Eleições legislativas no Brasil sempre reservam surpresas, mas a disputa de 2026 superou qualquer expectativa. De norte a sul, candidatos a deputado federal e estadual adotaram alcunhas como "Macarrão", "Tadala" e até mesmo "Trump" para tentar fisgar eleitores em meio a um mar de concorrentes. Se por um lado a estratégia chama atenção, por outro escancara o esvaziamento do debate sério sobre um dos temas que mais aflige o brasileiro: a segurança pública.
Nos últimos meses, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou um número recorde de candidaturas com nomes de urna insólitos. Segundo dados oficiais, mais de 2.400 políticos optaram por apelidos ou slogans no lugar de seus nomes de registro. Entre os mais criativos, destacam-se: "Macarrão Instantâneo" (PT-SP), que promete "cozinhar os corruptos"; "Tadala da Night" (PL-RJ), cujo slogan é "a noite é uma criança, mas a segurança é coisa séria"; e "Trump do Sertão" (PRTB-BA), que defende o armamento civil irrestrito. Todos concorrem com plataformas vagas de segurança, misturando humor e promessas populistas.
Contexto: A banalização da segurança pública como marketing eleitoral
A onda de candidatos com nomes inusitados não é novidade no Brasil, mas o contexto de 2026 agravou o fenômeno. Com o aumento da violência urbana e rural — os homicídios voltaram a subir 8% no primeiro semestre, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública —, muitos políticos optaram pelo caminho mais curto: viralizar nas redes sociais em vez de apresentar propostas tecnicamente viáveis.
"Macarrão" tornou-se vereador em Sorocaba com 1.200 votos e agora tenta voos mais altos com o discurso de "endurecer o cozimento dos bandidos". "Tadala", ex-atriz pornô e empresária, diz que a experiência na noite carioca a preparou para entender "a verdadeira violência que as mulheres sofrem". Já o autointitulado "Trump do Sertão" pede a revogação do Estatuto do Desarmamento e a criação de milícias digitais de vigilância. Nenhum deles apresenta planos de financiamento, treinamento policial ou integração de inteligência.
A situação é sintomática de um sistema político que recompensa o espetáculo em detrimento da substância. Enquanto isso, estados como Rio de Janeiro e São Paulo enfrentam crises nos sistemas prisionais e falta de efetivo policial, assuntos que raramente geram memes.
Análise FORTIS: Livre mercado, sim; circo eleitoral, não
Sob a ótica liberal-conservadora, a segurança é um bem essencial que deve ser garantido pelo Estado mínimo, mas com eficiência máxima. Políticas de segurança sérias envolvem reforma do sistema de justiça, valorização das polícias, uso de tecnologia e punição rigorosa de criminosos reincidentes. Nada disso está presente nos discursos de candidatos como Macarrão, Tadala ou Trump.
O FORTIS NEWS defende que a verdade está acima de qualquer narrativa populista. Não se trata de censurar nomes criativos — o livre mercado de ideias permite que qualquer cidadão se candidate. O problema é que o eleitor é enganado: por trás do slogan espirituoso, não há compromisso com resultados. O candidato que brinca com o nome não levará a sério a segurança do seu eleitor.
A direita liberal precisa urgentemente resgatar a seriedade do debate. Enquanto a esquerda aposta em pautas identitárias e assistencialistas, muitos na direita caem na armadilha do entretenimento político. O resultado é o mesmo: ausência de políticas efetivas. O Brasil não precisa de mais um "Trump" de araque; precisa de líderes que entendam que segurança pública é fruto de boas leis, liberdade econômica para gerar empregos e redução da impunidade.
Candidatos como "Macarrão" e "Tadala" podem até conquistar votos, mas não conquistam a confiança de quem realmente quer um país mais seguro. Aos eleitores, cabe o dever de filtrar o que é meme e o que é proposta. Aos políticos, a responsabilidade de tratar a segurança como prioridade — não como piada.
Por Renan Filho · 2026-09-27