**Lead**
Uma nova pesquisa de opinião pública, realizada por um dos principais institutos de sondagem do país, aponta que segurança e saúde são os dois maiores problemas enfrentados pelo Brasil na visão dos cidadãos. O levantamento, conduzido entre os meses de setembro e outubro, ouviu milhares de pessoas em todas as regiões do país e consolida uma tendência observada nos últimos anos: a insatisfação com a violência cotidiana e com a precariedade do atendimento médico-hospitalar supera outras preocupações históricas, como desemprego e corrupção. Os dados, ainda não divulgados na íntegra, indicam que a percepção de insegurança e a falta de acesso a serviços de saúde de qualidade se tornaram os principais motores do descontentamento popular.
**Contexto**
O Brasil vive uma crise dupla que afeta diretamente o bem-estar da população. No campo da segurança pública, os índices de homicídios, roubos e furtos continuam em patamares elevados, apesar de pequenas oscilações em alguns estados. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o país registra, anualmente, mais de 40 mil mortes violentas intencionais, número que coloca o Brasil entre as nações mais violentas do mundo. A sensação de medo é agravada pela atuação de facções criminosas que controlam territórios em grandes centros urbanos e pela falta de efetivo policial em muitas cidades. A pesquisa capturou esse sentimento: a maioria dos entrevistados afirmou que evita sair de casa à noite ou transitar por determinados bairros por receio de ser vítima de crime.
Já na área da saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS), embora seja um dos maiores sistemas públicos do mundo, enfrenta problemas crônicos de subfinanciamento, filas intermináveis para consultas e cirurgias, falta de medicamentos e infraestrutura precária em hospitais e postos de saúde. A pandemia de Covid-19 expôs e aprofundou essas fragilidades, mas mesmo após o arrefecimento da emergência sanitária, a população continua a sofrer com a demora no atendimento. O levantamento mostra que a insatisfação com o SUS é transversal: atinge tanto moradores de periferias quanto de áreas nobres, embora os mais pobres sejam os mais impactados. A pesquisa também revela que a saúde mental emergiu como uma preocupação crescente, com muitos brasileiros relatando ansiedade e depressão relacionadas à violência e à instabilidade econômica.
**Análise**
A liderança de segurança e saúde no ranking de problemas não é um fenômeno novo, mas sua persistência indica uma falha estrutural nas políticas públicas. Especialistas apontam que a ausência de uma estratégia nacional integrada de segurança — que combine prevenção, inteligência e repressão qualificada — mantém o ciclo de violência. Ao mesmo tempo, o subfinanciamento crônico da saúde, agravado por emendas parlamentares e pela má gestão em estados e municípios, impede que o SUS cumpra seu papel constitucional. A pesquisa sugere que a população não vê soluções rápidas no horizonte, o que alimenta um sentimento de descrença nas instituições.
Outro ponto relevante é a intersecção entre os dois temas. A violência urbana sobrecarrega os serviços de saúde: hospitais de emergência lidam diariamente com vítimas de tiros, facadas e acidentes de trânsito relacionados à criminalidade. Além disso, o estresse gerado pela insegurança contribui para o aumento de doenças cardiovasculares e transtornos mentais. Essa conexão mostra que segurança e saúde não podem ser tratadas de forma isolada. Políticas que reduzam a violência teriam impacto direto na redução da demanda por atendimento de urgência e na melhoria da qualidade de vida.
A pesquisa também revela um descolamento entre as prioridades do governo federal e as demandas da população. Enquanto o debate político nacional frequentemente se concentra em pautas econômicas ou em embates ideológicos, os brasileiros nas ruas apontam para problemas concretos que afetam seu dia a dia. A segurança pública, por exemplo, é uma responsabilidade primariamente dos estados, mas a falta de coordenação com a União e a ausência de uma política nacional de prevenção à violência deixam lacunas que o crime organizado preenche. Na saúde, a dependência de emendas parlamentares para o custeio de hospitais municipais cria um sistema fragmentado e sujeito a interesses políticos locais.
**Fontes**
As informações deste artigo baseiam-se em pesquisa de opinião pública realizada por instituto de reconhecida credibilidade no Brasil, cujos dados preliminares foram apresentados em coletiva de imprensa. Dados complementares sobre violência foram obtidos do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Informações sobre o sistema de saúde foram consultadas em relatórios do Conselho Nacional de Saúde e do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS). Análises de especialistas foram extraídas de artigos acadêmicos e entrevistas veiculadas em veículos de imprensa nacional, como Folha de S.Paulo e O Globo, sem que sejam atribuídas citações diretas a este veículo.
Por Renan Filho · 2026-10-19