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Mamas densas: o que a mamografia pode deixar passar e por que isso importa para o Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-19

A condição, que afeta cerca de metade das mulheres, pode ocultar tumores em exames de rotina. Entenda os desafios para o diagnóstico no país e a necessidade de métodos complementares.

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As mamas densas são uma condição comum que pode comprometer a eficácia da mamografia, exame padrão para rastreamento do câncer de mama. No Brasil, onde o câncer de mama é o tipo mais incidente entre as mulheres (excluindo o de pele não melanoma), a discussão sobre como aperfeiçoar o diagnóstico ganha urgência. Estima-se que cerca de metade das mulheres em idade fértil apresente tecido mamário denso, o que dificulta a visualização de nódulos e microcalcificações suspeitas nos exames de imagem.

**Contexto**

A densidade mamária é determinada pela proporção de tecido glandular e fibroso em relação ao tecido adiposo. Quanto mais densa a mama, mais branca aparece na mamografia — e os tumores, também brancos, podem ficar camuflados. Esse fenômeno já é bem documentado na literatura médica. A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e o Colégio Brasileiro de Radiologia alertam que a mamografia pode ter sensibilidade reduzida para mulheres com mamas densas, caindo de cerca de 85% para menos de 50% em alguns casos.

No Brasil, o sistema público de saúde (SUS) oferece mamografias gratuitas para mulheres de 50 a 69 anos, conforme recomendação do Ministério da Saúde. No entanto, a identificação da densidade mamária não é rotineiramente comunicada às pacientes — ao contrário do que ocorre em países como os Estados Unidos, onde desde 2019 uma lei federal exige que os laudos de mamografia informem a densidade. Sem essa informação, muitas brasileiras desconhecem que seu exame pode não ser suficiente.

Estudos indicam que mulheres com mamas extremamente densas têm risco até seis vezes maior de desenvolver câncer de mama em comparação com aquelas de baixa densidade. Além do mascaramento, a própria densidade é um fator de risco independente. A combinação de risco elevado com dificuldade diagnóstica torna esse grupo prioritário para estratégias complementares.

**Análise**

O impacto dessa realidade no Brasil é significativo. O país possui dimensões continentais e desigualdades regionais profundas no acesso à saúde. Enquanto grandes centros urbanos dispõem de ultrassonografia e ressonância magnética como exames complementares, a maioria das cidades do interior e regiões Norte e Nordeste enfrenta escassez de equipamentos e profissionais especializados. A tomossíntese mamária (mamografia 3D) é uma alternativa que melhora a detecção em mamas densas, mas ainda é de alto custo e não está disponível no SUS.

A conscientização sobre o tema é crucial. Especialistas defendem que o laudo mamográfico deve incluir a classificação da densidade (A, B, C ou D, segundo o sistema BI-RADS) e que a paciente seja informada. Isso permitiria que mulheres com mamas densas pudessem discutir com seus médicos a necessidade de exames adicionais, como ultrassom ou ressonância, especialmente na presença de outros fatores de risco.

Do ponto de vista das políticas públicas, o Brasil precisa avançar na regulamentação da notificação obrigatória da densidade mamária e na ampliação do acesso a métodos complementares. Campanhas educativas podem ajudar a população a entender que uma mamografia “normal” não elimina totalmente a possibilidade de um tumor oculto em mamas densas. A detecção precoce continua sendo a principal arma contra o câncer de mama, e ignorar a densidade pode significar um atraso fatal no diagnóstico.

**Fontes**

- Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) - Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem - Instituto Nacional de Câncer (INCA) - Ministério da Saúde do Brasil - Estudos publicados em periódicos como 'Radiology' e 'The Lancet Oncology' sobre densidade mamária e risco de câncer

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.