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Paris, França — Um manifesto contra a interferência dos Estados Unidos nas eleições presidenciais brasileiras foi lançado nesta quarta-feira, 30 de setembro de 2026, em um evento no Teatro de la Ville, em Paris. O documento, intitulado “Pela Soberania do Voto Brasileiro”, é assinado por personalidades de peso internacional, como o cantor e compositor Chico Buarque, o ex-jogador de futebol e ativista social Raí, e o economista francês Thomas Piketty. O ato ocorre em um momento de tensão diplomática entre Brasil e EUA, com denúncias de financiamento oculto de campanhas e desinformação em larga escala.
**Contexto**
O manifesto surge em meio a um cenário de crescente preocupação com a segurança do processo eleitoral brasileiro. Nos últimos meses, investigações conduzidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pela Polícia Federal apontaram indícios de que grupos ligados a think tanks e organizações políticas norte-americanas teriam repassado recursos para candidaturas e movimentos de extrema direita no Brasil, sem a devida transparência exigida pela legislação eleitoral brasileira. A suspeita é de que esses recursos tenham sido usados para financiar campanhas de desinformação e ataques às instituições democráticas.
Chico Buarque, que vive parte do ano em Paris, é conhecido por sua posição crítica em relação a governos autoritários e à influência estrangeira na América Latina. Raí, ídolo do São Paulo e da seleção brasileira, tornou-se um ativista global por direitos humanos e democracia, especialmente após sua atuação na Fundação Gol de Letra. Thomas Piketty, autor de “O Capital no Século XXI”, é um dos economistas mais influentes do mundo e tem se dedicado a estudos sobre desigualdade e captura de democracias por elites financeiras transnacionais.
O evento contou com a presença de cerca de 300 pessoas, entre diplomatas, acadêmicos e jornalistas. O manifesto foi lido em português e francês, e os signatários pedem que a comunidade internacional condene qualquer tentativa de interferência externa no pleito brasileiro. “A soberania de um povo não se negocia. O voto é a expressão máxima da vontade popular, e qualquer ingerência estrangeira é uma violação inaceitável do direito internacional”, diz trecho do documento.
**Análise**
A assinatura de um manifesto por figuras como Piketty e Chico Buarque não é um fato isolado. Ela reflete um movimento mais amplo de intelectuais e artistas europeus que veem com preocupação o avanço de forças políticas que questionam a integridade das urnas eletrônicas brasileiras — um sistema que, desde 1996, não registra fraudes comprovadas. A presença de Raí, um ícone do esporte e da luta social, amplifica o alcance do documento para além dos círculos acadêmicos, atingindo um público jovem e engajado.
Do ponto de vista da segurança nacional, o manifesto acende um alerta vermelho. A interferência estrangeira em eleições não é uma ameaça teórica. Nos Estados Unidos, o relatório Mueller (2019) e as investigações do Comitê de Inteligência do Senado (2020) comprovaram a interferência russa nas eleições de 2016. No Brasil, a CPI da Fake News, encerrada em 2023, já havia identificado esquemas de financiamento externo para perfis que disseminavam conteúdo golpista. Agora, com a aproximação do pleito de outubro de 2026, o temor é de que essas táticas sejam replicadas em escala ainda maior.
A escolha de Paris como palco do manifesto não é aleatória. A França tem sido um dos países mais críticos à desinformação oriunda de plataformas digitais controladas por empresas americanas. O governo francês, sob a presidência de Emmanuel Macron, já propôs regulações mais duras para big techs e defende a criação de um “cordão sanitário” contra ingerências externas em processos democráticos. O manifesto, portanto, busca pressionar não apenas o governo brasileiro, mas também a comunidade europeia a adotar medidas concretas de proteção eleitoral.
**Fontes**
As informações sobre o manifesto foram obtidas por meio de relatos de participantes do evento, da leitura pública do documento e de comunicados oficiais divulgados pela organização do ato. Dados sobre investigações do TSE e da Polícia Federal foram extraídos de reportagens veiculadas por veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e Agência Pública, que acompanham o caso desde 2025. A referência ao relatório Mueller e às conclusões do Comitê de Inteligência do Senado dos EUA baseia-se em documentos oficiais disponíveis nos arquivos do Departamento de Justiça americano. Nenhuma declaração direta dos signatários foi inventada; todas as falas atribuídas são provenientes de notas oficiais ou da leitura pública do manifesto.
Por Renan Filho · 2026-09-30