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Marina Silva: 'Novo Congresso é submisso a Trump e antiambiental' após derrota no Senado

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-09

Em tom duro, a ministra do Meio Ambiente afirmou que a nova composição do Senado tende a ceder a pressões internacionais e a flexibilizar a legislação ambiental. A declaração ocorre depois de derrota do governo em votação sobre projeto de exploração na Margem Equatorial.

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A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou que o novo Congresso Nacional é "submisso a Trump e antiambiental", em referência à derrota do governo na votação no Senado que autorizou a retomada de estudos para exploração de petróleo na Margem Equatorial, na costa do Amapá. A declaração foi dada após a sessão deliberativa que terminou com vitória da oposição e de setores do centrão, na noite desta quarta-feira.

**Contexto**

A fala de Marina Silva ocorre em um momento de acirramento do debate sobre a política ambiental brasileira. O Senado aprovou, por maioria, um requerimento que autoriza a Comissão de Serviços de Infraestrutura a realizar audiência pública e a debater a perfuração na bacia da Foz do Amazonas. O resultado foi considerado pelo governo como um revés, uma vez que a área é vista por especialistas como sensível do ponto de vista socioambiental.

A declaração da ministra fez referência direta ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conhecido por sua postura cética em relação às mudanças climáticas e por ter retirado o país do Acordo de Paris durante seu mandato. Para Marina, a nova composição do Congresso, que assumiu em 2025, seria mais alinhada a essa visão negacionista e teria menor disposição para aprovar a agenda ambiental defendida pelo governo Lula.

Nos bastidores, a avaliação de integrantes do Executivo é que a derrota no Senado fortalece o lobby das petroleiras e abre caminho para outras flexibilizações na legislação ambiental, especialmente em projetos relacionados à exploração de combustíveis fósseis. O governo ainda tenta articular uma alternativa para manter a moratória na região, mas a base aliada se mostrou dividida. Enquanto partidos como o PT e o PSOL defendem a preservação integral da bacia, legendas como PSD, PP e Republicanos sinalizam apoio à pauta do desenvolvimento energético e às pressões da indústria do petróleo.

A ministra também lembrou que o processo de licenciamento ambiental para a região já havia sido questionado pelo Ibama, que apontou falhas nos estudos apresentados pela Petrobras. A empresa, por sua vez, afirma que as operações poderiam ser realizadas com segurança e que a exploração na Margem Equatorial é estratégica para a autossuficiência do país em petróleo e gás.

**Análise**

A declaração de Marina Silva não é apenas uma reação institucional à derrota no Senado. Ela representa a radicalização do discurso político em um ano em que o Congresso tenta ampliar sua influência sobre a pauta ambiental, numa tendência que ganhou força após as eleições de 2024 e 2026, com o fortalecimento de bancadas ruralista, mineral e de infraestrutura.

Para analistas, o episódio evidencia uma mudança no eixo do debate político brasileiro: a agenda ambiental deixou de ser uma pauta consensual no Parlamento e passou a ser tratada como um campo de batalha ideológica. A referência a Trump feita pela ministra sinaliza a percepção, dentro do governo, de que a polarização internacional chegou ao Legislativo brasileiro, sobretudo na discussão sobre mudanças climáticas e transição energética.

O impacto imediato da derrota é político. O governo Lula precisará rearticular sua base para evitar que outras frentes de preservação sejam revertidas, como as moratórias na região da foz do rio Amazonas e as áreas de recife de corais. Ao mesmo tempo, a pressão por desenvolvimento econômico e geração de empregos tende a crescer, impulsionada pelo cenário fiscal e pelo apelo popular a obras e investimentos em infraestrutura.

Outro ponto relevante é o isolamento progressivo da pauta ambiental dentro do governo. Marina Silva segue como principal contraponto às demandas do Centrão, mas seus espaços de articulação diminuíram nos últimos meses. Sua manifestação pública, nesse sentido, pode ser lida como uma tentativa de mobilizar a opinião pública e de demarcar posição para as próximas negociações. A sobrevivência da agenda ambiental no Brasil, ao que tudo indica, dependerá cada vez mais da capacidade de o Executivo transformar embates pontuais em vitórias concretas, e não apenas em declarações retóricas.

**Fontes**

Informações baseadas em declarações públicas da ministra Marina Silva durante a sessão do Senado Federal, em transmissão oficial da TV Senado, e em reportagens dos veículos Folha de S.Paulo, O Globo e no portal de notícias G1 sobre a votação do requerimento da Comissão de Serviços de Infraestrutura. Os dados referentes ao licenciamento ambiental da Margem Equatorial têm como referência documentos públicos do Ibama e comunicados oficiais da Petrobras.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.