**Lead**
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou a realização de um mutirão para processar e julgar ações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que retornaram do gabinete do ministro Edson Fachin para a jurisdição da Justiça Federal brasileira. A decisão, tomada nesta semana, visa desafogar o acervo de processos previdenciários que estavam suspensos ou em tramitação no STF e agora voltam a ser analisados pelas varas federais. O mutirão envolve juízes, servidores e técnicos do INSS, com foco em benefícios como aposentadorias, pensões e auxílios-doença.
**Contexto**
O movimento ocorre após o ministro Edson Fachin, relator de recursos extraordinários que tratam de temas previdenciários, devolver à origem uma série de processos que estavam sob sua relatoria. A devolução se deu no âmbito de decisões que definiram a competência da Justiça Federal para julgar ações que envolvem revisões de benefícios do INSS, especialmente aquelas que discutem o cálculo do fator previdenciário e a aplicação de regras de transição. Com o retorno, milhares de processos acumulados nos tribunais regionais federais e nas varas previdenciárias precisam ser redistribuídos e julgados.
O mutirão coordenado por Mendonça — que também atua como ministro do STF e integra a Segunda Turma, responsável por matérias de Direito Previdenciário — tem como objetivo evitar que a volta dos processos gere novo congestionamento. O INSS, por sua vez, enfrenta uma fila histórica de pedidos administrativos e judiciais, que já ultrapassa a casa dos milhões. A medida é vista como uma tentativa de dar celeridade a demandas que impactam diretamente a renda de segurados e pensionistas.
**Análise**
A decisão de Mendonça tem implicações econômicas relevantes. O acúmulo de processos do INSS representa um passivo fiscal significativo, pois cada ação julgada favoravelmente ao segurado implica pagamento de valores retroativos e reajustes de benefícios. Com a volta dos processos, o governo federal precisará provisionar recursos para honrar eventuais condenações, o que pode pressionar o orçamento da Seguridade Social. Por outro lado, a agilidade no julgamento reduz o custo da morosidade judicial — estimado em bilhões de reais por ano em correções monetárias e honorários advocatícios.
Além disso, o mutirão sinaliza uma mudança na postura do STF em relação à judicialização da Previdência. Ao devolver os processos e incentivar a resolução na primeira instância, a Corte busca desafogar seu próprio plenário e reforçar o princípio da duração razoável do processo. Para a economia real, a medida pode significar a liberação de renda para milhões de brasileiros que aguardam decisões judiciais para receber benefícios atrasados ou corrigidos. Esse fluxo adicional de recursos tende a aquecer o consumo, especialmente em regiões onde a previdência é a principal fonte de renda.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de decisões judiciais públicas disponíveis no site do Supremo Tribunal Federal, comunicados oficiais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e notas técnicas do Instituto Nacional do Seguro Social. Dados sobre a fila de processos do INSS são de conhecimento público, divulgados periodicamente pelo próprio órgão e pelo CNJ. Não foram utilizadas fontes anônimas ou informações não verificáveis.
Por Renan Filho · 2026-11-05