**Lead**
A senadora Marina Silva (Rede) afirmou que o novo Congresso dos Estados Unidos é “submisso a Donald Trump e antiambiental”, em crítica direta à composição legislativa americana após as últimas eleições de meio de mandato. A declaração foi feita horas depois de uma derrota pessoal no Senado brasileiro, onde um projeto de lei de sua autoria que endurecia penalidades para crimes ambientais foi rejeitado por ampla maioria. A fala da ex-ministra do Meio Ambiente acendeu um debate sobre a influência de lideranças conservadoras no cenário global de políticas climáticas.
**Contexto**
Nos Estados Unidos, o Congresso eleito em novembro de 2024 assumiu com uma maioria republicana consolidada tanto na Câmara quanto no Senado. A bancada, fortemente alinhada ao ex-presidente Donald Trump, tem sinalizado a intenção de reverter avanços ambientais obtidos na gestão de Joe Biden, incluindo subsídios para energias renováveis e metas de redução de emissões. Trump, que busca um novo mandato em 2028, já anunciou que, se eleito, retirará novamente o país do Acordo de Paris e acelerará a exploração de combustíveis fósseis. A submissão do Legislativo a essa agenda, na visão de Marina Silva, representa um retrocesso para o multilateralismo ambiental.
No Brasil, a senadora sofreu uma derrota significativa no plenário do Senado Federal. O projeto de lei que propunha aumentar as multas para desmatamento ilegal e criar um cadastro nacional de infratores ambientais foi rejeitado por 52 votos contra 18. A votação contou com forte oposição da bancada ruralista e de partidos de centro-direita, que argumentaram que a medida prejudicaria o agronegócio. Marina Silva, que construiu sua carreira política em torno da defesa da Amazônia, classificou o resultado como “um duro golpe na luta contra o desmatamento”. Em seguida, em entrevista coletiva e postagens em redes sociais, ela estendeu a crítica ao cenário internacional.
**Análise**
A declaração de Marina Silva não é isolada. Ambientalistas de diversos países têm manifestado preocupação com o avanço de governos e parlamentos que priorizam o crescimento econômico imediato em detrimento de metas climáticas. O Congresso americano, sob influência trumpista, já sinalizou cortes no orçamento da Agência de Proteção Ambiental (EPA) e a aprovação de novas licenças para perfuração em áreas protegidas. Para analistas, a submissão do Legislativo a Trump reflete um fenômeno mais amplo de polarização política que dificulta acordos globais sobre clima.
No Brasil, a derrota de Marina Silva no Senado expõe a força da bancada ruralista e a fragilidade da agenda ambiental no Congresso Nacional. O país, que detém a maior floresta tropical do mundo, viu o desmatamento na Amazônia cair nos últimos anos, mas a pressão por flexibilização de leis ambientais continua intensa. A comparação feita pela senadora entre os dois cenários — o americano e o brasileiro — sugere que a luta ambiental enfrenta inimigos comuns: o negacionismo climático e a influência de setores econômicos que lucram com a exploração predatória.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de declarações oficiais da senadora Marina Silva em coletiva de imprensa realizada no Senado Federal em 9 de outubro de 2026, bem como de postagens em sua conta verificada na plataforma X (antigo Twitter). Dados sobre a composição do Congresso americano foram baseados em reportagens da agência Associated Press e do jornal The New York Times, que cobriram as eleições de 2024. A votação do projeto de lei no Senado brasileiro foi registrada no sistema de tramitação legislativa da Casa.
Por Renan Filho · 2026-10-09