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Mendonça e Kassio mandam retirar vídeos em que Lula e Janja criticam corte de ações sociais atribuído a Flávio Bolsonaro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-09

Os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, concederam liminar que determina a remoção de vídeos nas redes sociais em que o presidente Lula e a primeira-dama Janja falam sobre supostos cortes em programas sociais determinados pelo senador Flávio Bolsonaro. A decisão atende a pedido da defesa do parlamentar, que alega danos à sua imagem.

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Os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), concederam nesta quinta-feira uma liminar que determina a remoção imediata de vídeos publicados em plataformas digitais nos quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja da Silva acusam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ter cortado recursos de ações sociais destinadas a populações vulneráveis no Brasil. A decisão, assinada em caráter monocrático por Mendonça e referendada por Marques em plantão judicial, tem alcance nacional e exige que as plataformas retirem o conteúdo sob pena de multa diária. O caso envolve tensões entre liberdade de expressão, direitos de personalidade e a segurança jurídica de informacoes veiculadas por autoridades.

**Contexto**

Os vídeos, que circularam amplamente nos últimos dias em redes como YouTube, Instagram e TikTok, mostram Lula e Janja afirmando que o senador Flávio Bolsonaro, como relator de determinadas comissões orçamentárias, teria suprimido verbas de programas como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida e iniciativas de segurança alimentar. As declarações foram feitas durante um evento público no Palácio do Planalto e posteriormente replicadas em perfis oficiais do governo. A defesa de Flávio Bolsonaro ingressou com uma reclamação no STF, argumentando que as acusações são falsas e que o senador nunca exerceu relatoria que resultasse em cortes lineares nesses programas. O pedido de liminar também destacou que a narrativa poderia incitar hostilidades contra o parlamentar e comprometer sua integridade física, configurando risco à segurança pessoal.

A decisão de Mendonça e Kassio baseia-se no entendimento de que, mesmo tratando-se de declarações do chefe de Estado e da primeira-dama, o direito à honra e à imagem prevalece quando há indícios de desinformação comprovada. Os ministros citaram precedentes do STF que garantem a proteção contra acusações infundadas, especialmente quando veiculadas por figuras de alto escalão, e determinaram a notificação das plataformas para que removessem o conteúdo em até 24 horas, sob pena de multa de R$ 100 mil por descumprimento. A medida cautelar vale até o julgamento do mérito pelo plenário da Corte.

**Análise**

A decisão dos ministros representa um marco na regulação do discurso político nas redes sociais, especialmente quando emitido por autoridades com grande poder de alcance. Ao determinar a remoção de vídeos presidenciais com base em alegações de dano à imagem de um senador, o STF sinaliza que o direito à liberdade de expressão não é absoluto, mesmo para o presidente da República. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a medida pode estabelecer um precedente para que outros agentes públicos busquem a via judicial para contestar declarações de membros do Executivo, criando um novo campo de litígio na arena digital. O caso também levanta questões sobre a segurança jurídica das informações veiculadas por canais oficiais: se a Presidência da República publicar dados incorretos, a quem cabe corrigi-los e com que agilidade?

Do ponto de vista da segurança pública, a decisão reflete uma preocupação com a escalada de tensões políticas. Em um contexto eleitoral e de polarização, acusações de corte em programas sociais podem inflamar ânimos e gerar reações violentas contra o senador Flávio Bolsonaro ou seus apoiadores. A liminar, ao remover o conteúdo, busca conter o potencial de desinformação e proteger a ordem social. No entanto, críticos argumentam que a medida pode representar censura prévia e enfraquecer o debate público necessário para fiscalizar o orçamento e as políticas sociais. O equilíbrio entre accountability e proteção da honra continuará sendo objeto de discussão nos tribunais.

**Fontes**

A notícia foi elaborada com base na decisão liminar disponível no site do Supremo Tribunal Federal (STF), nos autos da Reclamação 71.234 – DF, em nota oficial da assessoria de imprensa do senador Flávio Bolsonaro e em declarações públicas da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Dados contextuais sobre programas sociais foram extraídos do Portal da Transparência e do relatório do Orçamento Federal de 2025.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.