O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-Advogado-Geral da União (AGU), André Mendonça, vem consolidando uma posição de força no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Segundo informações apuradas pela equipe do FORTIS NEWS com fontes do meio jurídico e político paulista, Mendonça articulou diretamente com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) a indicação de ao menos dois novos conselheiros alinhados à sua visão liberal-conservadora — um movimento que, na prática, amplia sua influência sobre a fiscalização das contas públicas do maior estado da Federação.
O TCE-SP, órgão responsável por julgar a regularidade de gastos estaduais e municipais, tem peso estratégico em um país onde a judicialização da gestão fiscal frequentemente trava investimentos e reformas. As indicações de Tarcísio — que assumiu o governo em 2023 com uma agenda de desburocratização, privatizações e equilíbrio fiscal — são vistas por analistas como um reforço à ala que defende maior previsibilidade e menor interferência estatal. Mendonça, que no STF se destacou por votos favoráveis à liberdade econômica e à segurança jurídica, agora opera nos bastidores para que o TCE-SP atue de forma técnica e célere, sem criar entraves indevidos a projetos de infraestrutura e concessões.
A movimentação ocorre em meio a um cenário nacional de fragilidade fiscal e insegurança regulatória. Enquanto o governo federal expande gastos e intervém em setores como energia e transporte, São Paulo tenta manter o rumo oposto: o governador já sinalizou a intenção de privatizar a Sabesp, a CPTM e parte do Metrô, além de conceder rodovias e parques. Um TCE-SP alinhado a essa visão pode acelerar análises e evitar os atrasos judiciais que frequentemente inviabilizam leilões. Mendonça, ao colocar aliados na corte, busca justamente blindar esse processo contra ativismos ideológicos contrários ao livre mercado.
Para compreender o impacto dessa movimentação, o FORTIS NEWS ouviu especialistas em direito administrativo e finanças públicas. O advogado tributarista João Paulo de Resende, do Instituto Liberal de São Paulo, afirma: “Mendonça não está fazendo nada ilegal. Ele está exercendo a influência legítima de quem tem trânsito no governador e conhece a máquina pública. O problema é que isso expõe a tensão entre o controle técnico e o controle político. Se os indicados forem técnicos de fato, a segurança jurídica ganha. Se forem apenas cabos eleitorais, a conta vem depois.” A declaração de Resende, feita em entrevista à Rádio CBN no último dia 20, ecoa a preocupação de setores liberais de que nomeações políticas possam transformar cortes de contas em extensões dos governos.
A Segurança no título desta reportagem não é apenas a segurança pública tradicional — embora o TCE-SP também fiscalize verbas da polícia e do sistema prisional. É a segurança institucional: a certeza de que contratos serão honrados, licitações serão respeitadas e o dinheiro do contribuinte não será desviado por burocracia ou corporativismo. Numa linha editorial liberal-conservadora, a verdade acima de narrativa exige que se reconheça que a ampliação da influência de Mendonça pode ser tanto um remédio quanto um risco. Remédio, se os indicados equilibrarem eficiência com rigor técnico. Risco, se a corte se tornar caixa de ressonância de interesses partidários.
O FORTIS NEWS apurou que pelo menos um dos nomes indicados tem perfil notoriamente técnico: trata-se de um ex-procurador do estado, com mais de vinte anos de carreira e sem filiação partidária declarada. O outro, no entanto, é um político de carreira com ligações históricas ao centrão paulista — o que acendeu alertas entre economistas ortodoxos. Procuraremos ambos para comentar, mas até o fechamento desta edição não obtivemos retorno. O TEMPO REAL das informações exige que o leitor saiba exatamente o que foi confirmado e o que ainda é especulação.
Por Renan Filho · 2026-09-27