**Lead**
A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva classificou o novo Congresso Nacional como “submisso a Trump e antiambiental” em reação a uma derrota no Senado, em declaração feita nesta semana. A fala ocorre em meio a debates sobre a aprovação de projetos que flexibilizam licenciamentos ambientais e reduzem áreas protegidas, o que pode impactar diretamente o desenvolvimento de tecnologias voltadas à sustentabilidade no Brasil.
**Contexto**
Marina Silva, figura central na política ambiental brasileira e ex-integrante do governo Lula, referia-se à aprovação de um texto no Senado que, segundo ambientalistas, enfraquece a legislação de proteção da Amazônia e de outros biomas. A derrota mencionada ocorreu em uma votação que contou com apoio de parlamentares alinhados ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que historicamente nega as mudanças climáticas e defende a exploração irrestrita de recursos naturais.
O novo Congresso, eleito em 2026, tem maioria conservadora e pró-agronegócio, com bancadas que frequentemente se opõem a políticas ambientais. A influência de Trump, que mantém forte presença nas redes sociais e entre setores da direita brasileira, é apontada como um dos fatores que moldam a agenda legislativa. A declaração de Marina Silva ecoa a preocupação de cientistas e investidores do setor de tecnologia limpa, que veem no ambiente regulatório um fator crítico para a atração de capital e inovação.
Empresas de energia solar, eólica, biocombustíveis e mobilidade elétrica dependem de políticas públicas estáveis e de incentivos fiscais. A sinalização de um Congresso hostil a pautas ambientais pode desestimular novos projetos e parcerias internacionais, especialmente com fundos de investimento que exigem compromissos com metas de carbono zero.
**Análise**
A postura do Congresso brasileiro, na visão de analistas do setor tecnológico, representa um risco para a competitividade do país na corrida global por inovação sustentável. Enquanto Estados Unidos, União Europeia e China avançam com subsídios para energias renováveis e tecnologias de captura de carbono, o Brasil corre o risco de perder oportunidades de liderança em áreas como hidrogênio verde e bioeconomia.
A associação com Trump, que durante seu mandato retirou os EUA do Acordo de Paris e desregulamentou o setor de combustíveis fósseis, sugere um alinhamento ideológico que pode se traduzir em projetos de lei que reduzam exigências ambientais para grandes obras e exploração mineral. Isso afeta diretamente startups e centros de pesquisa que desenvolvem sensores de monitoramento florestal, drones para reflorestamento e sistemas de agricultura de precisão.
Além disso, a instabilidade política e a percepção de risco regulatório podem afastar investidores estrangeiros que buscam aplicar recursos em tecnologias verdes no Brasil. O país já enfrenta desafios de infraestrutura e burocracia; um Congresso explicitamente antiambiental pode ser o último empurrão para que capital migre para nações com políticas mais previsíveis.
**Fontes**
A declaração de Marina Silva foi reproduzida por veículos de imprensa nacionais e internacionais, como Folha de S.Paulo e Reuters, que cobriram a votação no Senado. As análises sobre o impacto no setor de tecnologia baseiam-se em relatórios de entidades como a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), que monitoram a relação entre política e inovação sustentável.
Por Renan Filho · 2026-10-09