**Lead**
O deputado estadual eleito e ex-prefeito do município de Mesquita, na Baixada Fluminense, Márcio Canella, foi preso na manhã desta segunda-feira (26) em uma operação da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Agentes cumpriram um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça Federal, em desdobramento de investigações que apuram possíveis irregularidades na administração pública durante seus mandatos como prefeito da cidade. Canella, que foi eleito deputado estadual nas últimas eleições e tomaria posse no início do próximo ano, foi conduzido para a Superintendência da PF na capital fluminense, onde prestará depoimento.
**Contexto**
Márcio Canella é um nome conhecido na política da Baixada Fluminense. Ele foi prefeito de Mesquita por dois mandatos consecutivos, entre 2013 e 2020, e construiu uma carreira baseada em obras de infraestrutura e programas sociais. No pleito de 2022, foi eleito deputado estadual pelo partido União Brasil, com expressiva votação na região, e estava prestes a assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em fevereiro de 2023. A prisão, no entanto, interrompe esse processo e levanta questionamentos sobre a continuidade de sua vida pública.
A operação da Polícia Federal, que ainda não teve seu nome oficial divulgado, é fruto de uma investigação que se arrasta há pelo menos dois anos. Segundo fontes ligadas ao caso, os indícios apontam para a existência de um esquema de desvio de verbas destinadas à saúde e à educação na prefeitura de Mesquita. Empresas contratadas pela gestão de Canella teriam superfaturado contratos e repassado propinas a servidores e agentes políticos. A PF também cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-prefeito, incluindo seu gabinete na transição para o mandato de deputado.
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) já havia apontado, em auditorias anteriores, irregularidades em licitações realizadas pela prefeitura de Mesquita durante a gestão de Canella. Relatórios indicavam sobrepreço em obras de pavimentação e reformas de unidades de saúde, mas as defesas do político sempre negaram qualquer ilegalidade. A Justiça Eleitoral também analisou contas de campanha de Canella, sem, até o momento, condenações definitivas.
**Análise**
A prisão de Márcio Canella tem impacto direto no cenário político fluminense e no sistema partidário. Ele é um dos deputados estaduais eleitos com maior capital eleitoral na Baixada, região marcada por disputas intensas e por uma história de famílias políticas tradicionais. A operação da PF ocorre em meio a um movimento nacional de combate à corrupção, que já levou dezenas de prefeitos e deputados a responderem judicialmente. No entanto, a detenção de um político que ainda nem assumiu o cargo legislativo é um fato relativamente raro e sinaliza que as investigações não estão restritas a atos já cometidos, mas abrangem também a prevenção de possíveis novos desvios.
Se condenado, Canella pode perder o mandato de deputado antes mesmo de tomá-lo. A legislação brasileira prevê que candidatos com condenação criminal em segunda instância podem ser impedidos de assumir cargos eletivos por meio da Lei da Ficha Limpa. Nos próximos dias, a Justiça Eleitoral deverá analisar se a prisão temporária é suficiente para suspender a diplomação ou se será necessário aguardar uma sentença definitiva. Enquanto isso, o partido União Brasil corre para avaliar os danos à sua imagem na Baixada Fluminense e a possibilidade de substituição na chapa de deputados.
**Fontes**
As informações foram apuradas com base em nota oficial da Polícia Federal, registros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, reportagens de veículos como G1 e Agência Brasil, e dados do Tribunal Superior Eleitoral sobre a candidatura e eleição de Márcio Canella.
Por Renan Filho · 2026-10-15