artificial e plataformas de gestão digital, tem como objetivo reduzir o estoque de ações judiciais que aguardam decisão e agilizar a concessão de benefícios como aposentadorias e pensões. A iniciativa foi anunciada após a devolução de centenas de processos que estavam sob relatoria de Fachin, realocados para Mendonça em razão de redistribuição interna no tribunal.

**Contexto**

O acúmulo de processos do INSS no Judiciário é um problema crônico. Estima-se que mais de 2 milhões de ações envolvendo benefícios previdenciários tramitem atualmente em todo o Brasil, muitas delas paradas há anos. O STF, como instância superior, recebe recursos e pedidos de revisão que se somam a esse volume. A redistribuição de processos entre ministros é uma prática comum para equilibrar cargas de trabalho, mas a transferência de um grande número de ações de Fachin para Mendonça gerou a necessidade de uma resposta rápida.

Para lidar com o gargalo, Mendonça optou por um mutirão que combina métodos tradicionais de julgamento com ferramentas tecnológicas. Entre elas, destacam-se sistemas de triagem automatizada que classificam os processos por tipo de pedido, urgência e probabilidade de concessão. Algoritmos de inteligência artificial são treinados com decisões anteriores do próprio STF e de tribunais inferiores para sugerir minutas de votos, reduzindo o tempo de análise individual. Além disso, plataformas de videoconferência e assinatura digital permitem que os julgamentos ocorram de forma remota, sem a necessidade de deslocamento de servidores e advogados.

A tecnologia não é novidade no Judiciário brasileiro. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vem incentivando a digitalização de processos e o uso de IA em tribunais de todo o país. O próprio STF já utiliza sistemas como o “Victor”, que analisa recursos extraordinários, e o “Sócrates”, voltado para a identificação de padrões em decisões. No entanto, a aplicação em mutirões específicos, como o do INSS, representa um teste importante para a escalabilidade dessas soluções.

**Análise**

A adoção de tecnologia em mutirões judiciais tem potencial para transformar a prestação jurisdicional, especialmente em áreas de alta demanda como a previdenciária. A inteligência artificial pode processar milhares de documentos em minutos, identificar jurisprudência aplicável e até redigir esboços de decisões, liberando juízes e servidores para tarefas mais complexas. No caso do INSS, onde muitos processos envolvem pedidos repetitivos — como revisão de aposentadoria por tempo de contribuição ou concessão de benefício assistencial —, a automação pode reduzir drasticamente o tempo de espera dos segurados.

Por outro lado, o uso de IA no Judiciário levanta questões éticas e operacionais. Algoritmos podem reproduzir vieses existentes nas decisões anteriores, perpetuando desigualdades. Além disso, a transparência dos sistemas é limitada: muitas vezes, as regras de decisão são caixas-pretas, difíceis de auditar. O STF, ciente desses riscos, afirma que as ferramentas são apenas auxiliares e que todo julgamento final passa por um magistrado humano. No mutirão de Mendonça, a tecnologia é usada principalmente para triagem e sugestão, não para substituir a análise jurídica.

Outro ponto relevante é a integração entre os sistemas do STF e do INSS. Para que a automação funcione, é necessário que os dados dos processos estejam digitalizados e padronizados. O INSS, que ainda enfrenta problemas de infraestrutura tecnológica, tem avançado na digitalização de seus registros, mas a interoperabilidade com o Judiciário ainda é um desafio. O mutirão pode servir como catalisador para melhorias nessa área, forçando a atualização de sistemas e a troca de informações em tempo real.

O impacto social da iniciativa é significativo. Milhares de segurados que aguardam há anos por uma decisão judicial podem ter seus casos resolvidos em semanas. A concessão de benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e aposentadorias rurais, muitas vezes essenciais para a subsistência de famílias de baixa renda, pode ser acelerada. No entanto, especialistas alertam que a tecnologia não resolve o problema de fundo: a morosidade do INSS na análise administrativa e a falta de estrutura do órgão. O mutirão é uma medida emergencial, mas a solução de longo prazo passa por reformas na gestão previdenciária.

**Fontes**

As informações deste artigo foram baseadas em comunicados oficiais do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de reportagens de veículos como Agência Brasil e JOTA. Dados sobre o volume de processos e o uso de tecnologia no Judiciário foram extraídos de relatórios do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e de artigos acadêmicos sobre inteligência artificial aplicada ao direito. Nenhuma fonte anônima ou não verificada foi utilizada.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.