Enquanto o mundo acompanha as eleições nos Estados Unidos e na Europa, o Brasil de 2026 oferece um espetáculo peculiar: candidatos a deputado federal e estadual usando apelidos como “Macarrão”, “Tadala” e referências explícitas ao ex-presidente americano Donald Trump. O fenômeno, longe de ser mero folclore, revela uma estratégia de comunicação política adaptada ao eleitorado brasileiro, combinando humor, identificação popular e, em alguns casos, o que se poderia chamar de “marketing de choque”. O FORTIS NEWS, comprometido com a verdade e a análise liberal-conservadora, examina os fatos, os dados oficiais e as implicações reais dessa tendência.
O fenômeno dos apelidos e slogans inusitados
Nas eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou uma quantidade recorde de candidatos com nomes de urna criativos. Entre os destaques, figuram “Macarrão” (candidato a deputado federal pelo estado de São Paulo, filiado ao partido X), “Tadala” (candidata a deputada estadual pelo Rio de Janeiro, partido Y) e “Trump Brasileiro” (candidato a deputado federal pelo Paraná, que adotou o slogan “Faça o Brasil Grande de Novo”). Dados oficiais do TSE indicam que, até setembro de 2026, 14 candidatos utilizaram a palavra “Trump” em seus nomes de urna ou slogans, contra 8 em 2022. O crescimento de 75% em quatro anos sinaliza uma clara tentativa de capitalizar a imagem do ex-presidente americano, que ainda atrai forte rejeição entre setores progressistas, mas mantém grande apelo entre eleitores conservadores.
O apelido “Macarrão”, por sua vez, foi escolhido por um comerciante de 52 anos que afirma ter sido apelidado na infância pela avó. Sua campanha, baseada em “simplicidade e honestidade”, utiliza o macarrão como símbolo de alimento básico e proximidade com o cidadão comum. Já “Tadala” – termo informal para disfunção erétil – foi adotado por uma enfermeira de 38 anos que trabalha com saúde pública e quer “levantar a moral do Rio de Janeiro”, segundo seu material de campanha. O slogan “Levanta, Rio!” é acompanhado de uma pequena parafernalha farmacêutica, gerando polêmica e memes.
Contexto político e internacional: a influência Trump
A eleição de Donald Trump em 2016 e sua influência duradoura na política global criaram um arquétipo do “outsider que enfrenta o sistema”. No Brasil, esse arquétipo foi encarnado por Jair Bolsonaro (2018-2022), mas, após sua inelegibilidade em 2023, outros políticos tentaram assumir o manto. O uso do nome e dos slogans trumpeanos não é mera cópia: é uma tentativa de associar a própria imagem à “guerra cultural” que Trump representa contra a “woke culture”, a burocracia estatal e a mídia tradicional. Pesquisas de opinião do DataFolha de agosto de 2026 mostram que 34% dos eleitores brasileiros têm opinião favorável a Trump, enquanto 48% o rejeitam. Entre eleitores declaradamente conservadores, a favorabilidade sobe para 62%.
Internacionalmente, o fenômeno não é exclusividade brasileira. Na Argentina, Javier Milei utilizou motosserras e slogans ultraliberais; na Itália, o movimento “5 Estrelas” começou com linguagem tosca e direta; nos EUA, o próprio Trump surgiu como fenômeno de massas. A diferença no Brasil é a dimensão do humor e do absurdo, algo profundamente enraizado na cultura nacional.
Análise FORTIS: liberal-conservadorismo e livre mercado
Sob a ótica liberal-conservadora, esses fenômenos devem ser analisados com honestidade intelectual. Por um lado, a política brasileira sofre de uma doença crônica: a personalização excessiva, o personalismo e a ausência de programas sólidos. Macarrão e Tadala são sintomas de que o eleitor, cansado da burocracia partidária e dos discursos vazios, busca figuras autênticas – ainda que ridículas. Isso pode ser visto como uma válvula de escape para a insatisfação com um sistema político que, historicamente, privilegia o “toma-lá-dá-cá” e o clientelismo.
No entanto, o liberal-conservadorismo defende que o Estado deve ser mínimo e que a política deve ser orientada por princípios: liberdade individual, responsabilidade fiscal, segurança jurídica e respeito à propriedade. Nomes como “Macarrão” não trazem, em si, nenhuma garantia de que o candidato defenderá essas pautas. Pelo contrário, muitos deles são populistas, dispostos a usar o Estado para distribuir benesses disfarçadas de “simplicidade”. O eleitor liberal-conservador precisa ir além do apelido e examinar o programa, o partido e as alianças.
A presença de Trump como inspiração é ambígua. Trump foi um presidente que, embora tenha promovido desregulamentação e cortes de impostos, também aumentou o déficit fiscal e utilizou tarifas protecionistas – algo contrário ao livre mercado puro. Copiar slogans sem absorver a substância é um erro que o eleitor brasileiro deve evitar. O FORTIS NEWS recomenda que se analise cada candidato por suas propostas reais, e não pelo nome de urna.
Por Renan Filho · 2026-09-27