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Cultura

Mário Filho usou as páginas do Jornal dos Sports para defender a construção do Maracanã

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-27

O jornalista e irmão de Nelson Rodrigues liderou uma campanha editorial que ajudou a viabilizar o maior estádio do mundo na época, símbolo do futebol brasileiro.

**Lead**

Na década de 1940, o Brasil se preparava para sediar a Copa do Mundo de 1950, a primeira após a Segunda Guerra Mundial. A escolha do país como anfitrião gerou um intenso debate sobre a necessidade de um estádio monumental no Rio de Janeiro. Foi nesse cenário que o jornalista Mário Filho, editor do Jornal dos Sports, transformou as páginas do periódico em uma tribuna para defender a construção do Maracanã. Sua atuação foi decisiva para convencer autoridades e a opinião pública de que o Brasil precisava de uma arena à altura de sua paixão pelo futebol.

**Contexto**

Mário Filho, irmão do dramaturgo Nelson Rodrigues, era uma das vozes mais influentes do jornalismo esportivo brasileiro. À frente do Jornal dos Sports, ele não se limitava a noticiar resultados; via o esporte como elemento central da identidade nacional. Quando o governo federal e a prefeitura do Rio de Janeiro anunciaram o projeto de erguer um grande estádio para a Copa, surgiram críticas quanto aos custos e à real necessidade da obra. Setores da imprensa e da política argumentavam que o dinheiro poderia ser investido em saúde ou educação. Contudo, Mário Filho enxergava no estádio a oportunidade de o Brasil mostrar ao mundo sua grandeza.

Em uma série de artigos, editoriais e reportagens, o jornalista defendeu que o Maracanã não seria apenas um palco esportivo, mas um monumento cultural. Ele argumentava que a arquitetura grandiosa e a capacidade para centenas de milhares de torcedores representariam a força e a criatividade do povo brasileiro. As páginas do Jornal dos Sports viraram um fórum de debates, com opiniões de engenheiros, arquitetos, ex-jogadores e intelectuais. Mário Filho coordenava a cobertura, sempre enfatizando o caráter inovador e a viabilidade técnica do projeto.

A pressão editorial surtiu efeito. A construção do Estádio Municipal do Maracanã (como era chamado na época) foi aprovada e iniciada em 1948. O projeto dos arquitetos Raphael Galvão, José de Oliveira Reis, Waldir Ramos e outros foi executado em tempo recorde. Em 16 de junho de 1950, o estádio foi inaugurado com capacidade superior a 150 mil lugares, tornando-se o maior do mundo. Mário Filho estava presente e, anos depois, seu nome foi eternizado: em 1966, o estádio passou a se chamar oficialmente Estádio Jornalista Mário Filho.

**Análise**

A campanha de Mário Filho não foi apenas jornalística; foi um ato de afirmação cultural. O Brasil, naquele pós-guerra, buscava se consolidar como uma nação moderna, e o futebol era o elo entre as classes sociais. Ao defender o Maracanã, Mário Filho compreendeu que o esporte transcende o jogo: ele gera identificação coletiva, orgulho e memória. O estádio tornou-se palco de momentos históricos, como a trágica derrota na final de 1950, mas também de alegrias como as vitórias do Flamengo, Fluminense, Vasco e a despedida de Pelé.

A atuação do jornalista ilustra o poder da mídia impressa em moldar políticas públicas. Na ausência de redes sociais, os jornais eram o principal canal de debate. Mário Filho usou sua posição para orquestrar uma narrativa de otimismo e grandeza. Sem suas páginas, talvez o Maracanã tivesse sido construído menor ou em outro local. A herança desse embate permanece: hoje, o estádio é um patrimônio cultural carioca e brasileiro. A discussão sobre investimentos em infraestrutura esportiva versus sociais continua atual, mas o Maracanã se provou um ativo que gerou retornos imateriais imensuráveis.

**Fontes**

A informação sobre a campanha de Mário Filho está registrada em edições históricas do Jornal dos Sports, disponíveis na Biblioteca Nacional. O contexto da construção do Maracanã é documentado em obras como "Maracanã: O Maior do Mundo" (editora Relume Dumará) e nos arquivos do Centro de Referência do Futebol Brasileiro. A relação entre Mário Filho e o estádio é analisada em "O Negro no Futebol Brasileiro", do próprio autor, e em biografias do jornalista.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.