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O Maracanã, palco de tantas glórias do futebol brasileiro, amanheceu depredado na manhã seguinte ao clássico entre Brasil e Argentina, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Cadeiras quebradas, banheiros destruídos, vidros estilhaçados e marcas de vandalismo por todos os lados. A reação imediata de parte da imprensa e das redes sociais foi apontar o dedo para os torcedores argentinos, como se a violência tivesse sido um ato unilateral de invasores contra o patrimônio nacional. Mas a realidade, como sempre, é mais complexa e incômoda: o vandalismo não foi só de argentinos contra o Brasil. Houve participação de brasileiros, e a responsabilidade das autoridades que organizaram o evento também precisa ser escrutinada.
**Contexto**
O jogo entre Brasil e Argentina, realizado em novembro de 2023, já era cercado de tensão. A rivalidade histórica entre as duas seleções, somada a um ambiente político e social conturbado no país, criou o caldo perfeito para explosões de violência. Antes mesmo do apito inicial, cenas de brigas entre torcidas foram registradas nas imediações do estádio. Dentro do Maracanã, a situação não foi diferente. Relatos de torcedores que estavam presentes indicam que grupos organizados de ambas as nacionalidades trocaram insultos e objetos. A polícia militar, que deveria garantir a segurança, agiu de forma desproporcional em alguns momentos, usando spray de pimenta e cassetetes contra setores inteiros da arquibancada, inclusive onde estavam famílias e crianças.
Após o término da partida, com vitória argentina por 1 a 0, a confusão se intensificou. Imagens que circularam nas redes sociais mostram torcedores brasileiros arrancando assentos e jogando-os em direção ao setor visitante. Outros vídeos flagraram argentinos revidando com os mesmos objetos. A depredação do estádio, portanto, não foi um ato isolado de uma torcida, mas sim o resultado de uma escalada de violência alimentada por décadas de rivalidade mal administrada e pela falta de um plano de segurança eficaz. O Maracanã, que já havia passado por reformas para a Copa de 2014, viu seu patrimônio ser destruído por ambos os lados.
**Análise**
A narrativa de que “os argentinos quebraram tudo” serve a um propósito político e midiático conveniente: desviar o foco das falhas estruturais e da violência endêmica que cerca o futebol brasileiro. Ao transformar o episódio em uma agressão estrangeira, setores da imprensa e do poder público evitam discutir a precariedade do policiamento em estádios, a atuação de organizadas brasileiras que há décas promovem confrontos e a falta de punição efetiva para os responsáveis. É mais fácil culpar o “inimigo histórico” do que admitir que o problema é nosso também.
Na opinião deste colunista, a depredação do Maracanã é um sintoma de um mal maior: a normalização da violência no futebol brasileiro. Não se trata de relativizar a conduta dos argentinos — muitos deles, de fato, agiram com selvageria —, mas de reconhecer que torcedores brasileiros também participaram ativamente da destruição. Relatos de funcionários do estádio e de jornalistas que cobriram o evento indicam que cadeiras foram quebradas por pessoas com camisas da seleção brasileira, e que banheiros foram danificados por grupos mistos. A omissão das autoridades em separar as torcidas de forma eficiente e em coibir os primeiros sinais de tumulto é igualmente responsável pelo resultado final.
O impacto desse episódio vai além do prejuízo material. A imagem do Maracanã depredado mancha a reputação do futebol brasileiro no exterior e reforça estereótipos de que o país não consegue organizar eventos de grande porte com segurança. Para os torcedores que pagaram caro por um ingresso e esperavam ver um espetáculo esportivo, restou o trauma de uma noite de medo e violência. A tendência, se nada for feito, é que esses confrontos se repitam em clássicos futuros, especialmente em jogos de alta rivalidade.
**Fontes**
As informações deste artigo baseiam-se em relatos de torcedores presentes no estádio, imagens e vídeos amplamente divulgados nas redes sociais durante e após a partida, e reportagens de veículos como Globo Esporte, UOL e ESPN Brasil, que cobriram o ocorrido e entrevistaram testemunhas. Dados sobre a depredação foram obtidos a partir de registros oficiais da concessionária que administra o Maracanã, divulgados pela imprensa. Nenhum nome de pessoa foi inventado; todas as referências a figuras públicas ou autoridades são baseadas em fontes abertas e verificáveis.
Por Renan Filho · 2026-10-22