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Economia

Cisão no MDB entre Lula e Bolsonaro no segundo turno expõe riscos econômicos para o próximo governo

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-23

A divisão do MDB, maior partido do Brasil, entre apoiadores de Lula e de Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022 não é apenas política. Ela sinaliza um cenário de fragmentação legislativa que pode travar reformas e gerar volatilidade nos mercados.

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A histórica divisão do MDB (Movimento Democrático Brasileiro) no segundo turno das eleições presidenciais de 2022 — com parte da legenda apoiando Luiz Inácio Lula da Silva e parte permanecendo ao lado de Jair Bolsonaro, representado por figuras como o senador Flávio Bolsonaro — ultrapassou a fronteira da disputa eleitoral e projeta consequências diretas para a economia brasileira. A fragmentação do maior partido do país, tradicionalmente um fiador da governabilidade, amplia a incerteza sobre a capacidade do próximo governo de aprovar reformas essenciais, como a tributária e a administrativa, e de manter a disciplina fiscal. O mercado financeiro, que desde o primeiro turno oscilava entre alívio e apreensão, passou a precificar um risco maior de paralisia decisória no Congresso.

**Contexto**

O MDB é uma legenda de centro, com forte presença no Legislativo e nos governos estaduais. Nas eleições de 2022, o partido lançou a candidatura própria de Simone Tebet ao Planalto, obtendo 4,9 milhões de votos no primeiro turno. Derrotada, Tebet declarou apoio a Lula no segundo turno, argumentando que a prioridade era derrotar o bolsonarismo e defender a democracia. No entanto, uma ala significativa do MDB, liderada por parlamentares do chamado “centrão” e por governadores, optou por apoiar a reeleição de Bolsonaro, em alguns casos formalizando alianças estaduais com o PL. O senador Flávio Bolsonaro, embora não integre o MDB, tornou-se a voz do bolsonarismo que cortejava os dissidentes do partido, reforçando a polarização.

Essa cisão não é um fenômeno novo: o MDB sempre conviveu com facções divergentes, especialmente entre uma ala mais progressista e outra conservadora. Contudo, a radicalização do ambiente político brasileiro desde 2018 aprofundou as clivagens. No segundo turno de 2022, a escolha entre Lula e Bolsonaro representou não apenas opções ideológicas, mas também projetos econômicos antagônicos: de um lado, a promessa de maior intervenção estatal e recomposição de gastos sociais; de outro, a continuidade de uma agenda liberalizante com ênfase no teto de gastos e reformas pró-mercado. A divisão do MDB reflete, portanto, a incapacidade do partido de unificar uma posição diante da polarização, o que debilita sua atuação como ponte entre Executivo e Legislativo.

Segundo analistas, o racha expõe a fragilidade das coalizões pós-eleição. O presidente eleito Lula precisará de uma base ampla para governar, mas a ala bolsonarista do MDB pode resistir a apoiar projetos do novo governo, especialmente aqueles que envolvam aumento de impostos ou alterações na política fiscal. Enquanto isso, os governadores do MDB eleitos com apoio de Bolsonaro, sobretudo nas regiões Centro-Oeste e Sul, podem atuar como contraponto às diretrizes federais. Esse cenário já gera tensões entre o mercado financeiro e o novo governo: a Bolsa de Valores registrou oscilações bruscas após declarações de líderes partidários sobre a composição do ministério e a possível recriação de pastas como o Ministério do Trabalho, vista como um retorno de uma agenda desenvolvimentista.

**Análise**

Do ponto de vista econômico, a divisão do MDB importa porque o partido controla comissões-chave no Congresso e tem capilaridade nas bases estaduais. Sem um MDB coeso, o governo eleito terá que negociar voto a voto, aumentando o custo político de cada aprovação. Reformas estruturais, como a tributária, exigem maiorias qualificadas e prazos longos — a incerteza sobre a lealdade de parte do MDB pode adiar indefinidamente a tramitação. O mercado, por sua vez, reage mal a sinais de paralisia: o risco Brasil sobe, o câmbio se desvaloriza e os investimentos estrangeiros são postergados. A experiência de governos anteriores mostrou que a fragmentação partidária, quando combinada com crises de confiança fiscal, leva a ciclos de estagnação.

Além disso, a disputa interna do MDB projeta-se sobre a política monetária. O Banco Central, embora autônomo, depende de um ambiente político estável para ancorar expectativas de inflação. A sinalização de que parte do MDB pode fazer oposição a medidas de contenção de gastos enfraquece o compromisso fiscal, obrigando o Copom a manter juros mais altos por mais tempo. Isso encarece o crédito e desacelera a economia. Em síntese, a cisão do MDB não é apenas um problema de aritmética parlamentar; é um fator de desequilíbrio macroeconômico que pode comprometer o crescimento nos primeiros anos do novo governo.

**Fontes**

Análise baseada em reportagens da imprensa nacional (G1, UOL, Folha de S.Paulo, Estadão), declarações públicas de Simone Tebet, líderes do MDB como Baleia Rossi, e entrevistas de economistas sobre o impacto da fragmentação política no mercado brasileiro. Dados de desempenho eleitoral e de composição do Congresso obtidos em sites oficiais do TSE e da Câmara dos Deputados.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.