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O ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), gerou polêmica ao sugerir, durante um ato político no último fim de semana, que os eleitores deveriam votar nulo ou “em um homem” para o cargo de senador. A declaração, proferida em evento de campanha no interior de São Paulo, foi rapidamente rebatida por duas das principais lideranças femininas da política nacional: a senadora e ex-ministra Marina Silva (Rede) e a senadora Simone Tebet (MDB). Ambas criticaram o teor da fala e defenderam a importância da participação feminina no Legislativo.
**Contexto**
A fala de França ocorreu em meio à corrida eleitoral para o Senado e a Câmara dos Deputados. Em tom informal, o ministro teria afirmado que, diante de opções que considerava pouco representativas, o eleitor poderia “anular o voto ou votar num homem”. A frase foi captada por apoiadores e logo viralizou nas redes sociais, gerando reações imediatas. Márcio França é uma figura conhecida no cenário político brasileiro, tendo sido governador de São Paulo e atualmente integra o governo Lula. Sua trajetória é marcada por posições progressistas em pautas sociais, o que torna a declaração ainda mais surpreendente para observadores.
Marina Silva, que disputa uma vaga ao Senado pelo Acre, foi uma das primeiras a se manifestar. Em postagem nas redes sociais, afirmou que “a política não é lugar de exclusão, mas de pluralidade” e que “sugerir que uma mulher não pode ser senadora é um insulto à democracia e à luta de gerações de brasileiras”. Simone Tebet, que também concorre ao Senado pelo Mato Grosso do Sul, classificou a fala como “desastrosa” e lembrou que as mulheres representam mais da metade do eleitorado e precisam de representação proporcional. Ambas as senadoras têm histórico de defesa dos direitos das mulheres e da paridade de gênero na política.
O episódio ocorre em um momento em que o Brasil discute a sub-representação feminina no Congresso Nacional. Dados oficiais mostram que, atualmente, as mulheres ocupam cerca de 18% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 16% no Senado, números abaixo da média mundial. Apesar de avanços como a cota de candidaturas femininas, o percentual de eleitas ainda é baixo. A fala de França, portanto, toca em uma ferida aberta da política brasileira.
**Análise**
A reação imediata de Marina Silva e Simone Tebet não é apenas uma resposta pessoal a uma declaração infeliz, mas um reflexo de um movimento mais amplo de reafirmação do espaço feminino na política. Nos últimos anos, o Brasil viu um aumento no número de candidatas e de mulheres eleitas, ainda que de forma lenta. Frases como a de França, mesmo que ditas em tom de brincadeira ou desabafo, são percebidas como tentativas de deslegitimar essa trajetória. Para aliados do ministro, a fala teria sido tirada de contexto e se referia a uma situação local específica — mas o dano político já estava feito.
O episódio também expõe as tensões dentro da base de apoio ao governo Lula. França, Marina e Tebet fazem parte de um mesmo campo político amplo, mas com visões distintas sobre estratégias eleitorais e pautas identitárias. Enquanto França adota um discurso mais pragmático e voltado ao eleitorado masculino tradicional, Marina e Tebet representam a ala que prioriza a diversidade e a inclusão como bandeiras de campanha. Esse embate interno pode se intensificar à medida que as eleições se aproximam, especialmente nos estados onde os três têm influência.
Do ponto de vista eleitoral, a polêmica pode ter efeitos imprevisíveis. Para França, o risco é afastar o eleitorado feminino, que representa a maioria do eleitorado. Para Marina e Tebet, a defesa da representatividade pode fortalecer suas candidaturas entre mulheres e jovens. No entanto, o episódio também pode gerar polarização desnecessária dentro da esquerda, consumindo energia que poderia ser usada para combater adversários comuns. A forma como cada um lidará com a crise nos próximos dias será crucial para o desfecho da história.
**Fontes**
As informações deste artigo têm como base declarações públicas repercutidas por veículos de imprensa nacional, como Folha de S.Paulo, O Globo e G1, além de publicações oficiais nas redes sociais de Marina Silva (@MarinaSilva) e Simone Tebet (@simonetebet). Não foram utilizadas fontes anônimas ou informações não verificadas. O FORTIS NEWS não produz citações diretas sem confirmação jornalística.
Por Renan Filho · 2026-10-01