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Em um evento político realizado no último fim de semana, o ex-governador de São Paulo e atual presidente do PSB, Márcio França, sugeriu que eleitores considerem votar nulo ou “em um homem” para o cargo de senador nas próximas eleições. A declaração gerou reação imediata de duas importantes aliadas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB). Ambas rebateram a sugestão, defendendo a necessidade de ampliar a presença feminina no Congresso Nacional.
**Contexto**
Márcio França, que também foi vice-governador e ministro de Portos e Aeroportos no governo Lula, fez a declaração durante um ato de pré-campanha em São Paulo. Segundo relatos da imprensa, ele teria dito que, diante de um cenário eleitoral incerto, o eleitor poderia optar por anular o voto ou escolher um candidato homem, em vez de votar em uma mulher. A fala ocorreu em meio a discussões sobre a baixa representatividade feminina no Senado, onde atualmente apenas 15% das cadeiras são ocupadas por mulheres.
A sugestão de França contrasta com a agenda do governo Lula, que tem promovido políticas de igualdade de gênero e incentivado a participação feminina na política. Marina Silva, uma das figuras mais emblemáticas da luta ambiental e da diversidade, foi a primeira a se manifestar. Em nota, ela afirmou que “o voto nulo ou a escolha baseada exclusivamente no gênero do candidato enfraquece a democracia e desconsidera a importância da representatividade”. Simone Tebet, que concorreu à Presidência em 2022 e hoje comanda o Ministério do Planejamento, também criticou a declaração, destacando que “mulheres têm competência e trajetória para ocupar qualquer cargo político, e o eleitor deve avaliar propostas, não o sexo do candidato”.
O episódio ocorre em um momento de intensa movimentação política para as eleições de 2026, com diversos partidos definindo alianças e estratégias. O PSB, partido de França, integra a base do governo Lula, mas tem buscado ampliar sua influência em São Paulo, onde o ex-governador é uma liderança regional. A declaração, no entanto, pode gerar atritos internos na coalizão governista, especialmente entre setores que defendem a paridade de gênero nas candidaturas.
**Análise**
A fala de Márcio França expõe uma tensão latente dentro da base aliada do governo Lula: a dificuldade de conciliar discursos progressistas com práticas políticas que ainda refletem o conservadorismo de gênero. Embora o PSB tenha uma bancada feminina expressiva na Câmara, a sugestão de priorizar candidatos homens para o Senado contradiz os avanços conquistados nos últimos anos, como a cota de 30% de candidaturas femininas e a Lei de Incentivo à Participação Feminina na Política.
Para Marina Silva e Simone Tebet, a reação rápida foi uma forma de reafirmar o compromisso do governo com a igualdade de gênero, especialmente em um ano eleitoral. Ambas são vistas como potenciais candidatas ao Senado ou à Presidência em 2026, e qualquer declaração que desvalorize a participação feminina pode afetar suas bases eleitorais. Além disso, o episódio pode influenciar a opinião pública, que tem se mostrado cada vez mais atenta a questões de representatividade.
Do ponto de vista internacional, a controvérsia ganha relevância porque o Brasil é frequentemente observado como um termômetro da democracia na América Latina. A sugestão de voto nulo ou baseado em gênero pode ser vista como um retrocesso em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que incluem a igualdade de gênero e o empoderamento feminino. Organizações como a ONU Mulheres já se manifestaram sobre a necessidade de aumentar a participação feminina nos parlamentos, e o Brasil, com uma das menores taxas de representação feminina no Senado entre os países da OCDE, enfrenta pressão para melhorar esses índices.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em declarações públicas de Márcio França, Marina Silva e Simone Tebet, veiculadas por veículos de imprensa como G1, Folha de S.Paulo, Estadão e UOL, além de notas oficiais divulgadas pelos ministérios do Meio Ambiente e do Planejamento. Dados sobre representatividade feminina no Senado foram obtidos do site do Senado Federal e de relatórios da ONU Mulheres.
Por Renan Filho · 2026-10-01